LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

domingo, 30 de maio de 2010

Bolívia consome menos drogas do que o Brasil



Em mais uma operação “casada” entre órgãos de imprensa e o candidato a ocupar a Presidência da República a partir do ano que vem José Serra, o cultivo de coca na Bolívia está sendo transformado em factóide eleitoral do qual o tucano pretende se beneficiar com seu discurso acusatório ao país vizinho.

Não conseguirei traduzir quanto me é doloroso ver o que estão fazendo com a imagem daquele povo e daquele país que cresce, desenvolve-se, reduz a pobreza e a miséria como nunca, educa o povo e combate as drogas com sucesso crescente.

Posso dizer bastante sobre a Bolívia porque já estive em várias partes do país, tais como Santa Cruz de La Sierra, La Paz, Cochabamba, Oruro, Potosi e Sucre, e posso garantir que o boliviano consome muito menos drogas que o brasileiro, o que, inclusive, é atestado pelo último “Relatório Mundial sobre Drogas 2009” divulgado pelo “Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime” (UNODC, sigla em inglês) em junho do ano passado.

Além disso, o relatório mostra que a Bolívia perde para a Colômbia e para o Peru em termos de exportação ilegal de pasta de coca e que boa parte da cocaína que entra no Brasil pela Bolívia vem desses outros países através do território boliviano.

Hoje, domingo, a Folha de São Paulo publica uma reportagem irresponsável sob uma manchete mentirosa dizendo que a Polícia Federal “avalizaria” as acusações de Serra à Bolívia. Lendo a matéria, percebe-se que é tudo mentira. Valendo-se do mesmo recurso do grampo imaginário contra Gilmar Mendes, o jornal cita uma fonte anônima como se tivesse recebido uma declaração oficial da PF.

E mesmo que o tal relatório da PF exista, não pode ser tomado por posição oficial da instituição, pois em organizações sem orientação político-ideológica oficial como a nossa Polícia Federal passou a ser neste governo, pode-se conseguir relatórios para todos os gostos. Só que um relatório, mesmo existindo, é muito diferente de uma conclusão oficial da instituição.

Espertamente, então, o jornal da família Frias não ouviu a Polícia Federal sobre a “denúncia” que faria neste domingo com base em fontes anônimas, pois um desmentido dela se chocaria com a manchete que se queria colocar, de que aquela instituição teria “avalizado” o factóide eleitoral de Serra.

Conheço muito bem o povo boliviano. É um povo de costumes muito mais recatados, sobretudo entre a população indígena. A folha de coca faz parte da cultura deles. Os bolivianos usam-na para fazer infusões com fins medicinais, como o eficientíssimo “té de coca”, quase mágico no combate aos efeitos da altitude no altiplano da Bolívia.

Por toda região dos Andes (sobretudo na Bolívia, no Peru, no Equador e na Colômbia), a folha de coca é amplamente consumida e industrializada. Pode-se comprar chá de coca industrializado ou a própria folha até em supermercados.

Ainda assim, o boliviano, proporcionalmente, usa muito menos drogas do que os povos de países mais ricos que importam ilegalmente da Bolívia a matéria-prima da cocaína. Consome-se menos maconha, menos ecstasy, quase nada de crack e até a própria cocaína. O boliviano não gosta de se drogar como os povos dos países mais ricos.

Na verdade, apesar de que, sob Evo Morales, a Bolívia deixou de ser o país mais pobre da América Latina, aquele ainda é um país paupérrimo e sem recursos. É muito mais difícil para a Bolívia fiscalizar todo seu território. Nem o Brasil, com todos os seus recursos, consegue.

O discurso de Serra vai ao encontro do discurso americano sobre impedir o milenar cultivo de coca nos Andes. É óbvio que, como nessa região se produz enorme parte da coca cultivada hoje – que, inclusive, tem fins farmacológicos no mundo inteiro –, é dos países andinos que vem a matéria-prima da cocaína.

Cabe a cada país fazer como a Bolívia e coibir a produção, o consumo e o tráfico de cocaína, fiscalizar fronteiras, reduzir a miséria de forma a reduzir a mão-de-obra da indústria da droga, a qual se vale das populações carentes para transportar e vender sua produção.

Como Serra fracassa miseravelmente em combater o crack em São Paulo – sobretudo na capital, onde se fuma a droga em certas regiões da cidade à vista de todos, inclusive da polícia, e o Estado não faz nada -, ele inventou essa farsa contra a Bolívia e pôs seu jornal para endossá-la valendo-se de fontes anônimas apresentadas como se fossem oficiais.

É inútil e farsesco eleger a Bolívia como culpada pela nossa dificuldade de lidar com as drogas. Aliás, trata-se de uma dificuldade que até os países mais ricos têm, o que fez com que vários deles as legalizassem. Esse discurso só serve mesmo para um candidato como Serra, que não sabe o que dizer para convencer o eleitorado a elegê-lo.

http://www.blogcidadania.com.br/2010/05/bolivia-consome-menos-drogas-do-que-o-brasil/
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