sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Barragens subterrâneas fortalecem agricultura no semiárido baiano

O governo Jaques Wagner, da Bahia, descobriu uma forma de garantir água no semiárido, articulando a construção de barragens subterrâneas, uma tecnologia simples, de fácil construção e de baixo custo – uma obra deste tipo oscila entre R$ 1.500,00 a R$ 1800,00. A tecnologia já existia, faltava era vontade política. Já foram construídas 19 barragens subterrâneas, mas, até o final de 2010, virão mais 31 barragens, um investimento da ordem de R $ 900 mil - uma bagatela para o bem que geram para a agricultura familiar.

A receita é simples. O governo estadual cede as retroescavadeiras, as prefeituras municipais entram com o combustível, manutenção das máquinas e aquisição da lona, e as comunidades colaboram com a mão-de-obra em regime de mutirão.

A barragem subterrânea é construída no sentido transversal ao lençol freático. Abre-se uma vala com a retroescavadeira, variando entre 50 a 70 metros de extensão, em média, com profundidade oscilando entre 2m a 2,60m até a camada impermeável do solo, chamada piçarra. Depois é colocada uma lona de dupla face com no mínimo 200 micra de espessura, para dar uma durabilidade maior. A obra pode durar até 30 anos.

A lona segura a água que infiltra no terreno e o produtor tem condições de plantio tanto no período chuvoso como no seco. O principal objetivo da barragem é elevar o lençol freático, umedecendo uma área por um período maior. No semiárido baiano são quatro meses de chuva e oito meses de seca. Com a barragem amplia-se esse período úmido por mais seis meses, garantindo alimento para famílias de pequenos agricultores.

Segundo os técnicos do governo Wagner, são gastos em média dois dias para a construção de uma barragem subterrânea de 60 a 70 metros de extensão, o que facilita fazer várias barragens em períodos curtos de tempo. As principais vantagens são a acumulação de água com reduzida evaporação, menor risco de salinização a liberação de áreas agricultáveis, normalmente cobertas com água nos reservatórios de acumulação superficial.

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Academia de Letras da Bahia acolhe escritor Joacy Góes, democrata que tem história

A Academia de Letras da Bahia recebe hoje (24.09.2009) um novo integrante - o escritor Joacy Góes, empresário, ex-deputado federal e ex-proprietário do jornal Tribuna da Bahia. Vai ocupar a cadeira nº 7, no lugar de Pedro Moacir Maia, ex-diretor do Museu de Arte Sacra da Bahia, falecido em 2008.

Ele foi indicado anteriormente para ocupar a vaga do falecido ex-senador ACM que, aliás, nunca escreveu nada de sua própria lavra. Seus discursos sempre foram escritos por assessores. Mas a Academia de Letras da Bahia era tão desmoralizada que aceitou a indicação do velho coronel. Sabiamente, Joacy não aceitou a vaga de ACM e sim a de Pedro Moacir Maia.

Seria uma ironia da história porque Joacy Góes, quando proprietário de Tribuna da Bahia, enfrentou bravamente o autoritarismo do velho coronel. Durante décadas, a Tribuna da Bahia exerceu bravamente um saudável jornalismo de oposição à ditadura de ACM.

Ao contrário de ACM, Joacy Góes escreveu três livros: “A Inveja nossa de cada dia”, Anatomia do Ódio” e “A Força da Vocação”, todos pela Editora Top Book. Ele foi indicado à ALB pelo jornalista e escritor João Carlos Teixeira Gomes, Joca, autor entre outros importantes livros de “Memórias das Trevas”, uma biografia não autorizada de ACM. Também ele um desafeto do velho coronel.

A Tribuna da Bahia, em plena ditadura e sob o comando de Joacy Góes, acolhia os ex-presos políticos em sua redação. Eu e Emiliano José, hoje deputado federal (PT-BA), iniciamos assim nossa carreira de jornalista. Lembro-me de importantes nomes que passaram pela Tribuna da Bahia, a exemplo do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, do sociólogo Gustavo Falcon, do publicitário Césio Oliveira. Muita gente importante.

http://bahiadefato.blogspot.com/
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Tem gente que morre de inveja e ódio quando vê que o Brasil está cada vez mais sendo respeitado no mundo inteiro!




Em pose para foto oficial, Lula e sua mulher, Marisa Letícia, posam ao lado Barack Obama e sua mulher, Michelle Obama.


quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Essa eu recebi de um amigo por e-mail.

PAULO SOUTO, ENVOLVIDO EM CORRUPÇÃO, NO APAGAR DAS LUZES DO SEU GOVERNO DEU PRESENTE DE MILHÕES AO CUNHADO DE SERRA!




QUEM DIRIA HEIN? DO DISSIMULADO ATÉ ENTÃO SÓ SE TINHA NOTÍCIA DOS SEUS “OLHOS FECHADOS” PARA A CORRUPÇÃO EM SETORES DA PM, OLHOS LACRADOS PARA OS CONTRATOS DE SEGURANÇA QUE A POLICIA FEDERAL DENUNCIOU..


Mas agora finalmente aparece a sua digital clara e escancarada.
Vamos a historia:


Em Trancoso existe uma ilha paradisíaca, chamada de Ilha do Urubu.
Trancoso é a orla marítima mais valorizada da América do Sul. Lá abrigam-se mansões milionárias de gente como o presidente da Fiat Luca di Montezemolo, Abílio Diniz, Olavo Monteiro de Carvalho, o Governador Aécio Neves, dentre outros.


Pois bem, foi nesse “Jardim do Eden” em área pertencente ao estado, na famosa, paradisíaca e caríssima Ilha do Urubu, Repito ILHA PERTENCENTE AO ESTADO DA BAHIA, que Paulo Souto participou de uma milionária triangulação envolvendo o cunhado, sócio e arrecadador de finanças da campanha do governador de São Paulo Jose Serra, Gregório Preciatto beneficiário da bagatela de R$5 milhões de reais (até onde se sabe!)


Em Novembro de 2006, no apagar das luzes de sua administração ele já se preparando para sair, ele assinou um termo de doação de uma área imensa de terras na ilha para uma família Martins, que estava em litígio com o tal Gregório Preciatto e, logo após a doação, chegaram a um acordo onde o Gregório Levou os R$5 milhões e as terras foram vendidas para um especulador belga, um tal de Philippe Meuus, por mais de R$50 milhões, fechando a triangulação: PAULO SOUTO + GREGORIO PRECIATTO (leia-se sócio, cunhado e arrecadador de Serra) = PHILLIPE MEUUS!


Paulo Souto já é réu em uma ação popular para anular a negociata, assim como todos os envolvidos são réus e o Ministério Publico Federal já está em ação.


A Lei nº 3.442 de 12 de dezembro de 1975, que fala da outorga gratuita de titulo de propriedade, dentre outras coisas fala claramente no seu artigo 3º “..., desde que comprove posse mansa e pacífica, morada e cultura efetivas, por mais de cinco anos, e capacidade para desenvolver a área ocupada;”


O detalhe em que Paulo Souto foi pego com a boca na botija, e vai ter que responder à, é que a propriedade estava sob processo judicial e a família Martins disputava a posse inclusive com ameaças de mortes, matérias em jornais, etc. Portanto, como se pode dizer que os beneficiados da maracutais de Paulo Souto tinham “... posse mansa e pacifica” como exige a lei?


É... por mais que Ademir Ismerim seja eficiente advogado, nesse caso....

