LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Naomar de Almeida Filho - “Universidade Nova é um projeto para reculturalizar a universidade”


ENTREVISTA - Educação

Diante de tantos pedidos da comunidade acadêmica, ele retornou da Harvard School of Public Health, em 2002, onde ministrava aulas e assumiu a reitoria da Universidade Federal da Bahia. Seu nome é Naomar de Almeida, baiano de Buerarema, cheio de ideias inovadoras, é um dos criadores da Universidade Nova, projeto que promete revolucionar todo o sistema de educação no Brasil.

Em entrevista ao nublog, o professor do Instituto de Saúde Coletiva, P.H.D. em Epidemiologia e um dos maiores pensadores da educação no Brasil, fala sobre o mercado da educação privada que se criou no país na era FHC, a expansão das universidades públicas na Bahia, os avanços que a UFBA alcançou nos últimos anos e o perfil dos profissionais que sairão da Universidade Nova.

“Universidade Nova é um projeto para reculturalizar a universidade”

nublog - O que é a Universidade Aberta do Brasil?
Naomar de Almeida – A Universidade Aberta do Brasil é um programa do Governo Federal que viabiliza o ensino a distância para a formação de licenciatura. As universidades se inscreveram e ganharam recursos para instalarem o sistema de ensino a distância. A UFBA ganhou, por exemplo, a licenciatura plena em Matemática, nós somos, portanto, credenciados para fornecer o ensino a distância em Matemática.

Nublog: E a Universidade Nova?
Naomar de Almeida – Definindo em uma única frase, a Universidade Nova é um projeto para reculturalizar a universidade, porque ela foi perdendo o estatuto de instituição da cultura e nenhuma outra instituição assumiu isso. Mais detalhadamente, é uma proposta que surgiu na UFBA e introduziu no Brasil o chamado “regime de ciclos”. O aluno entra na universidade para bacharelados gerais nas áreas: Saúde, Ciência e Tecnologia, Artes, e Humanidades. Depois, ele faz a escolha da formação profissional. Nesse programa há uma grande exposição à cultura, línguas, elementos que são formadores universitários. Por exemplo, o aluno que entra em Artes é obrigado a escolher dois cursos na área em Humanidades e dois em Ciências. O aluno que entra em Ciências é obrigado a fazer cursos em Artes e Humanidades, então há essa abertura de horizontes.

Esse é o mesmo sistema seguido pelos países desenvolvidos enquanto o Brasil ainda usa um sistema do século XIX. Aqui as pessoas entram direto na profissão, muito precoces, imaturos e a consequência disso é a evasão e a limitação do sucesso do estudante.

nublog – Quanto tempo o aluno ficaria nessa etapa introdutória?
Naomar de Almeida - O aluno ficaria um ano e dentro dessa formação geral ele faz sua escolha entre os cursos considerados básicos das profissões, mas ele ainda não seria aluno do curso profissional. Quem deseja cursar Direito, por exemplo, entra no bacharelado de Humanidades, faz o primeiro ano, onde estuda Língua Portuguesa e segue um eixo chamado de Estudos da Contemporaneidade. Ao mesmo tempo, ele tem que fazer dois cursos em Artes e dois cursos em Ciências. Ele pode escolher por Coral Universitário, Música Popular Brasileira, Nanotecnologia e Química das Águas.

A partir daí, ele começa a cursar no campo geral das Humanidades e depois pode pegar disciplinas como “O que é o direito?” e “Sociologia Jurídica”. Mas para ser selecionado na Faculdade de Direito ele precisa ter um bom desempenho na primeira etapa. Depois de três anos, ele ganha um diploma de bacharel em Humanidades. Em seguida, ele cursa Direito em dois anos e recebe o diploma na área.

