LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Transalvador barra Kombi que levava água para Gritos dos Excluídos


 

Transalvador barra Kombi que levava água para Gritos dos Excluídos

Um incidente por pouco não causa o maior tumulto para a saída do Grito dos Excluídos, ontem. Uma Kombi de apoio a 22ª edição do ato em Salvador, que transportava água para crianças e idosos, teve o acesso ao Campo Grande negado pela Transalvador. O veículo, que pertence às Pastorais Sociais da Arquidiocese de Salvador e tinha autorização para desfilar, estava na Avenida Leovigildo Filgueiras, ao lado do Teatro Castro Alves, e só foi liberado depois da intervenção do deputado Marcelino Galo (PT), que chegou a ligar para o superintendente da Transalvador, Fabrizzio Muller, para comunicar o que considerou ação arbitrária do órgão.  "Há mais de 20 anos que o ato ocorre em Salvador e sempre há o carro de apoio ao movimento, que transporta água para crianças e idosos, de modo que o bloqueio foi uma ação desnecessária, arbitrária, e que, justifica, por outro lado, a luta de quem participou do ato no Campo Grande contra essa exclusão e marginalização de movimentos sociais", afirmou Galo, que esteve acompanhado do padre José Carlos Silva, coordenador das Pastorais Sociais da Arquidiocese de Salvador. "É a prova cabal de que os pobres ficam cada vez mais excluídos", endossou Silva. 

 

Foto divulgação / Daniel Ferreira

Assessoria de Imprensa

 



terça-feira, 6 de setembro de 2016

É um governo usurpador e sem legitimidade popular, diz Marcelino Galo sobre Temer



É um governo usurpador e sem legitimidade popular, diz Galo sobre Temer

Para Galo, população tem que tomar as ruas por novas eleições presidenciais.

Os protestos que tomam conta do Brasil e ocorrem em outras partes do mundo revelam que "o governo golpista de Michel Temer" não tem legitimidade, nem apoio popular. A afirmação é do presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa da Bahia, deputado estadual Marcelino Galo (PT).  Para o parlamentar, Temer é uma figura "inexpressiva" e o encontro do G20, na China, deixou isso evidente ao mundo.
"Até o Papa Francisco está preocupado com o futuro do Brasil, e cancelou, coincidentemente logo após o golpe, a visita que faria ao nosso país em 2017. É um governo sem nenhuma legitimidade também no plano internacional, a foto oficial do G20 é simbólica nesse sentido, o que deixa o Brasil numa situação pouco confortável".  As medidas no plano econômico e as reformas propostas para previdência e flexibilização da legislação trabalhista, inclusive com terceirização irrestrita, também foram criticadas por Galo. "São medidas que apontam para retrocessos inimagináveis para o povo brasileiro", ressaltou. "Se perguntam muito para onde vamos, e eu digo que esse governo usurpador leva o Brasil para o obscurantismo, para o abismo do atraso, com corte de direitos e conquistas sociais", enfatizou Galo para quem "o povo deve tomar as ruas por novas eleições presidenciais".


Assessoria de Imprensa


Livre de vírus. www.avast.com.

terça-feira, 30 de agosto de 2016

A aula de democracia da presidenta-professora Dilma Rousseff

A aula de democracia da presidenta-professora Dilma Rousseff

final
Apesar das negativas dos golpistas de que estão fazendo o que todos veem, a quantidade de pessoas, instituições e até de nações que enxergam que está ocorrendo um golpe de Estado no Brasil desqualifica as tentativas vis, imorais, inaceitáveis de tratar esses questionamentos com desdém.

