LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sábado, 29 de maio de 2010

Serra, desagregador, quer achar inimigo externo?


Cracolândia, em São Paulo: agentes infiltrados por Evo seriam os responsáveis por essa tragédia paulistana?

O MERCOSUL é fruto de uma longa e cuidadosa construção diplomática.

A idéia de um mercado comum do Cone Sul (reunindo Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai; e depois atraindo Bolívia como membro-associado, e Venezuela como candidata a membro-pleno) surgiu ainda no governo Sarney.

Collor, Itamar, FHC e Lula mantiveram a política de agregar e fortalecer o bloco.

No governo Lula, especialmente, a política de unir os países sul-americanos ganhou novos contornos, deixando de lado "apenas" o foco econômico (que estava na base do MERCOSUL), para desembocar na UNASUL (uma união mais ampla, política, e que tem a pretensão, até, de unificar os sistemas de Defesa de todos os países da América do Sul).

Faço questão de ressaltar que, mesmo durante os governos Collor e FHC (que tinham ligações mais estreitas com os modelos fabricados no Norte), ninguém ousou dinamitar o esforço de unificação dos países sul-americanos.

Trata-se de um processo fundamental para o Brasil: uma política de Estado, não de governo. Um MERCOSUL (em primeiro lugar) e uma UNASUL mais fortes significam um Brasil com mais peso internacional.

Pois bem. Serra ameaça jogar por terra todo esse esforço. O candidato tucano, nesse início de campanha, já ousou atacar o MERCOSUL (numa desastrada fala para empresários), e agora ataca frontalmente a Bolívia - um país irmão.

Serra, como se sabe, é um desagregador. O Alkcmin e o Aécio que o digam... Mas eu não imaginava que ele iria tão longe.

Serra mostra o que seria sua politica externa: desagregação, desmanche de todo o esforço feito para construir a unidade da América do Sul.

O candidato tucano diz - de forma desrespeitosa - que a Bolívia é a responsável pela cocaína consumida no Brasil. Diz que para "proteger" os jovens brasileiros é preciso pressionar a Bolívia a combater a produção de cocaína.

Pressionar, como? Ele quer mandar tropas brasieliras para a Bolívia, como os EUA fazem com a Colômbia? Serra tem um "Plano Bolívia" no bolso?

Diante da reação boliviana, o tucano faz graça (ele, de fato, se acha engraçado) e diz que as falas dos bolivianos "não valem uma nota de três" - http://noticias.terra.com.br/eleicoes/2010/noticias/0,,OI4455870-EI15315,00-Em+PE+Serra+diz+que+reacao+da+Bolivia+nao+vale+nota+de+R.html

Na verdade, trata-se de desespero puro. É a velha história: quando o sujeito se sente fraco, busca um inimigo externo. A Bolívia é uma espécie de Ilhas Malvinas de Serra!

Serra precisa gerar fatos novos. Ele cai nas pesquisas, e Dilma sobe. Os estrategistas já perceberam que insistir no caminho de elogiar Lula e evitar o choque é suicídio. Pesquisas devem ter mostrado que o eleitor considera Lula muito "bonzinho" no trato com Evo (e também com Lugo, no Paraguai).

Diante disso, Serra não hesita. Se for preciso dinamitar o MERCOSUL e a UNASUL para chegar à presidência, ele o fará.

Seria um atraso gigantesco para nosso Continente. Como já mostrou Bernardo Joffily, em texto publicado aqui -http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/serra-o-mau-vizinho-ataca-bolivia-e-mercosul.

http://www.rodrigovianna.com.br/vasto-mundo/serra-desagregador-quer-achar-inimigo-externo
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