“O grande problema do vestibular é que o estudante tem um dia só, apenas uma chance”

nublog- Com esse novo processo, o vestibular vai acabar?
Naomar de Almeida – Na verdade, já está acabando. Os alunos que entrarão na Universidade em 2010 já ingressarão através do novo Enem, que não funciona como o vestibular, pois o aluno pode se submeter em quantas instituições desejar usando sua melhor nota. Ele ganha um escore e usa isso para fazer a seleção. Uma vez no bacharelado, o que o fará ser aprovado é o seu desempenho no curso. O grande problema do vestibular é que o estudante tem um dia só, apenas uma chance. Se nesse dia ele não estiver bem, seu futuro é decretado ali, enquanto se ele estiver em um curso terá todos os dias para demonstrar seu desempenho.

nublog – Mas os estudantes de uma boa escola particular vão concorrer com os estudantes de uma escola pública. Como fica isso?
Naomar de Almeida – É desigual e por isso nós implantamos o regime de reserva de vagas. Praticamente metade das vagas da UFBA são destinadas a estudantes de escolas públicas. Desse modo, o aluno da escola pública tem a chance de, dentro da universidade, desenvolver seu potencial.

“Existe uma esquerda que aposta na ruptura, e outra que aposta na superação política”

nublog –Por que o sistema de cotas enfrenta tanta resistência - até de uma parte intelectual da esquerda?
Naomar de Almeida – Uma parte da esquerda acredita que qualquer mecanismo de inclusão social é um atraso para a revolução. É a lógica do quanto pior, mais perto da ruptura. Existe uma esquerda que aposta na ruptura, no conflito e há outra esquerda que aposta na superação política. Eu acho que nesse processo de ruptura o preço é a violência e o dano histórico disso é muito alto.

“Quem é pobre, paga. Quem tem dinheiro, entra na universidade pública”

nublog – Como um dos idealizadores da Universidade Nova, você acredita que esse projeto pode devolver ao Brasil a escola pública que existia anos atrás?
Naomar de Almeida – Eu acho que há certa mitificação desse passado glorioso da escola pública. Antigamente, a maior parte da população vivia na zona rural e sequer chegava a postular em qualquer tipo de escola.

A taxa de analfabetismo era altíssima e o Estado financiava a escola pública das classes média e alta, que eram muito pequenas. Então, não era difícil ter uma escola de altíssima qualidade, pois ela atendia a uma parcela muito pequena da população. Na década de 70, houve uma inversão; passamos a ter a maioria da população vivendo nas cidades.

Inegavelmente, houve um crescimento de renda e de inclusão dos cidadãos para uma série de necessidades sociais. Com a massificação, a classe média, que participava da gestão da escola porque seus filhos estavam estudando, se protegeu. Daí o fortalecimento da escola privada. Até o presidente Lula já comentou sobre isso em discurso, mesmo sendo a classe média o elemento que sustentava a qualidade das escolas públicas, não devemos atribuir a ela o fracasso dessas instituições.

nublog – E hoje, qual a situação da escola pública no país?
Naomar de Almeida – Atualmente a escola pública brasileira tem como maioria de estudantes filhos de famílias pobres e as pessoas estão muito ocupadas sobrevivendo no mundo, há certa retirada de responsabilidade nessa integração. A escola é abandonada porque não há esperança que seu aluno entre na universidade pública. Ou seja, os pobres, que não contam com boas condições de ensino na escola pública, acabam tendo que pagar por um curso universitário em instituições privadas; enquanto quem tem dinheiro e pagou o preparatório, entra na universidade pública. Isso significa que a universidade pública brasileira, especialmente a federal, ficou à disposição das classes média e alta.

“Os estudantes se tornarão mais reivindicadores da qualidade do ensino”

nublog – Como a Universidade Nova pode influenciar diretamente no ensino básico?
Naomar de Almeida – Já está acontecendo uma conjunção de transformações. O regime de reserva de vagas já cria esperança para os estudantes de escola pública e assim eles passam a pressionar por alguma qualidade no sistema de ensino. A segunda coisa é que o processo seletivo mudou, e o novo Enem possui uma base lógica distinta do tradicional vestibular. É caro fazer um adestramento para memorizar muita informação e passar num teste, portanto, poucos têm acesso a isso. Agora, para ter um sistema que, de alguma forma, fomente o talento e a inteligência que estão bem distribuídos na população, é necessário fazer isso de modo sistemático, e não concentrado.

No sistema privado de ensino os alunos passam da etapa fundamental para o ensino médio sem muito compromisso, até chegar ao terceiro ano, onde aplicam um intensivo, que adestra o estudante. Mas é um conhecimento que vai ser esquecido meses depois. Essa mudança que está acontecendo na universidade vai induzir que haja uma continuidade no processo no ensino médio. Ao levantar essa possibilidade, os estudantes se tornarão mais reivindicadores da qualidade do ensino, que atualmente é irrelevante na maioria das escolas.

nublog – Qual o papel da universidade na formação dos jovens?
Naomar de Almeida - Eu acredito que uma parte da responsabilidade da formação é assumida pela universidade. Por que latim, francês, dança e coral não estão disponíveis para todos os estudantes universitários, mas apenas para os que são da área? Esse sistema não faz o menor sentido. Com o novo modelo, os alunos têm a chance de buscar a cultura geral. Na Europa, existia o Liceu, uma grande escola média francesa, que proporcionava o acesso a uma cultura mundial. Por isso, o estudante já entrava na universidade nos cursos profissionais. Nos Estados Unidos, já é diferente, o ensino médio deles é esvaziado, não há grande profundidade, pois o estudante vai ter uma formação cultural já na universidade. No Brasil, havia o liceu para parte da população, os 5% da classe privilegiada. Quando massificou, aboliram o liceu e esse conceito, mas a universidade não incorporou esse conjunto de elementos da cultura.

“Nossa inspiração é a Europa”

nublog – Qual é o perfil do estudante que sai da universidade hoje?
Naomar de Almeida - Nós estamos formando técnicos no Brasil. Por exemplo, o jovem que entrava na faculdade, na época de Glauber Rocha, entrava na Faculdade de Direito e cursava disciplinas variadas, não só focadas na área jurídica, o que não acontece hoje. O aluno entra na faculdade de Direito e daqui a cinco anos ele sai sem saber o que é, de fato, a universidade, fica restrito.

O profissional também é caracterizado por uma corporatização precoce, ou seja, o estudante já sai da faculdade com seu registro profissional, com exceção do Direito. Mas eu não acredito que daqui a 10 anos a sociedade busque por esse tipo de profissional. É claro que as corporações continuarão batalhando por seu espaço, mas as empresas atualmente são muito mais liberais nesse sentido. Elas recrutam profissionais capazes de aprender, se modificar, até porque nem a melhor universidade do mundo é capaz de preparar alguém para que no dia de sua formatura, ele já saia exercendo qualquer função em qualquer lugar. Você observa, por exemplo, que na Petrobras há advogados, engenheiros e até médicos trabalhando em seu setor financeiro. Os executivos das grandes empresas não são, em grande parte, administradores. A universidade se abdicou da cultura e houve inclusive uma defasagem do ensino técnico.

nublog – Como será o profissional da Universidade Nova?
Naomar de Almeida - Se um aluno que obtém a vaga no curso de Engenharia Elétrica durante o bacharelado interdisciplinar teve um bom rendimento em Português, Francês, Coral Universitário, estudou Cinema, participou de oficinas de Poesia, Laboratório de Teatro, entre outros, e isso tudo lhe deu coeficiente mais alto para conseguir matricular-se nas matérias específicas da Engenharia, com certeza ele será um engenheiro muito diferente daquele que atualmente chega na escola e cursa Matemática, Introdução a Engenharia, Química e disciplinas muito específicas.

nublog – Como está a aceitação dos estudantes sobre esse novo formato?
Naomar de Almeida – Eles estão muito entusiasmados. Na sexta-feira após o feriado de Corpus Christi, por exemplo, houve aula normal e havia mais de 60 alunos participando, em uma turma de 100. E como o curso é noturno, o perfil é muito diversificado. Um terço da turma dos bacharelados é gente com uma faixa de idade mais alta, que já se realizou profissionalmente, mas voltou para a universidade buscando cultura.

nublog – Isso lembra um pouco a estrutura de ensino cubano. O projeto foi inspirado nesse sistema?
Naomar de Almeida - Na verdade, o que nós chamamos de BI (Bacharelado Interdisciplinar), os cubanos chamam de “Pregrado”. Cuba possui um modelo semelhante ao do México, que é influenciado pelo sistema dos Estados Unidos. Lá, ninguém entra diretamente no curso profissional. Quem quer fazer Jornalismo, por exemplo, entra no “College”, faz o bacharelado em Artes e Humanidades e depois faz o mestrado. O graduado em Comunicação é sempre mestre.