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

LULA PROPÕE UMA "CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS SOCIAIS"


Autor(es): Claudia Safatle, Maria Cristina Fernandes, Cristiano Romero e Raymundo Costa
Valor Econômico - 17/09/2009

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende mandar ao Congresso ainda neste ano um projeto de lei para consolidar as políticas sociais de seu governo. A ideia é amarrar no texto da lei uma "Consolidação das Leis Sociais", a exemplo do que, na década de 1940, Getúlio Vargas fez com a "Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT)". O presidente disse em entrevista ao Valor, ontem pela manhã, que não vai pedir urgência para esse projeto. "É bom mesmo que ele seja discutido em ano eleitoral".

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende mandar ao Congresso ainda este ano um projeto de lei para consolidar as políticas sociais de seu governo. A ideia é amarrar no texto da lei uma "Consolidação das Leis Sociais", a exemplo do que, na década de 50, Getúlio Vargas fez com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Diz que, para este projeto, não vai pedir urgência. "É bom mesmo que seja discutido no ano eleitoral".

Faz parte dos planos do presidente também para este ano encaminhar ao Congresso um projeto de inclusão digital. "Será para integrar o país todinho com fibras óticas", adiantou.

Na primeira entrevista concedida após a grande crise global, Lula criticou as empresas que, por medo ou incertezas, se precipitaram tomando medidas desnecessárias e defendeu a ação do Estado. "Quem sustentou essa crise foi o governo e o povo pobre, porque alguns setores empresariais brasileiros pisaram no breque de forma desnecessária".

Ele explicou porque está insatisfeito especialmente com a Vale do Rio Doce, a quem tem pressionado a agregar valor à extração de minério, construir usinas siderúrgicas e fazer suas encomendas dentro do país, em vez de recorrer à importação, como tem feito. "A Vale não pode ficar se dando ao luxo de ficar exportando apenas minério de ferro", diz ele. Hoje, disse, os chineses já produzem 535 milhões de toneladas de aço por ano, enquanto o Brasil, o maior produtor de minério do mundo, produz apenas 35 milhões de toneladas. "Isso não faz nenhum sentido."

O presidente defendeu a expansão de gastos promovida por seu governo, alegando que o Estado forte ajudou o país a enfrentar a recente crise econômica. "A gente não deveria ficar preocupado em saber quanto o Estado gasta. Deveria ficar preocupado em saber se o Estado está cumprindo com suas funções de bem tratar a população."

Rechaçou a eventualidade do "risco Serra", aludido por algumas autoridades de seu governo face às veementes críticas do governador de São Paulo, José Serra (PSDB) à política monetária. "É uma cretinice política. É tão sério governar um país da magnitude do Brasil que ninguém que entre aqui vai se meter a fazer bobagem, vai ser bobo de mexer na estabilidade econômica e permitir que a inflação volte".

A falta de carisma da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, provável candidata à sua sucessão em 2010 não é , para ele, um obstáculo eleitoral. "Se dependesse de carisma, Fernando Henrique Cardoso não teria sido eleito e Serra não seria nem candidato. Jânio Quadros tinha carisma e ficou só seis meses". O principal ativo de Dilma, na opinião de Lula, é a "capacidade gerencial" da ministra. "E mulher tem que ser dura mesmo, para se impor entre os homens."

Lula contou que já desaconselhou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, a se candidatar ao governo de Goiás. "Eu já disse pro Meirelles. Eu sinceramente acho que o Meirelles não devia pensar em ser candidato a governador, coisa nenhuma. Mas esse negócio tem um comichão..."

O risco de os esqueletos deixados por planos de estabilização de governos passados se transformarem em pesado fardo para o Tesouro Nacional preocupa o presidente. Segundo ele, se o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar as ações contra bancos baseadas em supostos prejuízos causados por planos econômicos, uma conta que supera os R$ 100 bilhões, os bancos vão acionar judicialmente a União para bancar que ela banque essa despesa.

Na entrevista ao Valor, concedida na manhã de ontem em seu gabinete no Centro Cultural do Banco do Brasil, o presidente falou por uma hora e meia. Fumou cigarrilha na última meia hora da entrevista e não se recusou a falar de seu futuro político quando deixar a Presidência. "Gostaria de usar o que aprendi na Presidência para ajudar tanto a América Latina quanto a África a implementar políticas sociais, mas primeiro preciso saber se eles querem, porque de palpiteiro todo mundo está cansado". Sobre uma nova candidatura em 2014, o presidente foi direto: "Se Dilma for eleita, ela tem todo direito de chegar em 2014 e falar "eu quero a reeleição". Se isso não acontecer, obviamente a história política pode ter outro rumo".

Valor: Passado um ano da grande crise global, a economia brasileira começa a se recuperar. Além do pré-sal, qual a agenda do governo para o pós crise?

Luiz Inácio Lula da Silva: Ainda este ano vou apresentar uma proposta sobre inclusão digital. E, também, uma proposta consolidando todas as políticas sociais do governo.

Valor: Inclusive, o Bolsa Família, o salário mínimo?

Lula: Todas. Vai ter uma lei que vai legalizar tudo, como a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Será uma consolidação das políticas públicas para sustentar os avanços conquistados. Tudo o que foi feito, até as conferências nacionais, porque nós só temos legalizada a da saúde.

Valor: Mas o governo ainda não conseguiu sequer aprovar a política de valorização do salário mínimo?

Lula: A culpa não é minha. Mandei (para o Congresso) já faz um ano e meio. Sou de um tempo de dirigente sindical que, quando a gente falava de salário mínimo, as pessoas já falavam logo de inflação. Nós demos, desde que cheguei aqui, 67% de aumento real para o salário mínimo e ninguém mais fala de inflação. O projeto que nós mandamos é uma coisa bonita. É a reposição da inflação mais o aumento do PIB de dois anos atrás. Quero consolidar isso porque acho que o Brasil tem que mudar de patamar.

Valor: O senhor vai pedir urgência?

Lula: Não. É ótimo que dê debate no ano eleitoral. Quando eu voltar de viagem, vou ter uma reunião com todos os ministros da área social e vamos começar a trabalhar nisso.

Valor: E a inclusão digital?

Lula: Esta eu quero mandar também este ano. Será para integrar o país com fibras óticas. O Brasil precisa disso. Eu dei 45 dias de prazo, ontem, para que me apresentem o projeto de integração de todo o sistema ótico do Brasil.

Valor: O que mais será feito?

Lula: Uma proposta de um novo PAC para 2011-2015, que anunciarei em janeiro ou fevereiro. Porque precisamos colocar, no Orçamento de 2011, dinheiro para a Copa do Mundo, sobretudo na questão de mobilização urbana. E, se a gente ganhar a sede das Olimpíadas, já tem que ter uma coisa mais poderosa nisso.

Valor: Só para a parte que lhe cabe no pré-sal, o BNDES diz que vai precisar de uma capitalização de R$ 100 bilhões do Tesouro Nacional. O senhor já autorizou a operação?

Lula: Acabamos de dar R$ 100 bilhões ao BNDES e nem utilizamos ainda todo esse dinheiro. Para nós, o pré-sal começa ontem. Na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, pedi aos empresários que constituíssem um grupo de trabalho para que possamos ter dimensão do que vamos precisar nos próximos 15 anos entre infraestrutura, equipamentos para construção de sondas, plataformas, toda a cadeia. Não podemos deixar tudo para a última hora e isso vai exigir muito dinheiro. Esse problema do BNDES ainda não chegou aqui, mas posso garantir que não faltará dinheiro para o pré-sal.

Valor: O governo pensa numa política industrial para o pré-sal, voltada para as grandes empresas nacionais. Fala-se em ter empresas "campeãs nacionais". Isso vai renovar o parque industrial e as lideranças empresariais do país?