As multidões que tomaram as ruas e a internet para protestar contra a derrubada da presidente chegam a dezenas de milhares, as figuras públicas que manifestaram repúdio ao processo farsesco mal chamado de “impeachment” são prêmios Nobel, intelectuais, artistas, chefes de governo, líderes religiosos e tantos e tão importantes cidadãos “comuns”, os órgãos de imprensa que opinam que esse processo é viciado são veículos como o francês Le Monde, o inglês The Guardian, o norte-americano The New York Times, o alemão Deutche Welle…
Não dá, portanto, para tratar a oposição ao impeachment como os golpistas e fascistas tratam, como se fosse uma invenção maluca de um pequeno contingente de ignorantes.
Dito isso, vale atentar para as palavras iniciais de Dilma em seu julgamento no Senado.  Ela disse que entre seus defeitos não está a deslealdade e a covardia. Que não trai os compromissos que assume, os princípios que defende ou os que lutam ao seu lado. E que na luta contra a ditadura recebeu no seu corpo as marcas da tortura, que amargou por anos o sofrimento da prisão e que viu companheiros e companheiras sendo violentados, e até assassinados.
Dilma lembrou que à época da ditadura era muito jovem e que tinha muito a esperar da vida. Por isso, tinha medo da morte, das sequelas da tortura no seu corpo e na sua alma, mas não cedeu. Resistiu. Resistiu à tempestade de terror que começava a engoli-la, na escuridão dos tempos amargos em que o país vivia. Dilma lembra que não mudou de lado apesar de receber o peso da injustiça nos seus ombros, e que continuou lutando pela democracia.
Diante de tanta injustiça, a presidente desabafou:
“Não esperem de mim o silêncio dos covardes. No passado, com as armas, e hoje com a retórica jurídica, pretendem acabar com o estado de direito (…). Não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder, luto pela democracia, pela verdade e a justiça”.
Apesar de um discurso tão forte e edificante, Dilma não lida com pessoas que se deixarão convencer pela verdade e pela justiça; seus julgadores, em maioria, são movidos pela ambição, por interesses menores e se valem do logro, do cinismo, da fraude, da farsa para alcançar seus objetivos inconfessáveis, de forma que se fingem de tolos para encenarem esse espetáculo farsesco.
Foi o caso da senadora pelo partido da ditadura militar Ana Amélia, do PP (Arena) do Rio Grande do Sul, que ousou esgrimir com o argumento torpe de que simplesmente por Dilma estar se submetendo ao julgamento do Senado ela estaria convalidando o processo contra si.
Dilma teve que explicar mais de uma vez que a atual composição do Senado Federal só deixará de ser respeitável se consumar o golpe contra si e, como a Casa ainda não o fez, continua merecendo seu respeito e o de todos, pois ainda tem chance de não cometer o crime de lesa-pátria que será cassar o seu mandato.
A situação será outra, segundo Dilma, se o Senado aprovar o golpe.
Desde o seu discurso inicial, passando pelas respostas a cada senador que a inqueriu, Dilma foi didática. Ela teve que desenhar para uma senadora de um partido golpista pela própria natureza como é que pessoas como essa atacam a democracia.
Dilma deu uma aula de democracia àquela horda de bárbaros que não tem noção do que faz – ou têm noção, mas pouco se importa com o futuro do país contanto que receba cargos e proventos oriundos da derrubada de um governo legítimo e amparado por 54 milhões de votos.

sábado, 27 de agosto de 2016

O cancelamento da delação da OAS e a inacreditável cara de pau de Gilmar Mendes e Rodrigo Janot



O cancelamento da delação da OAS e a inacreditável cara de pau de Gilmar Mendes e Rodrigo Janot

