LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Serra e o programa clandestino

Por Emiliano José

Estou impressionado com o discurso do Serra. O País está à espera de um programa de governo, de uma idéia básica, de um projeto, e o que ele apresenta são aspectos pontuais, desconexos, como se não tivesse programa. Ele, em verdade, esconde um programa. Que ninguém tenha dúvida disso. O PSDB tem um programa para o Brasil. O povo brasileiro já o experimentou. O neoliberalismo, que foi tão bem executado por Fernando Henrique Cardoso e que nos levou ao fundo do poço, é o programa do PSDB e do Serra.

Claro, hoje, por variadas razões, algumas das quais trataremos aqui, Serra tenta a todo custo esconder Fernando Henrique Cardoso, de quem todo o PSDB atualmente foge como o diabo da cruz. Acho que não é justo. Devia fazer justiça a Fernando Henrique Cardoso, que cumpriu tão fielmente o ideário neoliberal, foi um militante aplicado da ideologia tucana, e agora se vê excluído, um maldito dentro do partido do qual já foi estrela maior.

Devia apresentá-lo como exemplo de um intelectual orgânico eficaz do Consenso de Washington, defensor de um padrão de desenvolvimento fundado na submissão ao capital internacional e ao FMI, um eficaz gerente das privatizações, um governante que soube ser fiel, impressionantemente fiel, aos desejos das nações hegemônicas do capitalismo internacional, particularmente aos desejos dos EUA.

Por que esconder tudo isso, já que é esse o programa do PSDB? Por que tentar ignorar o que foi feito? Só porque isso quase nos leva à falência? Só porque isso nos levou três vezes ao FMI e nos deixou atrelados àquele organismo durante todo o tempo? Só porque, com tal política, éramos incapazes de suportar qualquer aragem de crise em qualquer canto do mundo? Talvez essas sejam algumas das razões pelas quais o PSDB esconde Fernando Henrique e o Serra não apresente um programa coerente, ficando adstrito a questões tópicas, como a de aparecer como o milagreiro da Saúde, como se fosse o pai dos genéricos. E agora, José?

Ao não apresentar um programa, melhor, ao não revelar o seu programa para o País, ao tentar escondê-lo, fica refém de um discurso das trevas, que não fica bem num político que amargou o exílio e que era contra a ditadura. E ele nem se envergonha de empunhar a bandeira da direita raivosa do País, atacando o MST de modo rasteiro, tentando caluniar o PT em relação às FARC e o narcotráfico, depois de mandar o Índio da Costa antecipar tais calúnias.

Está mais que na hora de desmascarar essa tática de esconder o projeto. Nós, do PT, temos um projeto para o Brasil. Que está dando certo. Que tem o povo brasileiro como prioridade. Que adota políticas públicas de distribuição de renda. Que pretende o desenvolvimento econômico para isso: cada vez mais distribuir renda. E que tem no Estado um instrumento essencial. Que estimula o mercado, mas que não coloca o Estado de joelhos diante do mundo privado. Que conseguiu pela primeira vez na história, por isso mesmo, criar um mercado de massas. Porque distribuiu renda com as políticas públicas, com o aumento real do salário mínimo, com uma política econômica que fez o Brasil crescer.

E que não adotou a política absurda de privatizações que o governo tucano executou com tanta dedicação, destruindo boa parte da força do Estado, enfraquecendo o Estado, tal e qual rezavam os ideólogos neoliberais de todo o mundo. A Petrobras, o Banco do Brasil, a Caixa Econômica seriam privatizados sob um governo Serra, não há dúvida nenhuma. O Fernando Henrique deu os primeiros passos para a privatização da Petrobras. O povo brasileiro impediu isso ao eleger Lula em 2002, e a Petrobras é hoje uma das maiores empresas do mundo no seu setor.

Quem quer que tenha assistido ao Jornal Nacional do dia 11 de agosto terá visto um Serra nervoso, claudicante, sem ter o que dizer, sem projeto, dizendo-se de origem humilde, tentando não atacar Lula, chegando até a elogiar aspectos do governo, insistindo em aspectos pontuais e refém de um slogan publicitário na linha de o Brasil pode mais. E se o Brasil pode mais, é evidente que o povo irá preferir o projeto que está dando certo há quase 8 anos, como as pesquisas estão indicando. As mudanças precisam continuar, e na linha do que está sendo feito pelo governo Lula.

A população brasileira já percebeu que não pode vacilar em relação à proposta de continuidade e avanço das políticas em execução no Brasil. Pra que vai mexer em time que está ganhando?

Creio que a nossa campanha deve insistir com o Serra: qual é o seu programa para o Brasil? Será igual ao do Fernando Henrique Cardoso? Se não aceita o legado de Fernando Henrique Cardoso, então qual é mesmo o projeto? Não vale dizer que será igual ao do governo do PT. Queremos saber sobre privatizações, sobre o papel do Estado, sobre distribuição de renda, sobre Pronaf, sobre Prouni, sobre política para o salário mínimo, sobre a questão agrária.

E, também, sobre política externa. Ele, ao lado da mídia, tem se alinhado à política belicista dos EUA. Nós temos adotado uma política multilateral, essa tem sido a orientação do governo Lula, seguido com brilhantismo pelo ministro Celso Amorim. Não somos reféns dos grandes. Podemos concordar e discordar. E somos amigos e defensores da paz. Não embarcamos nas aventuras guerreiras do Império. Serra tem que dizer qual o seu programa para o País, inclusive se defende uma relação de alinhamento incondicional com os grandes, especialmente com os EUA, como o fez tão docilmente Fernando Henrique. Nós temos que chamá-lo para a discussão de projeto, fazer com que ele desengavete, tire da clandestinidade o projeto neoliberal que ele acalenta. Os tempos são outros. Clandestinidade foi pra outra época. E agora, José?

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