Lula: Certamente aumentará muito o setor empresarial brasileiro. Precisamos aproveitar o pré-sal e criar, também, um grande polo petroquímico. Não podemos ficar no sexto, sétimo lugar nesse setor. Pedi para o Luciano Coutinho (presidente do BNDES) coordenar um grupo de trabalho para que a gente possa anunciar em breve um plano de fomento à indústria petroquímica no Brasil. E pedi para os empresários brasileiros se prepararem para coisas maiores. Vamos precisar de mais estaleiros, diques secos, e isso tem que começar agora para estar pronto em três a quatro anos. Sobretudo, temos que convencer os empresários estrangeiros a investir no Brasil, construindo parcerias.

Valor: É por essa razão que o senhor está irritado com a Vale?

Lula: Não estou irritado com a Vale. Tenho cobrado sistematicamente da Vale a construção de usinas siderúrgicas no país. Todo mundo sabe o que a Vale representa para o Brasil. É uma empresa excepcional, mas não pode se dar ao luxo de exportar apenas minério de ferro. Os chineses já estão produzindo 535 milhões de toneladas de aço e nós continuamos com 35 milhões de toneladas. Daqui a pouco vamos ter que importar aço da China. Isso não faz nenhum sentido. Quando a gente vende minério de ferro, custa um tiquinho.

Valor: E não paga imposto porque o produto não é industrializado...

Lula: Não paga imposto. Tudo isso eu tenho discutido muito com a Vale porque eu a respeito. Quando ela contrata navios de 400 mil toneladas na China, é de se perguntar: ´e o esforço imenso que estou fazendo para recuperar a indústria naval brasileira?´

Valor: Mas a Vale não é uma empresa privada?

Lula: Pode ser privada ou pública. O interesse do país está em primeiro lugar. As empresas privadas têm tantas obrigações com o país como eu tenho. Não é porque sou presidente que só eu tenho responsabilidade. Se quisermos construir uma indústria competitiva no mundo, vamos ter que fortalecer o país.

Valor: Os custos não são importantes?

Lula: Os empresários têm tanta obrigação de ser brasileiros e nacionalistas quanto eu! Estou fazendo uma discussão com a Vale, já fiz com outras empresas, porque quando queremos importar aço da China, os empresários brasileiros não querem. Mas quando eles aumentam seus preços, eu sou obrigado a reduzir a alíquota (de importação) para poder equilibrar. Eu sei a importância das empresas brasileiras, ninguém mais do que eu brigou neste país para elas virarem multinacionais. Porque, cada vez que uma empresa se torna uma multinacional, ela é uma bandeira do país fincada em outro país.

Valor: As empresas não importam porque lá fora é mais barato e tecnologicamente mais avançado?

Lula: Não sei se tecnologicamente é mais avançado. Pode ser mais barato. Quando começamos a discutir com a Petrobras a construção de plataformas, ela falava ´nós economizamos não sei quantos milhões´. Eu falava ´tudo bem, e os desempregados brasileiros? E o avanço tecnológico do país? E a possibilidade de fazemos plataformas aqui e exportar?´ Em vez de apenas importar, vamos convencer as empresas de fora que nós temos demanda e que elas venham construir no Brasil. Não estamos pedindo favor. Talvez o Brasil seja, daqui para a frente, o país a consumir mais implementos para a construção de sondas e plataformas.

Valor: O governo pensa em reduzir os custos de produção no Brasil?

Lula: Temos, no momento, uma crise econômica em que o custo financeiro subiu no mundo inteiro. Desde que entrei, e considerando a extinção da CPMF, foram mais de R$ 100 bilhões em desonerações. Eu já mandei duas reformas tributárias ao Congresso. As duas tiveram a concordância dos 27 governadores e dos empresários. Mas as propostas chegam no Senado e, como diria o Jânio Quadros, tem o ´inimigo oculto´ que não deixa que sejam aprovadas.

Valor: Como o senhor vê o papel do Estado pós crise?

Lula: O Estado não pode ser o gerenciador, o administrador. O Estado tem que ter apenas o papel de indutor e fiscalizador. Então, (o Estado) leva uma refinaria para o Ceará, um estaleiro para Pernambuco. Se dependesse da Petrobras, ela não gostaria de fazer refinarias.

Valor: Por que há ociosidade?

Lula: Na lógica da Petrobras, as suas refinarias já atendem a demanda. Há 20 anos a empresa não fazia uma nova refinaria. Agora, o que significa uma nova refinaria num Estado? A primeira coisa que vai ter é um polo petroquímico para aquela região. Este é o papel do governo. O governo não pode se omitir. A fragilidade dos governantes, hoje, é que eles acreditaram nos últimos dez anos que os mercados resolviam os problemas. E agora, quando chegou a crise, todos perceberam que, se os Estados não fizessem o que fizeram, a crise seria mais profunda. Se o Bush (George, ex-presidente dos Estados Unidos) tivesse a dimensão da crise e tivesse colocado US$ 60 bilhões no Lehman Brothers antes de ele quebrar, possivelmente não teríamos a crise de crédito que tivemos. Então, a Vale entra nessa minha lógica.

Valor: Depois da conversa com o senhor, a Vale vai construir as siderúrgicas?

Lula: Ela precisa agregar valor às suas exportações. Se ela exportar uma tonelada de bauxita, vai receber entre US$ 30 e US$ 50. Se for um tonelada de alumínio pronto, vai vender por US$ 3 mil. Além disso, vai gerar emprego aqui, vai ter que construir hidrelétrica para ter energia. Não pode ter só o interesse imediato pelo lucro porque a matéria prima um dia acaba e, antes de acabar, temos que ganhar dinheiro com isso. A Vale entende isso.

Valor: Então ela se comprometeu?

Lula: Basta ver a propaganda dela nos jornais. Faz três anos que venho conversando com a Vale. O Estado do Pará reclama o tempo inteiro, Minas Gerais e o Espírito Santo também. A siderúrgica do Ceará não foi proposta por mim. Foi proposta em 1992. Há condições de fazer? Há. Há mercado? Há. Temos tecnologia? Temos. Então, vamos fazer.

Valor: Entre reduzir a carga tributária, desonerando a folha de pagamentos das empresas, e aumentar o salário do funcionalismo, o senhor ficou com a segunda opção. Por quê?

Lula: Primeiro porque a desoneração é baseada no nervosismo econômico, no aperto de determinado segmento. O Estado tem que ter força. No Brasil, durante os anos 80, se criou a ideia de Estado mínimo. O Estado mínimo não vale para nada. O Estado tem que ter força para fazer as políticas que fizemos agora, na crise, com a compreensão do Congresso. Não pense que foi fácil tomar a decisão de fazer o Banco do Brasil (BB) comprar a Nossa Caixa em São Paulo.

Valor: Por quê?

Lula: As pessoas diziam: ´Ah, o presidente vai dar dinheiro ao Serra e o Serra é candidato´. Mas não dei dinheiro para o Serra. Comprei um banco que tinha caixa e para permitir que o BB tivesse mais capacidade de alavancar o crédito. Quando fui comprar (via BB) 50% do Banco Votorantim, tive que me lixar para a especulação. Nós precisávamos financiar o mercado de carro usado e o Banco do Brasil não tinha ´expertise´. Então, compramos 50% do Votorantim, que tem uma carteira de carro usado de R$ 90 bilhões. Vocês têm dimensão do que foi ter uma Caixa Econômica Federal, um BNDES ou um BB na crise? Foi extremamente importante. A Petrobras apresentou estudo mostrando que deveria adiar o cronograma dos investimentos dela de 2013 para 2017.

Valor: Durante a crise?

