LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Waldir Senador: a voz da Bahia

Por Emiliano José

A política é fascinante também pelo que ela tem de revelador da natureza humana, da diversidade do humano. Nada do que é humano me é estranho. É de Terêncio (Publius Terentius, dramaturgo do Império Romano antes de Cristo). Nada mais próprio se aplicado também à política. Quando soube de uma pichação que me dizia eleitor do senador César Borges, pensei nisso. Não atinei completamente sobre as intenções de quem se dedicou à pichação. E não fiquei a me perguntar de quem seria a iniciativa.

A pichação tinha um quê de irônico. De engraçado. Pela impropriedade da formulação. Confesso que cheguei a rir quando vi a pichação estampada no Política Livre, do meu amigo Raul Monteiro. Talvez, quem sabe, do ponto de vista político, quisessem provocar uma reflexão minha sobre a situação política do nosso Estado, sobre as próximas eleições e, de modo especial, sobre a chapa ao Senado.

Houve os que me aconselharam a não morder a isca.

Mas, homem público deve esconder suas posições?

Ou deve sempre revelar o que pensa, o que defende?

Lamento que haja os que se escondem atrás ou na frente dos muros, os que preferem o anonimato. Eu gosto sempre é do debate aberto, público, à luz do dia, sem tergiversações.

Nós derrotamos uma oligarquia cruel, autoritária, que não tinha qualquer respeito pela coisa pública, para dizer o mínimo. Uma oligarquia que nos legou índices sociais inaceitáveis, criminosos. Este primeiro mandato do governador Wagner está representando uma mudança radical na vida da Bahia, seja no plano dos valores políticos, do respeito profundo à democracia, seja no plano das condições de vida do nosso povo. O governador Wagner sabia, como é da política do PT, que deveríamos realizar um governo de coalizão, e assim temos feito.

O que impressiona em Wagner, mais do que obras, que são muitas, é a sua convicção de que mais vale a afirmação de novos valores - a consolidação dos valores democráticos. Ele diz isso com freqüência. Suas convicções republicanas e democráticas são sólidas. Num artigo que escrevi recentemente, eu lembrava que a nova hegemonia que está sendo construída no Estado leva, sobretudo, essa marca: a da afirmação da democracia no sentido mais substantivo.

É uma mudança cultural que está em andamento. Passo a passo, Wagner, ao lado do nosso partido, está construindo persistentemente essa nova hegemonia. Uma hegemonia que não se faz no grito, que descarta o autoritarismo, que apenas afirma a autoridade pelo que ela tem de mérito e de força junto ao povo. Diria, para pensar um pouco teoricamente, que Wagner vai num passo gramsciano, trincheira por trincheira, conquistando corações e mentes do nosso povo, e por isso tem se afirmado como a nova e grande liderança política do povo baiano.

Temos convicção, o PT tem, de que as nossas grandes tarefas políticas são eleger Dilma presidente, Wagner governador. E que para tanto devemos fortalecer uma ampla frente política de alianças, como temos feito. Temos o privilégio de termos o governador Wagner à frente dos destinos da Bahia. E não é preciso dizer o quanto Wagner tem de fidelidade ao PT, do qual é um dos fundadores e uma de suas principais lideranças.

O Senado, se olharmos para o quadro da grande política, não pode ser visto como uma Casa secundária. Nosso partido precisa tanto eleger uma grande bancada de deputados federais, de deputados estaduais, quanto tem obrigação de aumentar o número de senadores comprometidos com o intenso processo de mudanças em curso no Brasil. Temos visto o quanto de dificuldades o governo Lula tem tido naquela Casa.

O Senado precisa ser uma casa de sustentação do próximo governo Dilma e, no caso da Bahia, precisamos ter uma voz que defenda o segundo mandato do governador Wagner, os interesses do Brasil e os interesses da Bahia. Essa voz, tenho defendido com convicção, é a de Waldir Pires.

Falo de um político também raro, pelo seu extraordinário compromisso com a democracia, pela sua capacidade, pelo conhecimento que tem do mundo, do Brasil e da Bahia. Um político que subordina tudo aos projetos amplos do País. Que acompanha Lula desde 1989. E que ocupa cargos públicos desde o início dos anos 50, sem nunca ter se desviado, um minuto que seja, do caminho democrático.

Foi, junto com Darcy Ribeiro, o último homem a deixar Brasília quando do golpe de 1964. Passou anos no exílio. Foi e é até hoje um dedicado servidor da Bahia. Tem uma vida dedicada à nossa terra como secretário de Estado, professor universitário, deputado federal, governador. Ou como simples militante da democracia. E cuja vitalidade, dinamismo, capacidade de raciocínio e de análise sobre o País e o mundo, impressiona a quem quer seja que o ouça falar.

A política é parte de sua vida, e aqui, em Waldir, a política ganha a amplitude que merece, a dimensão que merece. Nele, a política assume a sua extraordinária missão civilizatória. No governo Lula, foi ministro do Controle e da Transparência, consolidando a Controladoria Geral da União, que se tornou um exemplo para o mundo no combate à corrupção. E foi também ministro da Defesa.

A Bahia, ao tê-lo como senador, terá uma voz ativa e altiva no Senado. Dilma o terá defendendo os interesses fundamentais do governo e do País. O governador Wagner e a Bahia o terão como uma voz poderosa, uma voz presente, atuante, capaz sempre de descortinar horizontes, de enfrentar os desafios postos pela história.

Não seria um orgulho extraordinário ter uma voz como a de Waldir no Senado?

Sem dúvida, seria.

Ainda mais quando se sabe que em 1994 ele teve nitidamente um mandato roubado pelo carlismo, que conseguiu eleger um personagem absolutamente obscuro pelos artifícios da fraude, e uma fraude escandalosa. Seria um resgate histórico, um grande resgate histórico

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