Mendes e Janot
Mendes e Janot
(Gilmar Mendes e Rodrigo Janot. Fotos: José Cruz e Antonio Cruz/Agência Brasil)
Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho
No genial Avatar, de James Cameron, quando a cientista Grace (Sigourney Weaver) descobre que Jake (Sam Worthington) foi enviado para trabalhar com ela sem possuir qualquer experiência em laboratório, reclama: “Você vê? Você vê? Eles mijam em nós sem nem ao menos terem a cortesia de dizer que é chuva”.
A frase aplica-se perfeitamente à cara de pau de Rodrigo Janot e Gilmar Mendes no caso do rompimento das negociações de delação premiada com Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, anunciado pelo Procurador Geral da República.
Depois de anos (sim, anos, porque começaram ainda em 2014) de vazamentos jorrando pelo encanamento furadíssimo da Lava Jato sem maiores consequências fora a abertura de inquéritos para investigação que resultaram em nada, Janot e Mendes resolvem ficar indignados com o último deles.
Justamente o vazamento da delação da OAS, sobre a qual a Folha já informou, em um daqueles exercícios de jornalismo futurístico, que inocentaria Lula e envolveria Serra e Aécio (aquiaqui e aqui).
Gilmar Mendes aparenta estar realmente contrariado com o vazamento que proporcionou o ataque da Veja ao seu aliado Dias Toffolli. Leiam esse trecho de matéria daFolha:
"Não quero fazer imputação, mas os dados indicam que a investigação [do vazamento] deve começar pelos próprios investigadores. Estão com mais liberdade do que o normal. (...) Eu diria que o vazamento não é de interesse dos delatores. Acho que é dos investigadores, como tem se repetido em outros casos", afirmou Mendes.
De acordo com o ministro, há sinais de retaliação de procuradores a decisões de ministros do STF —Toffoli é autor, por exemplo, da decisão que tirou da cadeia o ex-ministro Paulo Bernardo, alvo da Operação Custo Brasil, o que contrariou integrantes da Lava Jato.
"Essas autoridades que estão investidas desse poder investigatório, que podem fazer qualquer coisa, e isso é inaceitável. Eles vão querer agora imputar [o vazamento] aos delatores, que ficam prejudicados? As probabilidades não indicam isso", afirmou Mendes.
Perfeitas as colocações de Gilmar.
Uma pena que o julgador mais imparcial do Brasil tenha guardado um sepulcral silêncio quando os vazamentos atingiam os seus adversários políticos. Um deles foi parar na capa da Veja às vésperas das eleições, quase alterando o resultado do pleito, mas Mendes achou normal.
Foi assim com todos os outros vazamentos que atingiram petistas.
Para não sermos injustos, o ministro tucano já havia reclamado dos vazamentos sim:quando envolveram integrantes do PMDB. Risos.
Janot também não pensou em suspender as negociações de delação premiada em no mínimo outros 13 casos de vazamentos na Lava Jato, conforme levantamento de Patricia Faerman, no GGN.
Justo quando a coisa sai do script, com Léo Pinheiro inocentando Lula e envolvendo os caciques inimputáveis do PSDB, o PGR resolve anular a delação?
A cara de pau e a parcialidade de Rodrigo Janot e Gilmar Mendes estão tão escancarados que a hipótese de que toda essa sequência de fatos (vazamento da Lava Jato para a Veja - capa contra Toffoli sem indicação de qualquer crime - indignação de Gilmar - anulação da delação da OAS por Janot) se trata de um grande teatro, para justamente anular a delação que poderia complicar a narrativa do golpe, não pode ser descartada.
Em especial se não houver investigação séria sobre a autoria dos vazamentos, como bem aponta o Fernando Brito aqui.
Eles mijam em nós e não têm nem a cortesia de dizer que é chuva.
Fonte: O Cafezinho

‘O cemitério está cheio desses heróis’, diz Gilmar Mendes sobre procuradores da Lava Jato


‘O cemitério está cheio desses heróis’, diz Gilmar Mendes sobre procuradores da Lava Jato
Ministro do Supremo Tribunal Federal reage a vazamento de informações sobre delação de empreiteiro que atinge seu colega da Corte, Dias Toffoli, e alerta que 'quando há concentração de poderes cometem-se abusos'