Lula: É. Convoquei o Conselho da Petrobras para dizer: ´Olha, este é um momento em que não se pode recuar´. Até no futebol a gente aprende que, quando se está ganhando de 1 x 0 e recua, a gente se ferra.

Valor: E funcionou?

Lula: Quem sustentou essa crise foi o governo e o povo pobre, porque alguns setores empresariais brasileiros pisaram no breque de forma desnecessária. Aquele famoso cavalo de pau que o (Antonio) Palocci (ex-ministro da Fazenda) dizia que a gente não podia dar na economia, alguns setores empresariais deram por puro medo, incerteza. Essas coisas nós conversamos muito com os empresários, no comitê acompanhamento da crise. Agora não vai ter mais comitê de crise, mas sim de produção, investimento e inovação tecnológica. Estou otimista porque este é o momento do Brasil.

Valor: Por exemplo?

Lula: As pessoas estão compreendendo que fazer com que o pobre seja menos pobre é bom para a economia. Ele vira consumidor. Eles vão para o shopping e compram coisas que até pouco tempo só a classe média tinha acesso. Os empresários brasileiros precisam se modernizar.

Valor: A política de valorização do funcionalismo dificilmente poderá ser mantida por seu sucessor e nenhum dos candidatos tem ascendência sobre o movimento sindical que o senhor tem. Não é uma bomba relógio que o senhor deixa armada para o próximo governo?

Lula: Vocês acham que o Estado brasileiro paga bem?

Valor: O senhor acha que ainda ganha mal?

Lula: Você tem que medir o valor de determinadas funções no mercado e dentro do governo. Sempre achei que o pessoal da Petrobras ganhava muito. O Rodolfo Landim, quando era presidente da BR, há uns quatro anos, ganhava R$ 26 mil. Ele entrou na minha sala e disse: ´Presidente, tive convite de um empresário, estou de coração partido, mas não posso perder a oportunidade da minha vida´. Então, ele deixa de ganhar R$ 26 mil por mês e vai ganhar R$ 200 mil com dois anos de pagamento adiantado. Quanto vale um bom funcionário da Receita Federal, do Banco Central, no mercado? O que garante as pessoas ficarem no Estado é a estabilidade, não o salário.

Valor: Mas essa política de valorização salarial do funcionalismo é sustentável?

Lula: Como é que a gente vai deixar de contratar professores? Vou passar à história como o presidente que mais fez universidades neste país. Ontem, completamos a 11ª (das quais, duas foram iniciativa do governo anterior). Ganhamos do Juscelino Kubitschek, que fez dez. Teve governo que não fez nenhuma. E ainda há três no Congresso para serem aprovadas.

Valor: O senhor considera que o Estado hoje está arrumado?

Lula: A gente não deveria ficar preocupado em saber quanto o Estado gasta. Deveria ficar preocupado em saber se o Estado está cumprindo com suas funções de bem tratar a população. E ainda falta muito para chegar à perfeição.

Valor: O senhor foi vítima em 2002 do chamado "risco Lula". Hoje, já há quem fale em "risco Serra". Existe mais risco para o país com o Serra do que com a Dilma?

Lula: Nunca ouvi falar de ´risco Serra´ (risos). Posso falar de cátedra. Sofri com o ´risco Lula´ desde 1989. Em 1994, eu tinha 43% nas pesquisas em março e o que eles fizeram? Diminuíram o mandato para quatro anos e proibiram mostrar imagem externa no programa eleitoral. As pessoas pensam que esqueci isso. Quando chegaram as eleições para a prefeitura (em 1996), revogou-se a lei e todo mundo pôde mostrar imagens externas. Quando eles ganharam, aprovaram a reeleição. Então, essa coisa de ´risco Lula´ eu conheço bem.

Valor: É possível voltar a acorrer?

Lula: Espero que minha vitória e meu governo sirvam de lição para essas pessoas que ficam dizendo: ´o Lula era risco, agora o Serra é risco, a Dilma é risco, a Marina é risco, o Aécio é risco´. É uma cretinice política! Porque é tão sério governar um país da magnitude do Brasil que ninguém que entre aqui vai se meter a fazer bobagem. Quem fez bobagem não ficou. Todo mundo sabe da minha afinidade com os trabalhadores, da minha preferência pelos mais pobres. Entretanto, sou governante dos ricos também. E tenho certeza de que eles estão muito satisfeitos porque ganharam muito dinheiro no meu governo. Mais do que no governo ´deles´. Como pode um companheiro como a Dilma, o Serra, a Marina, todos que têm história, ficar sujeito a essa história de risco? E sabe por que não tem risco? Porque, se depois fizer bobagem, paga. Você pode ter visão diferente sobre as coisas, isso é normal. E agora mais ainda porque quem vier depois de mim.

Valor: Por quê?

Lula: Porque há um outro paradigma. Em cem anos a elite brasileira fez 140 escolas técnicas. Como é que esse torneiro mecânico faz 114? Estamos criando um paradigma. Fui ao Rio Maranguapinho (no Ceará) um dia desses. Estamos colocando lá R$ 390 milhões para fazer saneamento básico. Em Roraima são R$ 496 milhões para fazer saneamento e dragagem. Você sabe quanto o Brasil inteiro gastou em 2002 em saneamento?

Valor: Quanto?

Lula: R$ 262 milhões. Então, estamos colocando num bairro de Fortaleza o que foi colocado no Brasil inteiro naquele ano.

Valor: O senhor diria que pelo menos nos três fundamentos básicos da economia - superávit primário, câmbio flutuante e regime de metas - ninguém vai mexer porque foram testados na crise?

Lula: Para mim, inflação controlada é condição básica para o resto dar certo. Porque na hora que a inflação começar a crescer, os trabalhadores vão querer muito mais reajuste, os empresários também e a coisa desanda. Então, é manter a inflação controlada, a economia crescendo, permitir o crescimento do crédito. O Banco do Brasil sozinho hoje talvez tenha todo o crédito que o Brasil tinha em 2003.

Valor: Isso é bom ou ruim? Entre os anos 80 e 90, houve péssima gestão nos bancos estaduais, que acabaram quebrando...

Lula: Mas aí a culpa não é do banco. É irresponsabilidade da classe política. Os governantes transformaram os bancos públicos em caixa 2 de campanha. Emprestar dinheiro para amigo? Isso acabou. Não acho que ninguém que entre aqui vai ser bobo de mexer na estabilidade econômica e permitir que volte a inflação. Porque, se isso acontecer, o mandato é de apenas quatro anos.

Valor: A capacidade administrativa da ministra Dilma Rousseff, apesar do seu pouco carisma, e a confiança que o senhor tem em seu trabalho são suficientes para fazer dela uma candidata?

Lula: Quantos políticos têm carisma no Brasil? Se dependesse de carisma, Fernando Henrique Cardoso não teria sido presidente. Se dependesse de carisma, José Serra não poderia nem ser candidato. Carisma é uma coisa inata. Você pode aperfeiçoar ou não. Sempre é bom ter um pouco de carisma. O Jânio Quadros tinha carisma. Ficou só seis meses aqui. Estou dizendo que para governar este país é preciso um conjunto de qualidades. E a primeira qualidade é ganhar eleição. Tem que ter muita humildade, determinação do projeto que vai apresentar. Tem que provar que é capaz de gerenciar. Hoje, com sete anos de convivência, não conheço ninguém que tenha essa capacidade gerencial da Dilma. Às vezes as pessoas falam ´ela é dura´. Mas é que a mulher tem que ser mais dura mesmo.

Valor: Por quê?

