LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

domingo, 6 de dezembro de 2009

Luiz Inácio Lula da Silva Brasileiro do Ano

Brasileiro do ano 2009 parte 2
Boa parte do mundo definirá 2009 como um ano que não deixará saudades. O Brasil, não. Aqui, os 12 meses que chegam ao fim podem ser reverenciados no futuro como os da afirmação definitiva do País como uma força global.
Octávio Costa e Sérgio Pardellas



Luiz Inácio Lula da Silva Brasileiro do Ano

PRÉ-SAL Em seu ambiente mais familiar, diante de uma plateia de operários, ele brinca ao falar da maior descoberta de petróleo de todos os tempos

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SÃO FRANCISO Em duas visitas às obras de transposição do rio, uma das principais obras de seu governo no Nordeste

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PELO MUNDO Em Nova York, Lula discursa (abaixo) durante a entrega do prêmio Woodrow Wilson, um dos mais cobiçados por chefes de Estado; e acima em viagem à África
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ESTILO DE PODER Cenas presidenciais: ao ver os caças em pleno voo, Lula não esconde sua curiosidade; sozinho no gabinete; e assediado pelo povo

Vitórias no cenário internacional, conquista da Olimpíada para o Rio de Janeiro e drible na crise financeira em 2009 ampliam a popularidade do presidente e o mundo confirma seu nome como uma nova liderança global

a terça-feira 15, quando desembarcar em Copenhague para participar da Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não será recebido como mais um dirigente de país exótico da América do Sul, que tem em seu território uma grande floresta tropical. Ele, certamente, será alvo da reverência que conquistou como um dos principais líderes mundiais da atualidade. Simplesmente porque, hoje, nenhum tema importante no cenário internacional pode ser debatido sem a presença e a intervenção firme e decisiva do presidente do Brasil. Questões estratégicas, que vão desde o programa nuclear do Irã até a necessidade de democratizar as decisões da própria Organização das Nações Unidas, passam obrigatoriamente pelo crivo de Lula. Durante seu governo, o Brasil assumiu lugar de destaque entre as principais nações. Basta ver o que já se tornou rotina nas fotos oficiais das reuniões de cúpula e do G-20: o presidente Lula sempre aparece ao centro, na companhia do americano Barack Obama ou de líderes europeus, como o francês Nicolas Sarkozy e a alemã Angela Merkel. Em todos os foros, o Brasil se faz ouvir e respeitar. E o motivo maior desse novo status é, sem dúvida, a personalidade do presidente.

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COMEMORAÇÃO No Alvorada, com dona Marisa Letícia: o presidente tem muitos motivos para festejar

Nunca um governante brasileiro foi tão reverenciado no Exterior como Lula. Seu protagonismo na cena internacional evidenciou-se em vários momentos. Foi o que se viu na reunião dos países do G-20, quando foi apontado por Obama como “o cara”, o líder mais popular da Terra, e também quando ele recebeu os prêmios da Unesco, por contribuição para a paz, e da Chatham House, o Real Instituto de Assuntos Internacionais do Reino Unido, um dos mais prestigiados organismos de discussão de temas mundiais, que o considerou o estadista do ano. Esta fase brasileira é marcada por duas imagens na imprensa internacional: as capas do jornal britânico “Financial Times” e da tradicional revista “The Economist”. O primeiro, considerado a bíblia do capitalismo, destacou a tentativa de Lula de convencer Obama e o presidente da China, Hu Jintao, a participar da conferência de Copenhague. Já a “The Economist” trouxe uma matéria de 14 páginas sobre a situação econômica do País com o título de capa “O Brasil decola” e a imagem do Cristo levantando voo como um foguete. As duas reportagens de grande destaque vieram confirmar, com todas as letras, a projeção internacional de Lula. E, em consequência, a imagem do Brasil como importante ator global. “Foi um ano bom para o Brasil. A crise financeira internacional acabou sendo uma boa oportunidade para mostrarmos ao mundo a força da nossa economia e a nossa capacidade de superação e, com isso, nosso país ser ainda mais respeitado nos fóruns internacionais”, disse Lula à ISTOÉ, ao saber que foi eleito pela revista “O Brasileiro do Ano”.

