LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quarta-feira, 3 de junho de 2009

PRONUNCIAMENTO NO "GRANDE EXPEDIENTE" - Câmara Federal – 01 de Junho de 2009 - Dep. Fed. Iriny Lopes




A crise econômica e financeira que varreu o mundo demonstrou o fracasso de uma concepção ideológica de Estado mínimo e mercado máximo. A política neoliberal, que no Brasil atingiu seu ápice no período FHC, merece aqui um breve retrospecto. Os tucanos e os democratas seguiram à risca o receituário do Consenso de Washington, depreciando empresas públicas para privatizá-las posteriormente a preços irrisórios.

O PT, a esquerda brasileira, nacionalistas, os movimentos sociais, travaram dura batalha nas ruas e no parlamento para impedir a sanha privatista da tucanagem e ex-pefelistas. Salvamos nossos Bancos e vimos o importante papel destas instituições no restabelecimento do crédito interno, na redução das taxas de juros e no incentivo ao setor produtivo na crise que enfrentamos.

Vale lembrar que durante o governo FHC foram vendidas estatais estratégicas como as empresas de telefonia, a Vale do Rio Doce e bancos estatais. E constava ainda do plano de governo tucano privatizar a Petrobras, período em que perdeu participação nos leilões de blocos exploratórios até 2002. No ano de 2000, a carteira exploratória da Petrobras correspondeu a uma área de 1.511 quilômetros quadrados, contra 26.492 quilômetros quadrados das estrangeiras.

É importante ressaltar também que nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso foram registrados desastres ecológicos, com prejuízos imensos ao meio ambiente e multas que sangraram o cofre da empresa em centenas de milhões de reais.

Em 2000, houve vazamento de 1,3 milhão de litros de óleo combustível na Baía de Guanabara. Em junho do mesmo ano 4 milhões de litros de óleo cru da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, poluíram totalmente o rio Iguaçu, o principal do Paraná, prejudicando mais de 90 mil habitantes.
Vimos também a cena inacreditável da plataforma P-36 afundando e com ela vários petroleiros que não conseguiram ser resgatados a tempo. Significou a morte de mais de uma dezena de trabalhadores e também um prejuízo de meio bilhão de reais. Foi também o PSDB que mudou a Lei do Petróleo para entregar nossas reservas às multinacionais.

Esses episódios trágicos foram conseqüência de uma política de governo que pretendia, assim com o fez com as demais estatais estratégicas, submergir a Petrobras para oferecê-la a preços módicos às multinacionais, que
assumiriam todas as jazidas de petróleo. Se FHC tivesse conseguido levar adiante seu intento a camada de pré-sal, estimada hoje em 9 trilhões de dólares, e toda a cadeia produtiva estaria totalmente nas mãos de
estrangeiros.

Ao contrário dos tucanos, Lula, ao assumir o governo rearticulou a capacidade de ação da Petrobras. As plataformas que antes eram encomendadas no exterior, como a P-36, começaram a ser construídas no Brasil. Além da garantir a qualidade dos equipamentos, a decisão do governo do PT propiciou a criação de milhares de postos de trabalho diretos e indiretos e, por conseguinte, aumento de renda para os trabalhadores deste setor.

Como bem lembrou o companheiro Guilherme Estrella, Diretor de Exploração e Produção da Petrobrás, a estatal adotou um comportamento mais agressivo e conseguiu conquistar áreas de exploração e produção suficientes para os próximos 20 anos.

Hoje, após sete anos de governo petista, a Petrobras é a maior empresa dopaís e a segunda maior petrolífera do mundo, além de ser a quarta mais admirada do planeta. A estatal vale atualmente no mercado R$ 300 bilhões,
contra R$ 54 bilhões quando FHC deixou o governo, e responde ainda por 10% do PIB brasileiro e mais de 20% de todos os investimentos que anualmente são feitos no país.

