LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Conversa de Botequim

O panorama politico permanece morno, mas um morno esquentando, não um morno esfriando, se é que me entendem. As pesquisas eleitorais produziram um pouco de eletricidade, mas só um pouco. Foi o suficiente, contudo, para gerar um pequeno curto-circuito nos debates internáuticos. Eu contribuí um pouquinho, com meu artigo "Dilma seduz os chiques", analisando os números do Sensus. As hostes dilmistas, entre as quais eu me incluo, ficaram nervosas e muito desconfiadas com as recentes pesquisas do Datafolha, classificado peremptoriamente como "datafraude" , e do Sensus, sem apelido pejorativo, por enquanto. Bem, eu não fiquei nervoso, nem desconfiado. Não sou nenhum crédulo em pesquisas, mas não quero acusar sem provas. Naturalmente, existem diversas maneiras de alterar uma pesquisa sem fraudá-la descaradamente. Basta privilegiar uma região em detrimento de outra, por exemplo, e pronto.

Dilma Rousseff era, no ano passado, uma solene desconhecida, com menos de 3% das intenções de voto e agora já se constitui na principal adversária dos planos do PSDB para retornar ao poder. Todos a conhecemos melhor agora. Eu a conheço melhor agora, e posso afirmar que se trata de uma pessoa extraordinária, dotada de uma inteligência política ímpar. Se compararmos com Serra, que mal consegue alinhavar duas ou três frases sem confundir-se ou repetir um clichê, é realmente um luxo possuir uma candidata do calibre intelectual de uma Dilma Rousseff.

Às vezes eu leio as opiniões de analistas de marketing político e fico estupefato de ouvir tanta abrobrinha. Por exempo, a questão da transferência de votos, o maior terror da direita, representada hoje pelo PSDB. Que Lula tem grande popularidade e que, se pudesse disputar um terceiro mandato, ganharia com facilidade, todos parecem concordar. Tanto que fizeram um enorme terrorismo com isso. Tenho certeza que, se o PSDB ocupasse a presidência com um líder carismático como Lula (o que seria quase impossível, enfim, mas pense apenas hipoteticamente) , eles conseguiriam aprovar, com entusiasmo midiático, um terceiro mandato.

Por outro lado, não preciso ser um analista de marketing político, para saber que é evidente que haverá uma maciça transferência de votos de Lula para Dilma. A partir do momento em que a legislação eleitoral, conforme manda a Constituição, liberar Lula para apoiar a sua candidata, e que o presidente ocupar todos os canais de televisão durante o horário eleitoral, conforme também permite a Constituição, explicando ao eleitor que Dilma Rousseff é a sua candidata e que José Serra é seu adversário. Enfim, quando Lula não apenas pedir ao povo, com todo o talento oratório que Deus lhe deu, que vote em Dilma Rousseff, mas também que NÃO vote em José Serra ou outro candidato do PSDB, como será possível que não haja transferência de votos? Diga-me, como é possível?

Há uma grande confusão. Pode não haver transferência de votos nas eleições municipais, ou estaduais, por razões óbvias, mas na eleição majoritária, presidencial, parece-me uma simples questão de bom senso primário saber que haverá, sim, uma maciça transferência de votos de Lula para Dilma Rousseff. A menos que se articule uma monstruosa operação de engana-eleitor (o que é impossível, devido ao horário eleitoral obrigatório), para confundir a população, como alguns políticos do DEM fizeram no Nordeste, afirmando aos eleitores, mentirosamente, que eram apoiados por Lula.

Só isso já garante a vitória de Dilma Rousseff. Parece-me elementar. Aliás, conforme as eleições forem se aproximando e o assunto entrar nos lares e botequins de todo país, haverá maior esclarecimento da população.

No entanto, continuo achando ingênuo, temerário e incoerente que as mesmas pessoas que passaram os últimos anos brandindo as pesquisas do Sensus, Datafolha, Ibope, Vox Populi, que mostravam a impressionante popularidade de Lula, agora venham, bruscamente, desmerecer esses institutos porque não mostram Dilma numa trajetória de crescimento tão dinâmica e avassaladora como gostariam. Não se trata de "acreditar" nas pesquisas. Os números são dos institutos, não nossos, e são apenas pesquisas.

O que não faz sentido é a fé no voto de manada. Isso é que me parece irracional. É desrespeitar muito a inteligência do eleitor achar que ele votará em Serra porque viu na pesquisa que Serra está com 42% e Dilma com 24%. Qual a lógica disso? Há voto útil, isso sim. O anti-lulista radical, cujo único desejo é derrotar o PT, mas que não gosta do PSDB, votará no Serra se achar que é ele quem pode fazer isso. Mas nenhum eleitor de Lula, nem o mais ignorante do grotão mais recôndito do Amazonas, irá votar em Serra em 2010, desde que tenha tido a sorte de assistir na TV, ou ouvir no rádio, um único programa eleitoral em que o próprio Lula peça a ele que vote em sua candidata, Dilma Rousseff.

Quanto à Marina Silva, creio que ela pode tirar sim votos da Dilma, mas também tira votos do Serra, talvez na mesma proporção, e esses votos voltarão no segundo turno. De qualquer forma, agora entendi melhor a posição de Marina, e, depois de uma irritação inicial (ainda mais depois que descobri que ela é contra o aborto, contra células tronco, criacionista, etc), passei a respeitá-la. Assisti a uma entrevista sua muito esclarecedora, e constatei que ela possui uma astúcia política bem superior a que seus detratores imaginam e está conseguindo escapulir sutilmente das garras de um e de outro lado. Quiçá Marina Silva consiga uma proeza maravilhosa: tirar o ambientalismo da bocarra interesseira, e falsária, da direita, e conduzi-lo para onde ele nunca deveria ter saído, para o lado dos trabalhadores, que não são donos de indústrias poluidoras, nem de latifúndios desmatadores, e são sempre as maiores vítimas da poluição e da destruição do meio ambiente.

(http://oleododiabo. blogspot. com/2009/ 09/conversa- de-botequim. html)
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