A consagração foi ser chamado por Obama de “o cara”, o líder mais popular da Terra

Méritos não faltaram ao presidente Lula e à política econômica de seu governo. No Exterior, não se fala de outra coisa senão sobre a capacidade que o Brasil – antes visto como um gigante ameaçado por turbulências insanáveis e pela inflação – teve de se transformar num país de economia estável e porto seguro para o investimento estrangeiro. O “B” é a estrela entre os países que compõem os BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), com os especialistas prevendo um crescimento de até 5% para a economia em 2010.

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CONTRIBUIÇÃO À PAZ Em julho, ao receber da Unesco o prêmio Félix Houphouët-Boigny

“A crise financeira acabou sendo uma boa oportunidade para mostrarmos a força da nossa economia”

A projeção e o reconhecimento internacional de Lula fizeram parte de uma estratégia de governo escorada no bom desempenho do País no enfrentamento da crise financeira. Os assessores do presidente entendiam que havia um vácuo de liderança no mundo, que o presidente da França, Nicolas Sarkozy, tentou preencher sem sucesso. Concluíram, então, que estava aberta a janela de oportunidade para Lula se projetar, ocupando lugar de destaque no cenário internacional. A tática foi seguida à risca. Em 2009, um intenso circuito internacional, com 21 visitas estratégicas a paí­ses onde havia interesse do Brasil, comercial ou diplomático, ajudou a destravar a pauta de negócios das empresas brasileiras. Nenhum outro presidente da América Latina conseguiu tanto espaço na mídia mundial como Lula, que concedeu 112 entrevistas à imprensa estrangeira.

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PRESTÍGIO A liderança de Lula foi saudada por Obama, Sarkozy, Elizabeth Ie pela alemã Angela Merkel,
sobretudo depois da crise internacional

Mas é evidente que, se não fossem o carisma do presidente e sua importante atuação no desenvolvimento de políticas tanto internas como externas, o plano teria sido um tiro n’água. Mas tudo deu certo. O ano acaba com os especialistas internacionais vaticinando uma década de prosperidade e crescimento para o País. Graças à política econômica cujos pilares foram reafirmados este ano por Lula, o Brasil possui hoje um mercado interno estável, com as exportações de carros e aeronaves, soja e minério de ferro, petróleo e celulose, açúcar, café e carne bovina correspondendo a apenas 13% do PIB. A política ex­ter­na chancelada por Lula foi marcada por ousadia, como a decisão de abrigar o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, na embaixada brasileira em São Domingos e a acolhida amistosa em Brasília ao polêmico presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. Movimentos que provocaram atrito nas relações com os Estados Unidos. Apesar disso, a política externa também ajudou o País a minimizar os efeitos da recessão mundial, à medida que ampliou o leque de parceiros comerciais. “O Brasil se preparou não só economicamente como politicamente. A política externa brasileira, acusada de ideológica por uns e pragmática por outros, revelou que adotamos uma percepção clara do que poderia ocorrer”, disse à ISTOÉ o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. Para ele, o sucesso da política externa do País pode ser atribuído à compreensão do presidente Lula de que o futuro do País está ligado à sua projeção internacional e à sua capacidade de integração na América do Sul. “Como a China substituiu os Estados Unidos como maior parceira comercial do Brasil no início deste ano, o País não foi severamente afetado pela recessão no mercado americano como poderia ter sido”, atestou a “Der Spiegel”. A inglesa “The Economist” cita ainda as descobertas de petróleo no pré-sal e as exportações para países asiáticos como elementos que vão estimular ainda mais o crescimento da economia brasileira nos próximos anos.

