LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Quem pilotará o Brasil?




Quem for bom dos miolos tem todos os motivos possíveis e imagináveis para entender que o Brasil, hoje, é um bólido envenenado, com uma manada de cavalos bravios dentro do motor. Por conta disso, a eleição presidencial do ano que vem vai assumindo um caráter dramático.

Por minhas crenças políticas e ideológicas, pelo que sei de política e de economia, pela visão social que construí ao longo da vida, vejo com preocupação o processo eleitoral do ano que vem. Diante disso, cabe perguntar:

Quem herdará o Brasil do pré-sal, da Copa do Mundo de 2014 e que preparará o país para a Olimpíada de 2016?

Quem irá gerir uma economia que no ano que vem estará crescendo em um nível muito acima daquele em que estará o resto do mundo e próximo ao dos países que mais crescem?

Quem administrará reservas cambiais que já começam a caminhada para a terceira centena de bilhão dólares?

Quem receberá esses investimentos estrangeiros e nacionais cada vez maiores no país?

Quem será o depositário da confiança mundial na boa governança do Brasil?

Espero que seja um político que todos conheçamos bem, o qual tenha sido ampla e publicamente questionado, que tenha tido sua vida esmiuçada pela imprensa a fim de que saibamos com quem estaremos nos metendo.

Mesmo estando tão longe da campanha, já sei muito sobre alguém que eu não conhecia na política. Dilma Rousseff vem sendo exposta de todas as maneiras, em todas as suas fraquezas humanas, inclusive as de caráter mais íntimo, como a sua saúde.

Seus adversários têm tido espaço na grande mídia para questioná-la, acusá-la, ridicularizá-la. Seus pontos negativos todos têm sido debatidos fartamente enquanto pouco se fala de seus adversários em termos negativos ou meramente investigativos.

Sobre os prováveis adversários de Dilma, o que sei deles é por conta da história política de cada um. Mas são informações antigas. Não há questionamentos atuais, acusações ou informações sobre a intimidade de um Ciro Gomes ou de um José Serra na mídia.

Dilma é uma neófita em eleições. Alguém que dependerá de transferência total de popularidade do mais conceituado político brasileiro para que ela logre sucedê-lo no cargo, e que enfrentará a maior campanha midiática de desmoralização que já se viu.

O que estará em jogo na eleição do ano que vem será o controle de uma das poucas economias realmente possantes da atualidade. Os que vêm se opondo ao país nos últimos quase sete anos, portanto, farão qualquer coisa – eu disse qualquer coisa – para vencer a eleição presidencial de 2010.

Já cheguei a pensar que era muita responsabilidade para ficar nas mãos de um único homem, ou seja, de Lula. Contudo, a vitória do Rio de Janeiro na disputa para sediar a Olimpíada de 2016 me fez entender uma coisa que talvez eu ainda não tivesse entendido e que quero compartilhar com vocês.

O marketing político (seja contra ou a favor) pode ser bem eficiente, e confiar na capacidade de discernimento de uma sociedade submetida a bombardeios midático-marqueteiros ininterruptos pode ser perigoso, mas governar bem ainda é a melhor propaganda que um político pode fazer de si mesmo.

Neste momento, apesar de toda torcida contra, do alarmismo sobre gripe suína, do alarmismo econômico, da venda de pessimismo incessante em bilhões de horas de programação de tevê, em centenas de milhares de toneladas de papel, o brasileiro está eufórico com o país.

A estratégia do presidente Lula é contrapor fatos positivos a suposições negativas, confiando na capacidade de discernimento das pessoas para decidirem quem fala a verdade, se a mídia ou ele.

A mídia, por sua vez, acredita que pode se dissociar do jogo político no imaginário popular, ou seja, passar por juíza e não por jogadora, detendo a prerrogativa de apontar quem está certo e errado, induzindo o eleitorado a escolher por exclusão, a votar em quem não estiver sendo acusado por ela.

A estratégia de Lula me parece correta, mas só até certo ponto. Não se pode esquecer da sabotagem e das jogadas sujas. Dos dossiês pré-eleitorais. Não se pode esquecer da jogada da pilha de dinheiro dos aloprados, que levou a eleição presidencial para o segundo turno em 2006, o que nos remete a outro ponto, exatamente o dos aloprados.

Se não tivesse havido algum gênio no próprio PT que decidiu jogar sujo para tentar vencer uma eleição perdida em São Paulo, aquele delegado picareta e a Globo não teriam armado o que armaram, fazendo produção da pilha de dinheiro etc.

É preciso ter em mente que um processo como eleição num país como este, se o grupo político de José Serra, que incluí impérios econômicos, sobretudo de comunicação, quiser interferir, tem meios infinitos para tanto.

Não sei quem pilotará essa máquina fantástica que é o Brasil a partir de 2011, mas sei que corremos o risco de bater logo na primeira curva, dependendo do piloto. Só espero que a sociedade reflita sobre isso como nunca antes na história deste país. Nada mais.

http://edu.guim.blog.uol.com.br/

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