Mas nossa inspiração foi a Europa, que segue desde 1999 o chamado Sistema de Bologna, onde é implementado o bacharelado de três anos. A diferença entre o nosso projeto e o de lá é que os europeus mantiveram os liceus e a formação se dá fora da universidade. Resumindo, a nossa estrutura se parece com a americana, a formação geral é dada dentro da universidade, mas a duração é europeia.

“O nó da educação a distância é o processo de avaliação”

nublog – Como você vê essa proliferação de universidades privadas?
Naomar de Almeida – Isso é resultado de uma política que surgiu no governo FHC, de universalizar o ensino básico. Só que o governo tinha a ideologia do estado mínimo, ele fez isso, mas sem ampliar o ensino superior. Então, se desregulamentou para facilitar o investimento privado – regras do Banco Mundial. O que se criou foi um mercado aberto, desregulamentado, onde qualquer pessoa pode criar uma firma de educação, basta ter certas condições e autorizações. Foi a maneira que fizeram para ampliar de 1 milhão de vagas para 4 milhões de matrículas, sendo quase todas criadas no setor privado, apenas 600 mil eram oriundas do setor público. Havia 60% de matrículas na universidade pública e passaram a ser 75% de matrículas nas escolas privadas. E mesmo com essa abertura o nível das instituições não era sequer fiscalizado. Como mudança de política, o governo Lula assumiu a ampliação da universidade pública.

nublog - Como você avalia o papel da UFBA perante essa ampliação da universidade na Bahia ?
Naomar de Almeida – Antes só existia a UFBA, que ofertava 3.300 vagas. Hoje, nós já oferecemos 7 mil. E o nosso papel foi decisivo na criação da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia). Ela sai da UFBA, por uma iniciativa da própria UFBA. Nós tínhamos há três anos 120 vagas para o curso de agronomia e agora são 2 mil. Não se sente ainda o efeito dessa expansão na sociedade como um todo, mas no recôncavo você percebe que houve uma transformação. O interessante é que esse alunado existia, mas estava absorvido no setor privado. Uma grande parte desses estudantes estão saindo dessa rede de ensino pago e estão entrando na universidade pública.

nublog – Qual sua opinião sobre a educação a distância?
Naomar de Almeida – O nó da educação a distância é o processo de avaliação. Você pode disponibilizar conteúdos e dispositivos pedagógicos como a internet e a televisão, que potencializam o ensino. O que eu defendo é que todos os níveis de formação, inclusive os presenciais, devem utilizar o que há de mais avançado na tecnologia e isso foge um pouco do padrão.

O que nós estamos fazendo nesses cursos novos é uma intensificação de tecnologia de ensino, todos eles possuem plataforma digital. As bibliotecas possuem acesso online, existem ainda blogs e salas de chat e os professores fazem orientação pela internet. No Instituto de Saúde Coletiva, por exemplo, é oferecido o curso de Saúde do Trabalho para alunos do Acre, Amapá, Amazonas e do sul do Brasil.

“A corrupção no Brasil muitas vezes é acobertada pela ignorância”

nublog – A UFRB solta a cada ano 2 mil novos profissionais em uma região que abrange 13 cidades. Como isso pode influenciar no processo de conscientização política e de cidadania dessa população?
Naomar de Almeida – Eu sou convicto de que a educação é um instrumento emancipatório importante, mas não sozinha. É preciso construir toda uma cultura mais ética do que a que nós temos. Mas, sem dúvida, ela contribuiu, até porque eu acredito que a corrupção no Brasil muitas vezes é acobertada pela ignorância e em alguns casos até pelo desconhecimento da cidadania. Muitos cidadãos brasileiros não sabem que são cidadãos, que têm direitos.

nublog – Como é a relação entre a UFBA, a Secretaria de Saúde e outros órgãos gestores do estado? Existe um bom entendimento?
Naomar de Almeida – Existe sim, com certeza, tanto que o atual secretário estadual de saúde, Jorge Solla, é membro da universidade. Muitos secretários municipais são ex-alunos. Nós temos uma atuação nessa área à altura da instituição. Não esquecendo também do próprio Ministério da Saúde, onde muitos quadros foram treinados aqui. Nós inclusive fomos responsáveis por três turmas de mestrado profissional ministrado lá e também à distância.