A Petrobras é um bom exemplo do que nos difere dos tucanos. Para nós, o Estado é o indutor do desenvolvimento econômico e social. Por isso é que o governo deseja que a produção do pré-sal seja geradora de mobilidade social, destinando a parte dessa riqueza para a educação, redes de proteção, programas sociais e geração de emprego e renda.

O PSDB, ao criar a CPI da Petrobras, mais uma vez coloca em movimento a velha prática de depreciar para privatizar. E acrescenta a ela outra intenção igualmente deplorável, que é tentar atingir a imagem do presidente
Lula. Por trás de tudo isso há que se identificar o temor dos tucanos frente o crescimento de Dilma Roussef nas pesquisas à Presidência da República. Enquanto o nome da ministra subiu 10 pontos percentuais nas últimas pesquisas, em relação a maio de 2008, Serra caiu 10%.

Portanto, ao inventar a CPI da Petrobras, a oposição pensa em abalar novamente a imagem da estatal e facilitar a vida das multinacionais e usa o recurso sórdido de brincar com o conceito internacional da segunda maior
empresa petrolífera do mundo para se viabilizar eleitoralmente.

Tática, aliás, usada na campanha de 2006, com amplo apoio de parte da mídia corporativa, uma espécie de braço auxiliar dos tucanos e democratas na tentativa de bombardear Lula.
A lição parece não ter sido apreendida pela oposição, que perdeu a eleição e a chance de reavaliar suas velhas práticas políticas.

Essa mesma imprensa há um ano reproduz um mantra que tem sido entoado pelos tucanos, de que o PT trabalharia para viabilizar o terceiro mandato de Lula. Em primeiro lugar, devo ressaltar que não só eu, mas o partido já se posicionou contrariamente a essa idéia e vamos eleger nossa companheira Dilma Roussef presidenta do País.

Nesse embate, estão dois projetos muito diferentes. Em 2010, dois campos políticos e sociais vão se enfrentar nas eleições presidenciais: de um lado as forças de esquerda e progressistas, encabeçadas pelo PT; de outro lado, as forças neoliberais e de direita, capitaneadas pelo PSDB.

O PT vê a próxima eleição não como mera continuidade do governo Lula, mas um aprofundamento dos avanços sociais já consolidados e a realização de reformas estruturais, colaborando para a abertura de um novo ciclo
histórico, que deixe para trás as décadas perdidas, o neoliberalismo e o desenvolvimentismo conservador. Neste aspecto, são vários desafios que temos pela frente:

-Lutar pela democratização profunda de nossa sociedade, incluindo os meios de comunicação, que geralmente estão em mãos de monopólios privados e interferem de forma desleal para favorecer determinados grupos.

- Ampliar o alcance e a qualidade das políticas sociais públicas, inclusive criando novos direitos sociais. Além do direito pleno à saúde, educação de alta qualidade, alimentação, e outros básicos, é preciso garantir o acesso
à eletricidade, às telecomunicações, saneamento básico, habitação, transporte público, à cultura e ao lazer como direitos universais.

- Realização de reformas estruturais que alterem a matriz social e econômica brasileira, tendo como objetivo essencial as reformas agrária e urbana.

- criação de um modelo econômico alternativo que combine capacidade de crescimento, inovação tecnológica, geração de emprego e renda, redistribuição de renda e riqueza.
- combinar a soberania nacional com a cooperação entre os distintos povos e países que abracem o projeto de integração continental.

- enfrentar a imensa desigualdade de gênero, racial, a homofobia e todas as formas de preconceito e discriminação.

- cuidar melhor de nossos adolescentes e de nossa juventude

- deter o processo de destruição do meio ambiente, e lançar o Brasil no destaque internacional de combate ao aquecimento global.
- E, por fim, realizarmos uma reforma política que respeite o pensamento do povo brasileiro, fortaleça os partidos e ponha fim a interferência do poder econômico na política.

2010 está em disputa e estamos na luta!

http://www.irinylopes.com.br/

Nenhum comentário: