LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Ana Recalde: A política e o futuro do país

da Rede MobilizaçãoBR

Antes de qualquer coisa devo colocar a minha posição aqui: eu sou a favor da descriminalização do aborto e a favor da união civil entre pessoas do mesmo sexo. Pronto. Ainda mais, sou petista e voto na Dilma.

Nessa campanha vimos (e ainda estamos vendo) uma parte da sociedade fazer um jogo muito sujo na rede sobre a posição da Dilma e do PT nessas duas questões fundamentais.

Não é segredo que o PT esteve ao lado dos movimentos civis das mulheres em sua história, e retaliações conservadoras estiveram presentes por todo o caminho. Eram as mesmas reclamações de medos em 2002, quando o Lula se elegeu. “Como o PT seria no governo?” todos se perguntavam.

Oito anos depois vimos, mais que nunca, que um presidente não governa sozinho, nem mesmo o seu partido pode mudar as coisas sozinho. Essa é a grande beleza da democracia, as várias vozes.

Nem o Lula mudou a cor da bandeira, nem quebrou o país, como alguns diziam. A esperança de fato venceu o medo e o que vimos depois é que o candidato que todos tinham mais medo, foi o presidente que mais ouviu a sociedade ao governar.

Não teve “cala a boca” para nenhum movimento social e ao contrário do que o PIG quer nos convencer, a liberdade de expressão norteou o governo Lula, principalmente na internet, com o acesso aos computadores e uma rede mais barata. Trouxe a pauta do software livre, que antes era um assunto marginal.

Hoje acompanhamos uma avalanche de “denúncias” contra a Dilma. Algumas completamente absurdas e mentirosas (como a sua ficha falsa) e outras distorções grotescas da realidade. Usam a fala da nossa candidata e colocam em cima uma edição tosca e de mal gosto, onde ela ressalta que o aborto é uma questão de saúde pública.

Moralistas e religiosos se colocaram na posição de demonizar ao invés de ver uma coisa muito simples, ela é candidata a presidente de uma república. A república não pode ter religião. E um candidato não pode representar apenas uma parte da sociedade. Nem a Dilma, nem nenhum candidato.

Um presidente é a representação do país e deve respeitar todos os movimentos sociais e igrejas como entidades que formam a nossa democracia. E dar voz a eles. Mas não representar apenas UM deles.

Temos muitos exemplos de como pode ser ruim quando a religião se torna o foco do governo, temos chacinas e massacres para provar isso. Tanto uma religião em si, quanto a negação da religião. A verdade é que em uma democracia devemos valorizar a liberdade de culto. E acima de tudo, valorizar a liberdade.

E nós, militantes da Dilma, que vamos fazer diante a essa invasão?

Ficaremos quietos?

Não responderemos?

Nos colocaremos como donos da verdade que não vão às raízes para responder e, mais que isso, discutir política?

O fato é que, sem querer, esses assuntos tão importantes estão na pauta dos brasileiros, e mais que nunca é o momento de discutir políticas públicas. A oposição chutou uma bola fenomenal, fez um cruzamento, basta a nós chutar a gol.

Vamos então, como há muito tempo não fazíamos, sair às ruas discutindo política de verdade. Devemos atacar que está replicando? Claro que não!

Essas pessoas sim foram enganadas, com ilusões de outros que tem interesses escusos nessa história. A conversa é um a um. Na sua casa, na faculdade, na escola e na internet.

Esclarecer pontos importantes, como o fato do congresso fazer as leis e não o presidente. Deixar claro que a união civil não obriga nenhuma igreja a realizar casamento entre pessoas do mesmo sexo. Colocar os dados de morte e esterilização de mulher que fazem o aborto caseiro, entre tantas outros temas.

Não é mais apoiar a Dilma, ou a Marina, ou quem quer que seja, mas discutir como nunca antes o papel do estado na vida das pessoas, mas com a verdade!

Com uma discussão politizada e de alto nível.

Convido os movimentos sociais a fazerem reuniões sobre isso, às mulheres para se posicionarem, aos homens que vêem mais que apenas um problema feminino, porém social, independente do candidato que você apóia hoje ou apoiou no primeiro turno.

Se em 2002 a esperança venceu o medo, em 2010 a verdade vencerá a mentira. E vamos fazer a política real, plural e democrática!

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