Gilmar Mendes. Foto: André Dusek/EstadãoGilmar Mendes. Foto: André Dusek/Estadão
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta terça-feira, 23, que ‘é preciso colocar freios’ na atuação dos procuradores da República. Ele não citou nomes, mas se referiu diretamente a procuradores da Operação Lava Jato.
A fala do ministro é a mais contundente manifestação já disparada por um membro da Corte máxima contra os procuradores.
Gilmar Mendes se revela indignado com o que classifica de vazamento de informações sobre a delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS.
O executivo, segundo a revista Veja, revelou detalhes de uma obra na residência do ministro do STF Dias Toffoli, ex-advogado do PT e amigo de Gilmar Mendes. A obra teria sido realizada pela OAS, alvo da Lava Jato por cartel e corrupção na Petrobrás.
Para Gilmar, o vazamento seria um ‘acerto de contas’ de procuradores porque Toffoli os teria contrariado ao mandar soltar o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento) e ‘fatiado’ a investigação sobre a senadora Gleisi Hoffman (PT/PR) na Lava Jato.
“O fatiamento por ele (Toffoli) decretado e esse habeas corpus no caso do Paulo Bernardo (ex-ministro preso em julho na Operação Custo Brasil, mas solto por ordem de Toffoli), isso animou os procuradores a colocar artigo no jornal e coisas do tipo”, diz Gilmar.
“Como eles (procuradores) estão com o sentimento de onipotentes decidiram fazer um acerto de contas.”
“Decidiram vazar a delação (de Léo Pinheiro, da OAS), mas tem que se colocar um limite nisso.”
“Quando você tem uma concentração de poderes você tende a isso, a que um dado segmento, que detém esse poder, cometa abusos”, afirma o ministro do Supremo.
“Não há nenhuma censura imputável ao ministro Toffoli, mas tudo indica que ele está na mira dos investigadores. Em razão, provavelmente, de decisões que (Toffoli) tem tomado e os têm desagradado.”
“Se é isso, temos que prestar muita atenção. Há o risco de se tornar algo policialesco”, declarou Gilmar.
“No contexto de incensamento da Lava Jato e seus operadores já há coisas muito, vamos dizer assim, exageradas”, avalia o ministro.
“Por exemplo, isso (a Lava Jato) os animou a apresentar essas propostas de combate à corrupção (projeto 10 Medidas, em curso no Congresso). Ninguém é a favor da corrupção. Mas, vejamos, a proposta de que prova ilícita, obtida de boa fé, deve ser validada, a priori, tem que ser muito criticada e se negar trânsito. Imagine, agora, um sujeito que é torturado, ah, mas foi de boa fé.”
Gilmar Mendes citou o caso do delegado Protógenes Queiroz, da Operação Satiagraha – deflagrada em 2008 -, que foi expulso da Polícia Federal por violação de sigilo funcional.
“Isso lembra o nosso delegado herói, que fazia interceptação telefônica sob o argumento de que agia com bons propósitos. Ora, espera aí. A autoridade se distingue do criminoso porque não comete crime, senão é criminoso também! Aí vira o Estado de Direito da barbárie.”
“Estado de Direito tem que ser Estado de Direito. Não se combate crime com a prática de crime. É preciso moderação, que os procuradores calcem as sandálias da humildade.”
“Eu vi outro dia na TV uma procuradora da República falando que o Congresso tem que aprovar o projeto (10 Medidas) porque teve o apoio popular (mais de dois milhões de assinaturas). Ora, de onde tiraram essa autoridade, essa legitimidade? Como assim, o Congresso tem que aprovar o pacote todo!. Depois será um desastre em termos de aplicações.”
O ministro disse que ‘o recado está dado’.
“Isso não vai prosseguir assim, a gente tem instrumentos para se colocar freios. É preciso colocar freios nisso, nesse tipo de conduta. No caso específico do ministro Toffoli, provavelmente entrou na mira dos investigadores por uma ou outra decisão que os desagradou.”
“Isso já ocorreu antes no Brasil. O cemitério está cheio desses heróis.
Mesmo no elenco dos procuradores. Ninguém pode esquecer de Guilherme Schelb, Luiz Francisco e tantos mais (procuradores da República que foram acusados de abusos). Estamos preocupados, mas está dado o recado.”
“Se houver exagero alguém tem que puxar. O tribunal (STF) tem mecanismos para fazer valer a lei. ”
Gilmar Mendes considera que ‘há uma falta de coordenação’.
“Vejamos a própria estrutura da Procuradoria. Ela não dispõe de uma estrutura de coordenação. Isso leva às vezes a esses exageros.”
“Por outro lado, estão muito avançados nas investigações. Eles dispõem de informações e têm a mídia como numa situação de dependência. A mídia está hoje em relação aos investigadores como um viciado em droga em relação ao fornecimento da substância entorpecente.”
“Isso precisa ser colocado nos seus devidos termos. Vazamento tem em todo lugar. No caso do ministro Toffoli, a responsabilidade é clara da Procuradoria como um todo.”
“A concentração de poderes é um risco. Depois não querem a Lei do Abuso de Autoridade. É muito curioso.”
Fonte: O Estadão

VEJA ENTREGA AÉCIO: 3% DE PROPINA PAGA PELA OAS



VEJA ENTREGA AÉCIO: 3% DE PROPINA PAGA PELA OAS

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Multinacionais querem privatizar uso da água e Temer negocia

em: 

O governo do presidente de facto, Michel Temer, advertido para o efeito extremamente negativo da medida, caso venha a ser adotada, resolveu adiar a primeira reunião para tratar da privatização da água no Brasil