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“Espero que os avanços sejam mantidos pelos próximos governos”
Presidente Lula

A expectativa é de que, ainda nessa década, depois de 2014, o País possa se tornar a quinta economia do mundo, superando o Reino Unido e a França. Neste caso, é possível que Lula possa colher pessoalmente os frutos que plantou. Conforme antecipou ISTOÉ, em reportagem de capa, publicada em março, a exemplo do que aconteceu com Getúlio Vargas em 1949, quando o presidente foi procurado por políticos em seu autoexílio em São Borja, no Rio Grande do Sul, para voltar ao poder, Lula também não descarta a possibilidade de retornar ao Palácio do Planalto em 2014, nos braços do povo. Se for eleito para um terceiro mandato, Lula estará sentado na cadeira de presidente durante outro momento de glória para o País para o qual ele também contribuiu muito: os Jogos Olímpicos de 2016. No dia 2 de outubro, o Rio de Janeiro tornou-se a primeira cidade da América do Sul a ser escolhida para sediar a Olimpíada. Foi um dos dias mais emocionantes para Lula e a cereja do bolo de um ano tão especial para ele. Diante da escolha pelo Comitê Olímpico Internacional (COI), em cerimônia realizada em Copenhague, na Dinamarca, Lula não conteve as lágrimas. Indagado por ISTOÉ, Lula comemorou: “Nós conseguimos convencer o mundo esportivo que temos todas as condições de sediar os Jogos Olímpicos em 2016. Foi uma conquista maravilhosa que, tenho a certeza, encheu de orgulho o povo brasileiro e nos fez transbordar de emoção.”

Lula já garantiu
na história o mesmo papel de destaque de JK e Getúlio Vargas

Em 2010, Lula terá dois grandes desafios: manter o País no ciclo do crescimento econômico sustentável e fazer da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, sua sucessora. Ao participar da comemoração de seus 64 anos promovida por militantes do PT em frente ao Palácio da Alvorada, no dia 24 de outubro, Lula soprou as velas do bolo e confidenciou aos ministros presentes que a vitória de Dilma poderá ser o seu grande presente de aniversário no próximo ano. “Se Deus quiser, estarei comemorando a eleição dela”, disse. Para atingir o objetivo, Lula fez vigorosos movimentos políticos este ano. Enquadrou o PT e patrocinou o pré-acordo com o PMDB, maior partido da base aliada, que consolida a aliança eleitoral para a disputa presidencial de 2010. Se o acerto será cumprido pelos peemedebistas é outra história.

O presidente também tem se empenhado pessoalmente para garantir o caráter plebiscitário das eleições. Na campanha, planeja reproduzir o embate que domina a política desde 1994: PT versus PSDB. Por isso, trabalha nos bastidores para tirar o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) do páreo presidencial. Dessa forma, na comparação com seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, Lula espera sair novamente vitorioso. “É o nós contra eles”, tem dito. Paralelamente, Lula age para turbinar Dilma no ano eleitoral, associando as realizações do governo à sua candidata. Para o primeiro trimestre, por exemplo, está previsto um novo aumento do Bolsa Família, maior programa de transferência de renda do governo. Aliás, um dos objetivos de Lula é perenizar o programa a partir da aprovação de uma lei no Congresso. “O que espero de 2010 é que a gente continue tendo o apoio do povo brasileiro para avançarmos ainda mais no crescimento econômico, na geração de empregos e na redução das desigualdades sociais. Espero inaugurar muitas obras do PAC pelo Brasil, fazer os primeiros leilões para exploração do pré-sal, aprovar a consolidação das leis das nossas políticas sociais, para que os avanços que tivemos sejam mantidos pelos próximos governos”, disse o presidente à ISTOÉ. Mesmo que este desejo não seja realizado, Lula já garantiu na história o mesmo papel de destaque de presidentes como Juscelino Kubitscheck e Getúlio Vargas.

Leia a reportagem completa no seguinte endereço:
http://www.istoe.com.br/reportagens/21080_BRASILEIRO+DO+ANO+2009+PARTE+2
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