LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Viagem à “Serrolândia”

Crônica política



Viagem à “Serrolândia”

A foto acima deveria envergonhar as duas pessoas que mostra. É o retrato da promiscuidade entre a política e a imprensa, que, no máximo, deveriam se cumprimentar com um leve menear de cabeças, o que torna um grande escândalo a conjunção carnal a que se entregaram.

Mas não me aprofundarei nessas relações perigosas entre jornalistas e políticos porque meu objetivo é demonstrar o espírito antidemocrático e ameaçador de um político que tem chances reais – não discuto se são muito boas, boas ou apenas razoáveis – de vir a governar o país a partir de 2011.

Por isso coloquei essa foto aí em cima. Esses dois, cada vez mais, confundem-se. Para quem não conhece o indivíduo que está ao lado do governador de São Paulo, informo que seu nome é Reinaldo Azevedo. Ele é funcionário da revista Veja, contribuindo para a edição impressa e para o portal da publicação na internet.

Azevedo tornou-se a bíblia do serrismo, se é que um movimento político restrito a meia dúzia de empresários de comunicação pode ser considerado assim. O blogueiro e colunista da Veja tornou-se o porta-voz oficioso do governador paulista. O que um pensa, o outro divulga.

Nesse contexto, vale a leitura de post do blogueiro serrista, publicado nesta terça, que versa sobre a possível convocação de Dilma Rousseff pelo Senado para “explicar o apagão”.

Leiam que depois comento.

DILMA NO SENADO? PRA QUÊ?

Segunda-feira, 16 de novembro de 2009 | 18h00min

O governo está negociando, por intermédio do aliado Fernando Collor (PTB), que preside a Comissão de Infra-Estrutura do Senado, a convocação dos ministros Dilma Rousseff (Casa Civil) e Edison Lobão (Minas e Energia) para que falem sobre o apagão. Já há requerimentos de oposicionistas cobrando que ambos se expliquem.

O governo considera que o melhor é falar e fazer do limão uma limonada, usando a comissão, que certamente atrairia a atenção da imprensa, como palanque. Será que esse tipo de convocação é a melhor estratégia para as oposições?

Deixem-me ver se antevejo o título de alto de página de alguns jornais: “Dilma diz que blecaute não é barbeiragem tucana”. Vamos combinar: ninguém está interessando no que pensa Lobão, e se tem a justa desconfiança de que ele não distinga uma tomada de uma fatia de presunto.

Tenho para mim que a oposição deveria dar publicidade aos dados de que dispõe sobre o setor elétrico sem ficar preparando o palanque para a petista, que quer aparecer, com sua “autoridade”. Ademais, já se sabe que essa gente não se constrange em falar o que lhe dá na telha.

Se Azevedo for mesmo o boneco de ventríloquo de Serra, imaginem o que será da democracia no Brasil se o político tucano se eleger presidente da República...

Vejam bem, o principal acusado pela mídia e pela oposição de negligência pelo blecaute de terça-feira passada é a ministra Dilma Rousseff, mas Azevedo (Serra?) não quer dar a ela o direito de se explicar, numa Casa parlamentar que cobra dela explicações, porque sabe que ela dirá o quê? Nada mais, nada menos do que a versão DELA dos fatos.

Envolvida nos problemas de uma pasta que não é a sua, Dilma deve ser acusada e não pode se manifestar sob o pretexto de não lhe darem “palanque”, que ficaria restrito aos seus acusadores para que falem à vontade contra si.

Com essa mentalidade e essa “clareza de visão” do ventríloquo que puxa os cordéis e faz a voz por trás dos movimentos da boca azevediana, não duvido de que proponha a supressão do tempo de Dilma no horário eleitoral “gratuito” no rádio e na tevê sob o argumento de que a Justiça Eleitoral estará dando “palanque” à adversária.

Vejam, eles constroem toda essa pantomima e, na hora de usarem, descobrem que seu discurso só funciona se o outro lado não puder se manifestar. É mole ou vocês querem mais?


http://edu.guim.blog.uol.com.br/
Escrito por Eduardo Guimarães às 17h22
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