Por Redação – de Brasília
A sanha privatista do governo instalado após o golpe de Estado, em curso, atinge um dos segmentos mais estratégicos para o crescimento do país, segundo revelou um alto funcionário da Agência Nacional de Águas (ANA), em condição de anonimato, à reportagem do Correio do Brasil, na manhã desta segunda-feira. O Aquífero Guanani, reserva de água doce com mais de 1,2 milhão de km², deverá constar na lista de bens públicos privatizáveis, à exemplo das reservas de petróleo no pré-sal e da estatal federal de energia, Eletrobras.
Presidente da Nestlé, o austríaco Peter Brabeck-Letmathe é um dos principais interessados na água do Aquifero Guarani
Presidente da Nestlé, o austríaco Peter Brabeck-Letmathe é um dos principais interessados na água do Aquifero Guarani
O governo do presidente de facto, Michel Temer, advertido para o efeito extremamente negativo da medida, caso venha a ser adotada, resolveu adiar para o dia 12 de setembro a primeira reunião do conselho do Programa de Parceria e Investimentos (PPI), na qual serão definidas as primeiras concessões e privatizações do governo, acrescentou a fonte. As negociações com os principais conglomerados transnacionais do setor, entre elas a Nestlé e a Coca-Cola, seguem “a passos largos”.
— Representantes destas companhias têm realizado encontros reservados com autoridades do atual governo, no sentido de formular procedimentos necessários à exploração pelas empresas privadas de mananciais, principalmente no Aquífero Guarani, em contratos de concessão para mais de 100 anos — acrescentou.
A primeira conversa pública acerca deste e de outros setores que tendem a seguir para a iniciativa privada estava prevista para esta semana, no dia 25, mesmo dia em que será aberto o processo de votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Esta coincidência foi fatal para o adiamento da reunião. Se confirmada a cassação do mandato de Dilma, o seu substituto deverá viajar à China no início de setembro para a reunião do G-20. A reunião do PPI, que será presidida pelo próprio Temer, ocorreria então após seu retorno.
O anúncio deve conter uma lista de concessões mais “imediatas”, como as concessões dos aeroportos de Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Salvador (BA) e Fortaleza (CE) e dos terminais de passageiros dos portos de Fortaleza e Recife (PE). Além disso, deve haver uma outra relação de projetos a serem concedidos ou privatizados no médio prazo, com leilões que podem ocorrer em até um ano, como das distribuidoras de energia da Eletrobras e dos mananciais de água doce.

Fator estratégico

A relevância de um dos maiores mananciais mundial de água doce é tamanha que, há décadas, tem sido alvo da especulação quanto ao seu uso e exploração. O Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani, conhecido por Projeto Aquífero Guarani (SAG), da ANA, foi criado com o propósito de apoiar Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai na elaboração e implementação de um marco legal e técnico de gerenciamento e preservação do Aqüífero Guarani para as gerações presentes e futuras. Após a vitória dos conservadores na Argentina e os golpes de Estado por orientação da ultradireita, tanto no Paraguai quanto no Brasil, restou ao Uruguai votar contra a privatização do aquífero.
Reserva de água no Aquífero Guarani - clique para ampliar
Reserva de água no Aquífero Guarani – clique para ampliar
Esse projeto foi executado com recursos do Global Environment Facility (GEF), sendo o Banco Mundial a agência implementadora e a Organização dos Estados Americanos (OEA) a agência executora internacional. A GEF, no entanto, mantém laços muito próximos às grandes corporações.
Com área total de 1,2 milhões de km², dois terços da reserva estão em território brasileiro, no subsolo dos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “A importância estratégica do Aqüífero para o abastecer as gerações futuras desperta atenção de grupos de diferentes setores em todo o mundo”, afirma documento da Organização de Direitos Humanos Terra de Direitos.
“A sociedade civil organizada está atenta às possíveis estratégias de privatização de grupos econômicos transnacionais. Uma vez que, em 2003, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Banco Mundial, através do Fundo Mundial do Meio Ambiente (GEF), implementaram o projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável que visa reunir e desenvolver pesquisas sobre o Aqüífero Guarani, com objetivo de implementar um modelo institucional, legal e técnico comum para países do Mercosul”, acrescenta.