Lula: Porque numa discussão política, para você se impor no meio de 30 ou 40 homens, é assim. A Dilma é muito competente. Feliz do país que vai ter uma disputa que pode ter Dilma, Serra, Marina, Heloísa Helena, Aécio. Houve no país um avanço qualitativo nas disputas eleitorais. O Fernando Henrique e eu já fomos um avanço extraordinário. Fico olhando e vejo que não tem um único candidato de direita. Isto é uma conquista extraordinária de um Brasil exuberante. É evidente que Serra tem discordância da Dilma e vice-versa, mas ninguém pode acusar um e outro de que não são democratas e não lutaram por este país.

Valor: Qual é a diferença entre eles?

Lula: Vai ter. Se for para fazer (um governo) igual não tem disputa. E, aí, o povo vai escolher por beleza... Não sei se serão só os dois. Mas são candidatos de qualidade.

Valor: Privatizar ou não privatizar pode ser a diferença?

Lula: Não.

Valor: Por que o senhor é contra a privatização?

Lula: Tudo aquilo que não é de interesse estratégico para o país pode ser privatizado. Agora, tudo o que é estratégico, o Estado pode fazer como fez com a Petrobras e o Banco do Brasil.

Valor: A Infraero é estratégica?

Lula: O Guido (Mantega, ministro da Fazenda) foi determinado a fazer um estudo sobre a Infraero, para ver se ela vira uma empresa de economia mista. O que nos interessa é que as coisas funcionem corretamente. Pedi ao Jobim (Nelson, ministro da Defesa) estudar o processo de concessão de um ou outro aeroporto para gente poder ter um termômetro, medir a qualidade de funcionamento. O que é estratégico no aeroporto é o controle do espaço aéreo e não ficar pegando passaporte de passageiros.

Valor: O senhor, então, não é contra a privatização por princípio?

Lula: Eu sou muito prático. Entre o meu princípio e o bom serviço prestado à população, fico com o bom serviço.

Valor: Quando o senhor falou dos candidatos, não mencionou Ciro Gomes.

Lula: O Ciro é um extraordinário candidato. De qualquer forma o PSB tem autonomia para lançar o Ciro candidato.

Valor: O senhor é o presidente mais popular da história do Brasil. No entanto, este Congresso é um dos mais desmoralizados. Por que o PT fracassou na condução do Congresso?

Lula: Você há de convir que a democracia no Brasil funciona com muito mais dinamismo que em qualquer outro lugar do mundo. O PT elegeu 81 deputados em 513 e 12 senadores em 81. A gente precisa dançar mais flamenco do que em qualquer país do mundo. Você vai ter que ter mais jogo de cintura. Exercitar a democracia é convencer as pessoas, é sempre mais difícil.

Valor: Por quê?

Lula: O Congresso é a única instituição julgada coletivamente. Se não teve sessão você fala: ´Deputado vagabundo que não trabalha´. Agora, nunca cita os que estiveram lá, de plantão, o tempo inteiro. Quando era constituinte, eu ficava doido porque ficava trabalhando até as duas, três horas da manhã. O Ulysses (Guimarães) ficava uma semana sem votar. Quando ele começava a votar, aquilo varava a noite. No dia seguinte, pegava o jornal, que dizia ´sessão não deu quórum porque os deputados não foram trabalhar´. Mas havia lá 200 em pé. Toda vez que vou a debates com estudantes, em inauguração de escolas, eu falo isso: ´Se vocês não gostam de política, acham que todo político é ladrão, que não presta, não renunciem à política. Entrem vocês na política porque, quem sabe, o perfeito que vocês querem está dentro de vocês´.

Valor: O senhor disse que o Brasil deve comemorar o fato de não ter candidatos de direita na eleição presidencial. Por que depois de tantas tentativas de aproximar PT e PSDB, isso não deu certo?

Lula: Porque na verdade nós somos os principais adversários.

Valor: Em São Paulo?

Lula: Em São Paulo e em outros lugares. Há uma disputa.

Valor: A aliança PT-PSDB é impossível?

Lula: Acho que agora é impossível.

Valor: Como o senhor avalia sua relação com a oposição, sobretudo no momento em que se discute o marco regulatório do pré-sal?

Lula: Essa oposição teve menos canal com o governo. Certamente o DEM e o PSDB pouco tiveram o que construir com o governo. Possivelmente quando eles eram governo, o PT também construiu poucas possibilidades. O projeto do pré-sal tal, como ele foi mandado, não é uma coisa minha. O trabalho que fizemos foi, sem falsa modéstia, digno de respeito, tanto é que o Serra concorda com o modelo. O Congresso tem liberdade para mudar.

Valor: A oposição diz que o governo pediu urgência para usar o projeto de forma eleitoreira. A urgência era exatamente por quê?

Lula: Porque precisamos aprovar o mais rápido possível para dizer ao mundo o que está aprovado e começar a trabalhar. Acho engraçado a oposição dizer isso. A oposição votou em seis meses cinco emendas constitucionais no governo Fernando Henrique Cardoso.

Valor: O senhor volta com o pedido de urgência, se for o caso?

Lula: Depende. Atendi ao pedido do presidente da Câmara, Michel Temer. Vamos votar no dia 10 de novembro. Isso me garante. Termino o mandato daqui a um ano. Serei ex-presidente, nem vento bate nas costas. Não é para mim que estou fazendo o pré-sal. O pré-sal é para o país.

Valor: O que o senhor pretende fazer depois que deixar o governo?

Lula: Não sei. A única coisa que tenho convicção é que não vou importunar quem for eleito.

Valor: Todo mundo tem medo que o senhor volte em 2014...

Lula: Medo? Acho que deveria ter alegria, se eu voltasse. Na política a gente tem de ter sempre o bom senso. Vamos supor que a Dilma seja eleita presidente da República...

Valor: E se ela perder a eleição? O senhor vai se sentir pressionado pelo PT a disputar em 2014?

Lula: Vou trabalhar para o povo votar favoravelmente, mas, se votar contra, vou ter o mesmo respeito que tenho pelo povo. Se ela for eleita, tem todo o direito de chegar a 2014 e falar ´eu quero a reeleição´.

Valor: E se ela não for eleita?

Lula: Não trabalho com essa hipótese, mas obviamente que, se não acontecer o que eu penso que deve acontecer, a história política pode ter outro rumo.

Valor: Parece que está consolidada a percepção de que o país terá câmbio apreciado por um bom tempo. O senhor teme uma desindustrialização?

Lula: O nosso objetivo é industrializar o máximo possível. O Palocci disse uma frase que é simples e antológica: ´o problema do câmbio flutuante é que ele flutua´. Obviamente que nós já estamos discutindo isso. Trabalhamos com a hipótese de que vai entrar muito dólar no Brasil. Precisamos trabalhar isso com carinho. Em contrapartida, também estamos avançando na questão de fazer trocas comerciais nas moedas dos países. Não preciso do dólar para fazer comércio com a China, a Índia, a Rússia. Podemos fazer comércio com nossas moedas e com as garantias dos bancos centrais. Esta é uma coisa nova que já começamos a discutir. Na última reunião dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia e China), foi constituído um grupo de trabalho para pensar sobre isso. Não é possível você tratar da economia com teoricismo, de que você acha que hoje pode tomar uma decisão para evitar que alguma coisa aconteça daqui a dez anos. Esta crise econômica mundial mostrou isso. Hoje é unanimidade mundial que o Brasil é o país mais preparado para enfrentar isso. Nunca tivemos nenhum plano econômico. Cada vez que tinha uma crise vinha um e apresentava um plano. Quebrava. Os bancos hoje estão sendo processados no Supremo Tribunal Federal (STF) por uma dívida de mais de R$ 150 bilhões, por causa dos planos Bresser e Verão.

