LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Dilma vai ao J N e Bonner perde a linha



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por João Paulo Marat
joaopaulomarat@gmail.com


A campanha presidencial começou ontem a sua segunda fase: as entrevistas na bancada do Jornal Nacional, o telejornal de maior audiência do país, que já mudou destinos de eleições. A primeira a ser entrevistada pelo casal Fátima Bernardes e William Bonner foi a candidata do PT, Dilma Rouseff. A candidata alvo das atenções de todo o país era ela mas, em vários momentos, quem perdeu a serenidade foi Bonner.
Foram oito perguntas em pouco mais de 10 minutos de entrevista. Nenhuma das questões incluía dúvidas sobre programas de governo. Eram questões críticas a posturas do partido, da candidata, em seus aspectos pessoais e profissionais. Dilma começou nervosa. Suando, com a testa brilhando e suor sob o nariz, tentava manter-se controlada todo o tempo. Exibia sorrisos forçados, que não deveriam estar ali. Parecia querer passar uma imagem simpática, mas não provocava empatia com o público, que notava a artificialidade. Estranho, parecia que sua voz sumia.
Mesmo assim, Dilma prosseguiu e, passados alguns minutos, mais à vontade, melhorava seu desempenho. Respondia pacientemente e tentava dizer aos eleitores porque era a melhor opção de voto. Foi quando o editor-chefe do Jornal Nacional começou a ficar impaciente e interrompeu a candidata em vários momentos, impedindo até que ela concluísse raciocínios ou terminasse frases. O clima passou a ser de terror. Para os que são contra o PT, Bonner massacrou merecidamente a petista. Para os petistas, a postura de Bonner foi rude, grosseira e parcial. Pior, mostrava sua simpatia por outro candidato. O certo é que algo passou das medidas.
Auxiliado no ponto eletrônico pelos diretores do Jornalismo da TV, Carlos Henrique Schroeder e Ali Kamel, Bonner fazia acusações, Dilma tentava responder, mas o editor do JN impedia, recusava-se a escutar. Era como se não aceitasse as argumentações de Dilma. Esqueceu-se de algo fundamental: a candidata não falava para ele, mas para os quase 80 milhões de brasileiros ligados no jornal. Por várias vezes interrompeu a petista até que, com um gesto, Fátima Bernardes pediu para que ele parasse. Ficava evidente assim o destempero.
De conteúdo que possa ajudar ao eleitor a decidir seu voto, quase nada. A entrevista continuou, e Dilma cresceu um pouco. Enrolou com talento, mostrou-se firme. Escorregou na geografia ao afirmar que a Baixada Santista ficava no Rio de Janeiro. Mas, em outros momentos, ganhou a cena. Ao ser perguntada sobre sua ligação com Lula, mostrou sinceridade em dizer de sua histórica admiração por ele.
Sobre o controle que o presidente exerce sobre ela, teve personalidade: "O pessoal tem que escolher o que eu sou. Uns dizem que eu sou uma mulher forte; outros, que eu tenho um tutor". Sobre alianças suspeitas e sobre a afirmação de Bonner de onde o PT errou ao se aliar a políticos que antes criticava, Dilma mais uma vez mostrou-se bem e virou o foco da questão. "A pergunta é outra: onde o PT acertou? O PT acertou ao perceber que é preciso governar o país com uma aliança ampla. Nós não aderimos ao pensamento de quem quer que seja", disse.
No final, saldo positivo para a candidata. Na Internet, os elogios. "Dilma dominou a cena. Pareceu mais à vontade que os entrevistadores", disse o colunista do Globo Ricardo Noblat. "Saiu-se bem a candidata Dilma no JN. Um pouco acima das expectativas dos adversários e um abaixo da de sua equipe exigente. Oito, em nota", cravou o jornalista e analista político de O Globo Jorge Bastos Moreno. "Dilma foi bem em algumas respostas, como ao falar das contradições políticas do PT dizendo que é preciso construir aliança ampla", avaliou Miriam Leitão, também do Globo.
Depois da TV Globo, Dilma Rousseff deu entrevista à Globo News. Desta vez, bem mais amena. Após, foi elogiada por Merval Pereira e Cristiana Lobo.
O destaque esdrúxulo ficou para a destemperança do editor-chefe do Jornal Nacional, William Bonner, pois não há razão para que agisse assim. O problema é que, para manter a igualdade de tratamento, justa e esperada, Bonner precisará manter a mesma postura para os outros candidatos, o que significa, por exemplo, cobrar de José Serra a aliança com Orestes Quércia, ou sobre o fato de José Roberto Arruda ter sido considerado o vice de seus sonhos, tudo com a mesma intensidade que fez com Dilma. A conferir.
http://desabafopais.blogspot.com/2010/08/dilma-vai-ao-jn-e-bonner-perde-linha.html

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