Água privatizada

O empresário austríaco Peter Brabeck-Letmathe, principal financiador de campanha dos partidos de extrema direita naquele país, preside o grupo Nestle desde 2005 e nunca escondeu seu objetivo de tornar o fornecimento da água passível de exploração ainda mais acentuada pelas companhias do setor alimentício. O comércio de água representa 8% do capital do conglomerado que, em 2015, totalizaram aproximadamente US$ 100 bilhões.
“A água que você precisa para a sobrevivência é um direito humano, e deve ser disponibilizada a todos, onde quer que estejam, mesmo que eles não possam se dar ao luxo de pagar por isso. No entanto, também acredito que a água tem um valor. As pessoas que usam a água canalizada para a sua casa para irrigar seu gramado, ou lavar o carro, devem arcar com o custo da infra-estrutura necessária para a sua apresentação”, disse Brabeck-Lemathe em recente artigo publicado na sua página, em uma rede social.
As fábricas que engarrafam, em muitos casos tomam a água da mesma rede destinada para uso público. Muitas vezes, como a Coca Cola, acrescentam um pacote de minerais e a chamam de “água mineral”. Com este procedimento, o preço da água de garrafa salta em mais de mil por cento, “engarrafando-a e tornando-se um dos negócios mais descarados do mundo capitalista”, revela a analista venezuelana Sylvia Ubal, em recente artigo publicado naquele país.
“Nestes tempos da globalização estamos assistindo uma concentração impressionante da indústria em torno de quatro a cinco multinacionais que estão criando um monopólio. Indústrias como Nestlé, Danone, Coca Cola, Pepsi Cola, possuem dezenas de marcas em torno de cada uma delas, que marcam o preço e a qualidade da água sem controle algum. Nos EUA mais de um terço da água engarrafada é simplesmente água de torneira tratada ou não; sendo um negócio monopolizado pela Nestlé e Danone, as líderes mundiais”, acrescentou.
Ubal afirma, ainda, que está cada vez está mais claro que a água doce é um recurso finito, “vulnerável à contaminação – que é excessiva por parte das empresas transnacionais”.
“Esta situação contribuiu para conceber a água como um bem mercantil e não como um direito fundamental, em prejuízo à satisfação das necessidades humanas básicas, das concepções ancestrais das comunidades étnicas, gerando assim maior desigualdade social e afetando, por sua vez, a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas. A expansão deste negócio exige das grandes corporações de bebidas e alimentação como a Coca Cola, Pepsi Cola, Danone, Nestlé…, a ter cada vez mais acesso aos recursos hídricos, impulsionando a privatização de água e aquíferos. E o setor da água engarrafada está crescendo muito rapidamente em todo o mundo, sendo o negócio mais lucrativo atualmente, mas também é um dos menos regulados, o que dá lugar a situações verdadeiramente escandalosas”, conclui.

Lula não é dono de triplex do Guarujá e agora PF investiga a Globo

Lula não é dono de triplex do Guarujá e agora PF investiga a Globo

Fonte: Correio do Brasil em 21 de Agosto de 2016

Mansão em Paraty, foi construída em terreno público federal, segundo laudo da Marinha.
As Organizações Globo, proprietárias de um grupo de emissoras de rádio, canais de TV, jornais e revistas, em todo o país, pressionavam as autoridades com uma exposição massiva e diária do caso.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava reunido com a direção nacional da Centra Única dos Trabalhadores (CUT), na noite de quinta-feira, com dirigentes sindicais de todo o país, quando soube que a Polícia Federal (PF), em relatório final sobre as investigações sobre um apartamento triplex, no Guarujá, cuja propriedade fora atribuída ao líder petista. Uma decisão do juiz Sergio Moro, titular da Vara Federal do Paraná, chegou quase a determinar o sequestro de Lula, impedido por ordem do Comando da Aeronáutica de ser levado em um avião da PF para Curitiba, no início deste ano.

As Organizações Globo, proprietária de um grupo de emissoras de rádio, canais de TV, jornais e revistas, em todo o país, pressionavam as autoridades com uma exposição massiva e diária do caso. A notícia de que Lula não tem qualquer ligação com o imóvel investigado, no entanto, foi levada ao rodapé das publicações e nenhuma nota nos noticiários televisivos. O apartamento, na realidade, pertence à publicitária Nelci Warken.

