LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Lições de alquimia



Lições de alquimia

Posted: 02 May 2010 07:11 PM PDT

Vamos bater palmas para os editorialistas da mídia. O talento merece ser reconhecido. São uns alquimistas fora-de-série. Essa manchete de hoje da Folha, por exemplo:


Não entendo como funciona o mecanismo, mas o jornal consegue converter o esforço do governo em investigar e reprimir crimes de corrupção, inclusive em estatais, através do investimento que fez na Polícia Federal, em um defeito. Outra proeza, que complementa a primeira, é transformar a vítima, que é a Petrobrás, enganada por lobbies e cartéis clandestinos formados por seus fornecedores, em culpada.

Ninguém é inocente. Não boto a mão no fogo por nenhum ser humano ou entidade. Uma empresa com milhares de funcionários e com tanta verba como a Petrobrás, certamente deve abrigar muita corrupção.

O que impressiona, no entanto, é a ginástica verbal da Folha, em somar números fornecidos pela Polícia Federal, referente a meras suspeitas (embora baseadas em investigações) de crimes cometidos nos últimos 2 anos, e fazer disso uma condenação peremptória envolvendo 1,4 bilhão de reais. A reportagem traz informações importantes, mas a maneira como é apresentada confunde o leitor.

*

Outra lição de alquimia é sobre a participação de Lula e Dilma nos festejos de Primeiro de Maio. É evidente que, fosse Serra ou qualquer político conservador que tivesse sido ovacionado num evento similar, a mídia estaria hoje dando amplo destaque ao sucesso do candidato. Serra, aliás, foi convidado.

A mídia conseguiu, com talento inegável, transformar a participação de Lula e Dilma nas festas de São Paulo num factóide negativo.

Ontem mesmo eu fiquei pensando: será que Lula não deveria participar do famoso Primeiro de Maio do ABC? Há 13 anos que a festa acontece com patrocínios das centrais, de empresas estatais e privadas. É uma festa tradicional, já consolidada na agenda cultural e turística da região. Lula não participou de nenhuma edição recente da festa, mas desta vez, em seu último ano, resolveu aparecer. Afinal não é Lula o símbolo máximo daquela festa? Não é ele o próprio ícone maior do trabalhador que venceu? Lula não é cria do ABC? Não é a figura mais importante no nascimento do novo sindicalismo no Brasil? Não é o idealizador e fundador da maior central sindical do país, a CUT? Não está Lula se despedindo do governo este ano?

As centrais fizeram o certo. Chamaram Serra e todas as lideranças partidárias. Foi quem quis. Foi quem se identifica com os trabalhadores. E Lula foi e foi aclamado, como era de se esperar. E Dilma foi aclamada, como era de se esperar.

Mas a mídia conseguiu. Em vez de analisar a força da candidata junto a núcleos sócio-políticos tão importantes, ela entra no jogo da oposição, de criminalizar qualquer manifestação popular de apoio à Dilma. Qualquer frase do presidente ou de seus aliados tem "mensagem eleitoral subliminar".

As estatais deram dinheiro ao Primeiro de Maio, sim, mas elas também dão dinheiro para congressos da Fiesp em Comandatuba. Não pode dar aos sindicalistas? Por que eles gostam do Lula?

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Deve-se reconhecer o talento da mídia. Para escapar às suas astúcias, é preciso queimar muita pestana, diariamente. Enquanto o governo de SP dá 465 milhões de reais para empreiteiras, a título de misteriosas dívidas "atrasadas" dos anos 80, as estatais federais não podem dar 1 milhão de reais às mais importantes festas populares do ABC paulista.

O Instituto FHC já ganhou R$ 10 milhões em incentivos fiscais, a Globo ganhou R$ 3 milhões do governo federal para fazer o Memorial da UNE, e mesmo assim o jornalão dos Marinho acha estranho que as estatais patrocinem as festas do Primeiro de Maio, a data mais importante do movimento trabalhista brasileiro e mundial.

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Eu bato palmas porque vejo que dá resultado. Muita gente passou a ver Lula como uma espécie de usurpador. Ele está lá por engano. Não pode, por isso mesmo, participar de nenhuma festa bancada pelo governo. Nem parece que ele está lá porque mais de 60 milhões de brasileiros assim quiseram. A oposição já disse que entrará na Justiça por ele ter falado à TV e por ter ido ao Primeiro de Maio.

Segundo essa lógica, FHC não poderia ter participado dos festejos de 500 anos, aquela palhaçada elitista, em que o povo foi proibido de entrar em Porto Seguro.

Ora, o governo federal e suas estatais sempre foram os maiores patrocinadores de eventos no Brasil. A participação do presidente da república prestigia o público. Alguém viu aí quanto as estatais deram para a Agrishow? Como se trata de agronegócio, não há nenhuma matéria negativa. Dilma foi, Serra foi, tudo bem.

O que vimos na imprensa foi um show de preconceito contra o sindicalismo brasileiro, desde sempre visto como inimigo. Se o PSDB apenas consegue reunir sua massa cheirosa uma vez a cada vinte anos, Lula mostrou mais uma vez que as multidões estão a seu lado todos os dias do ano, com ou sem patrocínio da Petrobrás, cheirosas ou não.
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