Valor: Os bancos pediram ajuda ao governo?

Lula: Não é que o governo vai ajudar. O governo é o responsável. O governo fez a lei. Eles cumpriram a lei. Se eles perderem no STF, sabe o que vai acontecer?

Valor: A conta vai para o Tesouro.

Lula: Eles vão acionar a União. Obviamente que é isso. E quem fez os planos está dando palpites nas economias. Este é o dado. Também peço a Deus que eu não deixe nenhum esqueleto para meus sucessores. Por isso, estou mais tranquilo para tomar as decisões, mais meticuloso, para fazer as coisas. Eu fico imaginado, quando eu não estiver mais aqui dentro, o que é que um ex-presidente pode esperar do país. Que um venha e faça mais do que ele. Porque isso é o que vai fazer o país ir para a frente. Somente uma figura medíocre é capaz de torcer para o cara não dar certo. Porque, quando não dá certo, eu não vi nenhum político ter prejuízo. Ele pode perder a eleição, mas não tem prejuízo. Agora, o povo pobre é que paga a conta, se a política não der certo.

Valor: Qual vai ser o discurso da sua candidata?

Lula: Vamos deixar a candidata construir. Mas eu acho o seguinte: o que eram as campanhas passadas? Quem vai controlar a inflação, o salário mínimo de US$ 100, não era isso? Isso acabou. Não se fala mais em FMI, não se fala mais em salário mínimo de US$ 100, não se fala mais em inflação.

Valor: Mas no FMI o senhor vai falar?

Lula: Vou falar porque agora somos credores do FMI.

Valor: A França se tornou nosso parceiro prioritário em detrimento dos EUA?

Lula: Não sei porque não pensaram nisso antes. A França é o único país europeu que faz fronteira com o Brasil. São 700 quilômetros de fronteira. Isso é uma vantagem comparativa da relação com a França. Nós sempre teremos uma excelente relação com o EUA. Sempre teremos uma belíssima relação com a Europa. Mas isso não atrapalha que nós tenhamos relações bilaterais estratégicas com outros países. Acho que os Estados Unidos precisam ter um olhar para a América Latina mais produtivo, mais desenvolvimentista.

Valor: O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, vai sair para se candidatar ao governo de Goiás?

Lula: Sinceramente, o Meirelles não devia pensar em ser candidato a governador, coisa nenhuma. É que esse negócio (fazer política) tem um comichão...

http://clippingmp.planejamento.gov.br/cadastros/noticias/2009/9/17/lula-propoe-uma-consolidacao-das-leis-sociais

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O ponto alto da Política Externa

Noblat, Mainardi e Míriam Leitão espumam de raiva: Lula é um sucesso internacional.

O analfabeto político vai odiar isto. E exatamente por isto direi que a Política Externa de Lula é um sucesso absoluto. Não é resultado da sorte, dos dotes histriônicos ou do fato de a figura de Lula ter caído no gosto da mídia mundial. O Itamaraty não improvisa e o sucesso não é do acaso nem da boa estrela de Lula: é fruto de trabalho duro e, principalmente, de uma análise e um planejamento corretos. O fato de os holofotes do mundo estarem hoje voltados para Lula (ele na ONU e Zelaya protegido na embaixada brasileira de Honduras), apenas coroa um esforço proficiente de quase oito anos.

Desde o primeiro dia do primeiro governo Lula, a dupla que comanda nossa Política Externa, o chanceler Celso Amorim e o secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, a partir de um diagnóstico correto, estabeleceram três objetivos estratégicos a serem seguidos: a- adequar nossa política externa, tacanha durante Collor e FHC, ao tamanho e a importância do país; b- Alçar o país à condição de líder natural, político, econômico e militar, da América do Sul e c- enfrentar de forma serena porém consistente – sem a verborragia e as bravatas do nacionalismo de fachada -, a hegemonia norte-americana no Continente.

A mídia apátrida, jamais admitiu isto e os beletristas (sem embargo de serem analfabetos políticos) a seu serviço sempre denegriram e achincalharam nossa política externa. Mas, ao cabo de sete anos, aí estão os resultados: a- o Brasil reconhecido mundo a fora como potência emergente (emergente e simpática); b- exatamente como acontecia há vinte anos em relação aos EUA, hoje nada que ocorra no continente sul-americano deixa de dizer respeito ao Brasil e c- o pais é consultado, ouvido e geralmente seguido. É a liderança natural e, exceto na Colômbia e no Peru, dois países na contramão da História, a influência norte-americana no Continente é igual a zero.

Há um mês divulgamos neste blog trechos de um documento desconhecido fora do âmbito diplomático, assinado pelo secretário-geral do Itamaraty ,embaixador Samuel Pinheiro Guimarães. Vamos reproduzi-los aqui, como uma espécie de prova do que dissemos nos parágrafos acima.

Para o embaixador, “o MERCOSUL (a Argentina e o Brasil em particular) enfrentam três desafios de curto prazo no processo de articulação de um papel autônomo no sistema mundial, multipolar, em gestação: A – Resistir a uma absorção na economia e no bloco político norte-americano, que está avançando rapidamente, de maneira disfarçada, por meio de negociações da ALCA e dos TLCs (tratados de livre comércio) e da dolarização gradual. Benfrentar uma possível intervenção militar externa na Colômbia e eventualmente em toda a região amazônica. C – Recuperar o controle sobre as políticas, doméstica e externa, no momento sob controle do FMI (e da Organização Mundial do Comércio)”.

Segundo o embaixador, a construção “paciente, persistente e gradual da união política da América do Sul e uma recusa firme e serena de políticas que submetam a região aos interesses estratégicos dos Estados Unidos tem que ser objetivo da nossa política externa e o MERCOSUL é um instrumento essencial para atingir esse objetivo”. E Pinheiro Guimarães ressalta que “MERCOSUL significa Brasil e Argentina, da mesma forma que União Européia Alemanha e França e Nafta (Mercado Comum Norte-Americano) significa Estados Unidos e Canadá”, para acrescentar “que sem uma cooperação próxima entre Brasil e Argentina, a ação coordenada no MERCOSUL seria uma total impossibilidade”.

http://fatosnovosnovasideias.wordpress.com/9-ultima-hora/

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segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Deputado baiano defende interesses de petroleira estrangeira. Não é uma vergonha?

José Carlos Aleluia (DEM) é um deputado federal baiano de extrema direita. É ligado ao deputado federal ACM Neto (DEM), ao ex-governador Paulo Souto (DEM) e ao senador César Borges (?). Foi chamado pela Jussara Seixas, do blog “Por um Novo Brasil “ de impatriótico, entreguista, vendilhão. É pouco. José Carlos Aleluia apresentou emenda em defesa dos interesses das empresas estrangeiras, como a multinacional Repsol. Aleluia pertence ao grupo que já tentou privatizar a Petrobras. É um traidor da pátria. Ele apresentou emenda contra o monopólio da Petrobras na extração de poços novos no pré-sal. O mais grave é que três deputados da oposição apresentaram separadamente emendas aos projetos do pré-sal. Mas todos têm redação idêntica. As próprias petrolíferas redigiram o texto. Sãos as emendas de Aleluia (DEM-BA), Eduardo Gomes (PSDB-TO) e Eduardo Sciarra (DEM-PR). Eles querem entregar nosso petróleo do pré-sal às gigantes petrolíferas estrangeiras. Deu tudo na Folha de S. Paulo.