Warken foi indiciada após admitir ser dona do triplex, alvo de investigação da fase Triplo X, da Operação Lava Jato. O relatório concluído foi entregue pela PF à Justiça na última sexta-feira, mas divulgado pelo juiz Moro somente na noite de quinta-feira. Além de Warken, foram indiciados cinco funcionários da empresa Mossack Fonseca no Brasil: Maria Mercedes Riaño, Luis Fernando hernandez, Rodrigo Andrés Cuesta Hernandez, Ricardo Honório neto e Renata Pereira Britto, além do empresário Ademir Auada, intermediário de negócios para a empresa. Lula e seus parentes também não receberam, até agora, um pedido de desculpas, formal, por parte da Justiça e das Organizações Globo.
Mansão da Globo
No relatório de cinco páginas, a PF descreve a Mossack Fonseca como uma "organização criminosa de caráter transnacional, estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, voltada para a prática do crime de lavagem de dinheiro". A Mossack Fonseca tornou-se conhecida no Brasil após a divulgação da série jornalística Panama Papers, em abril deste ano, por um grupo de jornalistas independentes. A série baseou-se em um acervo de 11,5 milhões de documentos internos da Mossack, obtido pelo jornal alemão "Süddeutsche Zeitung" e compartilhado com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ).
"As diligências efetuadas revelaram que a atividade principal da Mossack guardava relação com a abertura de empresas offshore, de forma a ocultar seus verdadeiros sócios e responsáveis. Nesse sentido, todos os que trabalhavam na empresa tinham plena ciência de que atuavam em um mercado voltado à demanda do trânsito de valores e bens de origem suspeita e duvidosa. Por tal motivo, foram indiciados como incursos no art. 1, par. 2º, inciso II da Lei 9.613/98", diz outro trecho do relatório. A lei mencionada é a que trata de lavagem de dinheiro.
A investigação jornalística dos Panama Papers é citada em vários momentos nos relatórios produzidos pela Polícia Federal. Em alguns trechos, os peritos da Polícia utilizaram-se de reportagens para analisar documentos apreendidos na sede da Mossack Fonseca e na casa das pessoas que foram alvo da fase Triplo X. Entre os citados estão jogadores de futebol e políticos de vários países como Maurício Macri, da Argentina, e Michel Platini, o francês que pretendeu ser presidente da Fifa.
Um dos negócios da Mossack Fonseca, no Brasil, é uma propriedade de alto luxo em Parati, no Sul do Estado do Rio de Janeiro. A mansão, construída ilegalmente em área de preservação ambiental, naquele município, foi noticiada no canal de TV norte-americano Bloomberg, em 2012, como sendo da família Marinho, dona das Organizações Globo. Os filhos do fundador do conglomerado empresarial, Roberto Marinho, já falecido, negam a propriedade do imóvel, mas a PF ainda investiga o caso.
Lula e Dilma fora da Operação Lava Jato
Ainda no ano passado, o procurador-chefe da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, afirmou que não havia qualquer evidências de envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff no esquema de corrupção na Petrobras.
- Nós não investigamos pessoas, nós investigamos fatos. Quando existe uma evidência de que uma pessoa esteja vinculada à um fato criminoso, essa pessoa passa a ser investigada. O ex-presidente Lula não é nosso investigado
- disse o procurador, em uma entrevista à Rede TV!.
Segundo Dallagnol, a presidenta Dilma dirigiu do Conselho de Administração da Petrobras durante sete anos, de 2003 a 2010, mas não tem qualquer participação nos ilícitos ocorridos na companhia, segundo o procurador.
- Nós do Ministério Público Federal atuamos, especificamente, na investigação de atos de improbidade administrativa e atos criminais. Para imputarmos esses tipos de atos, teríamos que provar que essa pessoa atuou com um mínimo de consciência para que esses atos fossem praticados. Em relação à ela, nós não temos nenhuma evidência - concluiu.

Fonte: Correio de Corumbá

sábado, 20 de agosto de 2016

O JULGAMENTO DE DILMA, PARTE 6: A CONSTRUÇÃO DO CRIME

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Como funciona o consórcio midiático-judicial que está enterrando a democracia brasileira

Como funciona o consórcio midiático-judicial que está enterrando a democracia brasileira

globo-ditadura

Por Pedro Breier, correspondente policial do Cafezinho


O editorial de hoje do Globo (A simbologia de dois presidentes investigados), que trata da abertura de inquérito contra Dilma, Lula e outras pessoas por tentativa de obstrução da Justiça, é o exemplo perfeito de como funciona a articulação entre mídia, Judiciário e MPF para criar o clima propício ao golpe de Estado que será chancelado pelo Senado nos próximos dias.

Façamos uma pequena recapitulação dos fatos para demonstrar como se dá essa articulação, e como ela é essencial para que a direita alcance seus objetivos antidemocráticos.

Todos os vazamentos seletivos e ilegais da Lava Jato para a mídia detonar os inimigos políticos com manchetes garrafais durante a campanha de 2014 não foram suficientes para evitar a derrota de Aécio.

No momento em que foi confirmada a derrota do candidato orgânico da direita já começaram os preparativos para o golpe - nos comentários sobre o resultado, no dia do segundo turno, o programa da Veja em vídeo já falava em impeachment -.

A estratégia continuou a mesma, mas com objetivo diferente: os vazamentos seletivos e as manchetes enviesadas visavam não mais mudar os rumos da eleição, mas convocar o exército de manipulados às ruas para que o discurso de que "a voz do povo deve ser ouvida" pudesse ser usado pelos golpistas do parlamento.

Quando Dilma nomeou Lula para a chefia da Casa Civil os conspiradores sentiram que o ex-presidente poderia mudar o jogo em favor do governo e não tardaram a agir.