nublog – As escolas técnicas federais perderam um pouco de sua importância ao passar dos anos. Isso não deveria ser revisto?
Naomar de Almeida – O que atualmente está em curso é a unificação dessas escolas em uma instituição chamada IFET (Instituto Federal de Educação Tecnológica), e há dois deles implantados aqui na Bahia. O governo Lula abriu no Brasil 150 instituições dessa natureza, articulando os antigos CEFETS e as Escolas Agrotécnicas. A EMARC (Escola Média de Agropecuária Regional da CEPLAC) é parte do IFET Baiano. O antigo CEFET se tornou o IFET Bahia e as escolas técnicas foram unidas numa rede que é administrada pelo IFET Baiano. Então, está em curso essa retomada do protagonismo das escolas. A diferença é que os cursos tecnológicos são cursos superiores de tecnologia, diferente do modelo EMARC de antigamente, onde se formavam técnicos agrícolas. O curso superior de tecnologia dura dois anos.

“O crime é não usar o patrimônio público”

nublog – A UFBA está preparada para absorver essa demanda expressiva de novos estudantes vindos do Reuni?
Naomar de Almeida – É uma expansão brutal. Eu nunca vi um sistema público organizado com uma expansão tão vigorosa como essa. A UFBA possuía 19 mil alunos e agora já são 29 mil. O vestibular ano passado ofereceu 4.200 vagas e este ano serão abertas 7 mil vagas.

Mas existia dentro da universidade uma capacidade ociosa enorme. Havia somente 160 estudantes matriculados no período noturno e nesse último vestibular 2 mil novos estudantes entraram. Isso é um crime contra o patrimônio público; ter o equipamento público e não usá-lo. Nós colocamos 2.800 alunos a mais e a universidade absorveu.

nublog – Quais medidas foram tomadas para atender esses novos alunos?
Naomar de Almeida – Para se expandir a instituição é necessário ter mais professores. Este ano contratamos 204 professores em janeiro e estamos com concurso para contratação de mais 104, além de mais mil vagas que abriremos até 2012. A capacidade de expansão da universidade está apenas no começo. Discute-se agora algo que não faz sentido, que é a relação entre o número de professores e o número de alunos. Com o Reuni, o critério é de 18 alunos para cada professor e muitos analistas acreditam que isso certamente contribuiria para a queda da qualidade do ensino. Mas nós podemos perceber que essa qualidade não é inversamente proporcional ao tamanho de uma turma. Se há competência docente, uso intensivo de tecnologia e boa gestão e dedicação, não há porque usar esse argumento. Se o docente está em regime de dedicação exclusiva, isso tem que ser levado a sério.

nublog – Na sua opinião, o número de estudantes por professores não interfere na qualidade do ensino?
Naomar de Almeida - É um absurdo um professor se queixar de dar oito horas de aula por semana. Então, se você somar tecnologia, gestão, competência e dedicação, surge uma instituição pública capaz de cumprir com sua responsabilidade. Até agora eu estou esperando um argumento que me convença que expandir a educação pública brasileira vá reduzir sua qualidade. Prova disso foi o crescimento da produção científica da UFBA nos últimos três anos. A avaliação da produção científica é feita por meio da publicação de periódicos indexados e atualmente existe uma rede de publicação chamada web of science. A nossa universidade produzia por ano 150 artigos nessa rede e ano passado produzimos 520, graças ao aumento de 213% sobre o número de matrícula de doutorandos.

nublog – Podemos dizer que está havendo uma revolução na educação. O cidadão brasileiro está consciente dessa revolução?
Naomar de Almeida – Eu acredito que está se criando uma percepção de que tem mudanças importantes, mas não diria que é uma revolução. As ideias são inovadoras, mas não estão absorvidas pelo sistema. O Governo Federal abriu um programa de financiamento à inovação das universidades chamado Reuni e todas as universidades federais do país entraram, pois os recursos eram atraentes. Contudo, poucas apresentaram inovações, mas apenas expansão. Enquanto a UFBA apresentou um projeto ambicioso dentro do Reuni, muitas escolas estão apenas repetindo o antigo modelo e todos os seus defeitos. Por isso eu não chamaria de revolução, acredito que faltam coisas novas nisso tudo.

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