José Carlos Aleluia é uma vergonha para a Bahia. Uma vergonha para o Brasil.
http://bahiadefato.blogspot.com/
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domingo, 20 de setembro de 2009

oposição não defende interesses nacionais

http://www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=blogsection&id=11&Itemid=37

19/09/2009 12:20

Um assunto para a comissão de ética

Um escândalo que não mereceu o devido destaque ...
Um escândalo que não mereceu o devido destaque da mídia, apesar de noticiado aqui e ali: O líder do PSDB, José Aníbal, e o deputado Onyx Lorenzoni (DEM), em nome do líder de seu partido Ronaldo Caiado, assinaram 12 emendas clonadas de propostas do Instituto Brasileiro de Petróleo e foram pegos em flagrante. Constrangido, José Aníbal retirou as assinaturas, apesar de concordar, como disse, com o conteúdo das mesmas.

Como vemos, nossa oposição continua sem propostas e programa, mas está a serviço das empresas de petróleo e gás, a maioria estrangeira. Não seria quebra do decoro parlamentar tal comportamento a serviço de empresas interessadas diretamente na não aprovação do novo marco regulatório do petróleo, do pré-sal, com o agravante que foi feito às escondidas, em segredo, sem publicidade e transparência? Com a palavra o presidente da Câmara dos Deputados e a Comissão de Ética da casa.


18/09/2009 11:24

No pré-sal, oposição não defende interesses nacionais

Provado: no exame, tramitação e...
Image
Pré-sal
Provado: no exame, tramitação e votação das propostas sobre o pré-sal encaminhadas pelo presidente Lula ao Congresso Nacional, a oposição defende interesses de empresas particulares do conglomerado do petróleo e não os nacionais e da maioria dos cidadãos brasileiros.

Reportagem da Folha de S.Paulo, hoje, mostra que três deputados oposiconistas, José Carlos Aleluia (DEM-BA), Eduardo Gomes (PSDB-TO) e Eduardo Sciarra (DEM-PR) apresentaram emenda aos projetos sobre o pré-sal com teor idêntico contra exclusividade da Petrobras nas operações.

O jornal descobriu que as emendas representam a posição do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), que congrega e defende os interesses das empresas do setor. O Instituto confirma à Folha de S.Paulo ter conversado com os partidos sobre o que defende nessa área, e os deputados, que receberam sugestões para fazerem suas propostas - que terminaram com um único teor.

Está certo o governo, nos termos e linha que imprimiu à política do pré-sal: foi para isso que mudamos o regime do pré-sal e criamos o Fundo para financiar uma nova política industrial e tecnológica no país, adensar a cadeia produtiva brasileira e para que os recursos do petróleo da camada contemplem, de fato, os interesses brasileiros e da maioria da população.

O Brasil de Lula vai à cúpula do G20, nos EUA, como o último país a entrar na crise e o primeiro a sair.


(Fiquei tanto tempo sem postar uma notícia que agora tenho que selecionar as melhores, e são tantas notícias boas que fica difícil escolher...)

Confiança em Alta

O país pode crescer ainda este ano algo acima de 1%, valor muito superior às previsões de crescimento do G20 e principalmente dos EUA que ainda está em recessão.
O Governo do Presidente Lula cobra mudanças nas cadeiras e cotas de poder no FMI e Banco Mundial por ter se tornado um credor do fundo.
Além da estabilidade econômica, o Brasil vem se firmando como interlocutor privilegiado dos Brics.
FHC, Aécio, Serra e toda a tucanalha deve estar se mordendo. Com FHC, o Brasil quebrou três vezes e ficou de joelhos diante do FMI.
Hoje, o Brasil de Lula é credor do Fundo Monetário Internacional

Só vibra o pulso de quem sonha – ou o porquê de eu acreditar no Lula


http://quemtemmedod olula.wordpress. com/2009/ 09/20/so- vibra-o-pulso- de-quem-sonha- ou-o-porque- de-eu-acreditar- no-lula/
Publicado em 20/09/2009 por Ana Helena Tavares

Lulaaaa
Por Ana Helena Tavares
Cor, brilho, voz, vibração, palavra. Certa vez ouvi uma senhora de 92 anos, esbanjando vitalidade, dizer que a palavra sempre foi sua maior arma. Foi com ela que sempre lutou e – mesmo nas derrotas – venceu.
Contou que já é professora de português há 75 anos e que, depois de tanto tempo, já viu passar pelas mãos dela pessoas de todos os credos – de todas as cores. Rindo, disse que já havia sido alfabetizada quatro vezes por quatro reformas ortográficas. Pelo entusiasmo demonstrado, certamente ainda passaria por mais quatro.
Seu brilho arrebatador no olhar e seu pulso vibrante acusam: ela nunca deixou de sonhar. Sim, ela tem um sonho. Faço idéia do sorriso que Luther King abriria ao saber qual. Ela sonha com um mundo em que as pessoas não nasçam para viver – mas para conviver. Seus 92 anos lhe ensinaram que essa é a maior das artes.
Tomando por base esse sonho tão grande, que é meu, dela e de tantos, fiquei pensando o que, mesmo os críticos mais ferrenhos, teriam a dizer quanto à figura de Lula no que diz respeito à habilidade para essa arte chamada convivência. Olhos castanhos, azuis, verdes ou negros, para ele todos foram sempre dignos do mesmo respeito.
Não há adegas neste país com vinhos que possam dizer que nunca se misturaram a azeite. Mais: misturas fazem parte do jogo político e, se não foram poucas as realizações do governo Lula em projetos sociais, há que se assumir que isso se deve em grande parcela ao talento do nosso presidente para agregar para suas trincheiras conhecidos adversários. O grande segredo está em não permitir que este jogo político que, queiram os “puristas” ou não, precisa ser jogado, contamine a chama da defesa da justiça social, da luta pelas liberdades democráticas e dos Direitos Humanos, de modo a apagá-la.
Foi mantendo acesa essa chama que, depois de realizar tantos sonhos, muitas vezes, tidos como quase irrealizáveis, ele se fez respeitar. Foi assim que seu olhar de retirante chegou a 2009 vendo o olhar negro do chefe da Casa Branca apontar para ele e dizer: “Esse é o cara!”.
Não me digam que é por mero acaso que “o cara”, mesmo bombardeado por uma grande imprensa de interesses pequenos, desfila sua credibilidade, de cabeça erguida e pulso sempre vibrante, desde os mais nobres salões internacionais aos mais pobres grotões deste país.
Ana Helena Tavares

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Conversa de Botequim

O panorama politico permanece morno, mas um morno esquentando, não um morno esfriando, se é que me entendem. As pesquisas eleitorais produziram um pouco de eletricidade, mas só um pouco. Foi o suficiente, contudo, para gerar um pequeno curto-circuito nos debates internáuticos. Eu contribuí um pouquinho, com meu artigo "Dilma seduz os chiques", analisando os números do Sensus. As hostes dilmistas, entre as quais eu me incluo, ficaram nervosas e muito desconfiadas com as recentes pesquisas do Datafolha, classificado peremptoriamente como "datafraude" , e do Sensus, sem apelido pejorativo, por enquanto. Bem, eu não fiquei nervoso, nem desconfiado. Não sou nenhum crédulo em pesquisas, mas não quero acusar sem provas. Naturalmente, existem diversas maneiras de alterar uma pesquisa sem fraudá-la descaradamente. Basta privilegiar uma região em detrimento de outra, por exemplo, e pronto.

Dilma Rousseff era, no ano passado, uma solene desconhecida, com menos de 3% das intenções de voto e agora já se constitui na principal adversária dos planos do PSDB para retornar ao poder. Todos a conhecemos melhor agora. Eu a conheço melhor agora, e posso afirmar que se trata de uma pessoa extraordinária, dotada de uma inteligência política ímpar. Se compararmos com Serra, que mal consegue alinhavar duas ou três frases sem confundir-se ou repetir um clichê, é realmente um luxo possuir uma candidata do calibre intelectual de uma Dilma Rousseff.