Moro divulgou, no mesmo dia da nomeação, áudios oriundos de grampo no celular de Lula.

A Globo pegou um desses áudios, no qual Lula conversava com Dilma sobre a assinatura do termo de posse, e deu a interpretação forçadíssima de que os dois estariam com pressa para que Lula pudesse fugir de uma eventual prisão ordenada por Moro. Com direito a caras e bocas dos apresentadores do Jornal Nacional interpretando os diálogos.

A convulsão social almejada e alcançada com a divulgação dos áudios deu o amparo necessário para que Gilmar Mendes concedesse liminar suspendendo a nomeação de Lula.

De lá para cá o golpe foi consolidado e só um milagre impede que ele seja consumado.

Mas a história do áudio continua rendendo frutos ao consórcio midiático-judicial.

Rodrigo Janot manteve o pedido de abertura de inquérito para investigar a suposta tentativa de obstrução das investigações da Lava Jato, mesmo após a anulação dos áudios por Teori Zavascki.

Aqui cabe um parêntese sobre a questão da obstrução em si. Jânio de Freitas foi cirúrgico na Folha, hoje:

Dilma e Lula não fizeram e não tentaram fazer obstrução à Justiça, nem sequer à Lava Jato. Obstruir, aplicada ao caso, seria obstar impedimentos, totais ou parciais, efêmeros ou definitivos, à efetivação de procedimentos judiciais. Mas ministros não desfrutam de imunidade. Por lei, bem entendido, que não faltam outros caminhos –estes, fora do alcance de Lula, Dilma e qualquer petista.

Se nomeado ministro, inquéritos e possíveis julgamentos de Lula não seriam evitados nem sustados em seu decorrer. Apenas subiriam de instância no Judiciário, passando a tramitar no Supremo Tribunal Federal. Não mais na mesa, nas gavetas e nas celas do juiz Sergio Moro em sua primeira instância.

Mesmo sendo absurda sob qualquer aspecto a hipótese de que Lula e Dilma atuaram para obstruir a Lava Jato, Teori Zavascki acatou o pedido de Janot na última terça-feira, convenientemente garantindo as manchetes do dia contra o PT, no momento em que se aproxima a hora final do julgamento de Dilma pelo Senado.

E então chegamos ao editorial de hoje do Globo.

Com a abertura do inquérito inicia-se a fase da coleta de provas, para que o julgador posteriormente pese-as e tome sua decisão.

Mas quando a coisa envolve Lula, Dilma ou o PT o editorialista dos Marinho sabe muito bem o que fazer: ignorar essa história de provas e declarar a culpa dos malditos petralhas inapelavelmente.

O subtítulo do editorial é essa pérola: "Dilma e Lula passam a ser suspeitos de tramoias contra a Justiça, em inquérito no STF, e patrocinam algo de que não se tem notícia na República".

Outro trecho: "Uma trama de alto escalão que perpassa os Três Poderes. Exemplo bem lapidado de como, nestes últimos anos, além de se assaltar empresas públicas como a Petrobras, manobrava-se sem limites para intervir no Judiciário, a fim de soltar empreiteiros companheiros detidos em Curitiba."

O julgamento no tribunal midiático já está concluído. Sem direito à apelação.

E o público, bombardeado por anos com a narrativa de que o PT "institucionalizou a corrupção" e de que Lula é um bandido, aceita sem questionamentos.

A sequência e o entrosamento são claros: Moro começa a jogada vazando os áudios para a Globo; a Globo recebe o passe, interpreta à sua maneira os áudios, encena-os em horário nobre, cria a convulsão social desejada e passa a bola para Gilmar Mendes; o tucano do STF dá sequência à tabelinha impedindo a posse de Lula; Janot pega a bola e insiste na abertura de inquérito; Teori não se opõe e a Globo finaliza a jogada decretando a culpa dos petistas em editorial.

Muitos dos que compram essa narrativa na verdade estão também alinhados ideologicamente à Globo e às castas burocráticas do Judiciário e do MPF.

Mas muitos realmente acreditam na narrativa midiática. E a participação destes, crentes de que estavam combatendo a corrupção ao ir para a rua protestar contra o governo, foi essencial para o sucesso do golpe.

Um dia eles hão de saber que os paladinos da moral da mídia, da Justiça e do MPF na verdade atuaram em conjunto para corromper o sistema de justiça e atingir seu objetivo político: colocar de joelhos uma das maiores democracias do mundo ocidental.


Recebido por e-mail

Livre de vírus. www.avast.com.