Às vezes eu leio as opiniões de analistas de marketing político e fico estupefato de ouvir tanta abrobrinha. Por exempo, a questão da transferência de votos, o maior terror da direita, representada hoje pelo PSDB. Que Lula tem grande popularidade e que, se pudesse disputar um terceiro mandato, ganharia com facilidade, todos parecem concordar. Tanto que fizeram um enorme terrorismo com isso. Tenho certeza que, se o PSDB ocupasse a presidência com um líder carismático como Lula (o que seria quase impossível, enfim, mas pense apenas hipoteticamente) , eles conseguiriam aprovar, com entusiasmo midiático, um terceiro mandato.

Por outro lado, não preciso ser um analista de marketing político, para saber que é evidente que haverá uma maciça transferência de votos de Lula para Dilma. A partir do momento em que a legislação eleitoral, conforme manda a Constituição, liberar Lula para apoiar a sua candidata, e que o presidente ocupar todos os canais de televisão durante o horário eleitoral, conforme também permite a Constituição, explicando ao eleitor que Dilma Rousseff é a sua candidata e que José Serra é seu adversário. Enfim, quando Lula não apenas pedir ao povo, com todo o talento oratório que Deus lhe deu, que vote em Dilma Rousseff, mas também que NÃO vote em José Serra ou outro candidato do PSDB, como será possível que não haja transferência de votos? Diga-me, como é possível?

Há uma grande confusão. Pode não haver transferência de votos nas eleições municipais, ou estaduais, por razões óbvias, mas na eleição majoritária, presidencial, parece-me uma simples questão de bom senso primário saber que haverá, sim, uma maciça transferência de votos de Lula para Dilma Rousseff. A menos que se articule uma monstruosa operação de engana-eleitor (o que é impossível, devido ao horário eleitoral obrigatório), para confundir a população, como alguns políticos do DEM fizeram no Nordeste, afirmando aos eleitores, mentirosamente, que eram apoiados por Lula.

Só isso já garante a vitória de Dilma Rousseff. Parece-me elementar. Aliás, conforme as eleições forem se aproximando e o assunto entrar nos lares e botequins de todo país, haverá maior esclarecimento da população.

No entanto, continuo achando ingênuo, temerário e incoerente que as mesmas pessoas que passaram os últimos anos brandindo as pesquisas do Sensus, Datafolha, Ibope, Vox Populi, que mostravam a impressionante popularidade de Lula, agora venham, bruscamente, desmerecer esses institutos porque não mostram Dilma numa trajetória de crescimento tão dinâmica e avassaladora como gostariam. Não se trata de "acreditar" nas pesquisas. Os números são dos institutos, não nossos, e são apenas pesquisas.

O que não faz sentido é a fé no voto de manada. Isso é que me parece irracional. É desrespeitar muito a inteligência do eleitor achar que ele votará em Serra porque viu na pesquisa que Serra está com 42% e Dilma com 24%. Qual a lógica disso? Há voto útil, isso sim. O anti-lulista radical, cujo único desejo é derrotar o PT, mas que não gosta do PSDB, votará no Serra se achar que é ele quem pode fazer isso. Mas nenhum eleitor de Lula, nem o mais ignorante do grotão mais recôndito do Amazonas, irá votar em Serra em 2010, desde que tenha tido a sorte de assistir na TV, ou ouvir no rádio, um único programa eleitoral em que o próprio Lula peça a ele que vote em sua candidata, Dilma Rousseff.

Quanto à Marina Silva, creio que ela pode tirar sim votos da Dilma, mas também tira votos do Serra, talvez na mesma proporção, e esses votos voltarão no segundo turno. De qualquer forma, agora entendi melhor a posição de Marina, e, depois de uma irritação inicial (ainda mais depois que descobri que ela é contra o aborto, contra células tronco, criacionista, etc), passei a respeitá-la. Assisti a uma entrevista sua muito esclarecedora, e constatei que ela possui uma astúcia política bem superior a que seus detratores imaginam e está conseguindo escapulir sutilmente das garras de um e de outro lado. Quiçá Marina Silva consiga uma proeza maravilhosa: tirar o ambientalismo da bocarra interesseira, e falsária, da direita, e conduzi-lo para onde ele nunca deveria ter saído, para o lado dos trabalhadores, que não são donos de indústrias poluidoras, nem de latifúndios desmatadores, e são sempre as maiores vítimas da poluição e da destruição do meio ambiente.

(http://oleododiabo. blogspot. com/2009/ 09/conversa- de-botequim. html)
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

No Brasil os pobres pagam mais imposto que os ricos

À revista Caros Amigos (agosto), o economista Márcio Pochmann, presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) afirma que “os ricos vivem aqui muito melhor que a classe média e os ricos nos Estados Unidos e na Europa porque AQUI OS RICOS NÃO PAGAM IMPOSTOS. E lá não existe como aqui essa massa de serviçais”.

Segundo ele, “os filhos da classe média que vão estudar na universidade privada com bolsa pública ninguém chama de política compensatória, assistencial (...) agora, há um preconceito muito grande quando se transfere recursos para os pobres no Brasil. Para os ricos não há preconceito nenhum”.

Ele diz mais: “Em muitos países, os ricos pagam impostos. Aqui, os ricos não pagam impostos, seja porque não tem imposto, seja porque praticam o planejamento tributário que permite transferir o pagamento dos impostos para as pessoas. Você vai a uma consulta médica ou odontológica e ela custa um valor xis, mas se você quiser o recibo, o valor da consulta é xis mais Y, ou seja, quem paga impostos é o próprio usuário”.

Márcio Pochmann argumenta em cima de números. “Os 10% mais pobres do Brasil, ou seja, 20 milhões de brasileiros que vivem com renda mensal per capita de R$ 70 (reais) essa gente transfere R$ 35 (reais) dos R$ 70 em impostos para o governo, porque os impostos indiretos são os que mais oneram essa população. Os 10% mais ricos não comprometem 20% do que ganham com pagamento de impostos, embora usem mais que isso do Estado. Por exemplo, na declaração do IR é possível descontar gastos com saúde, educação, assistência privada”.

Isso tudo é muito estranho.

Fiquei matutando sobre isso. Em junho, o IPEA divulgou o “Comunicado da Presidência” nº 22. O título é “Receita pública: quem paga e como se gasta no Brasil”. O estudo mostra que os pobres trabalham o dobro dos ricos para pagar impostos.
Os mais pobres têm que trabalhar quase duas vezes mais que os ricos pela arrecadação tributária atual. Ou seja, a carga tributária não onera de forma equânime todos os brasileiros.

Se o cidadão brasileiro destinou, em média, 132 dias para o pagamento de tributos em 2008, há enormes desigualdades que devem ser mais bem estudadas e combatidas. Dos cidadãos mais pobres terminou sendo exigido um esforço equivalente a 197 dias, enquanto que os cidadãos mais ricos aportariam 106 dias – três meses a menos.

Aí eu fiquei aqui pensando com meus botões como tem gente sacana na imprensa brasileira que faz campanha para que os ricos não paguem impostos, que criticam o Bolsa Família, que combatem as cotas raciais na universidade e gente que, como o ricaço dono da TV Bahia, deputado ACM Neto, anuncia na maior cara de pau que é contra a proposta da nova CPMF.

Tudo acaba em Marx. É a luta de classes.

http://bahiadefato.blogspot.com/
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