LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Lembretes para o segundo turno de 2010

DEBATE ABERTO

É bom não esquecer que Serra não apresentou qualquer programa. Mas seu último ato significativo no governo de S. Paulo foi a privatização da
Nossa Caixa, brecada porque adquirida pelo Banco do Brasil. Isso é um
bom prognóstico para o que vai acontecer com o Banco do Brasil. Caixa
Econômica Federal, Petrobrás, etc.

Flávio Aguiar

Aos meus amigos verdes, gostaria de lembrar que Fernando Gabeira já declarou apoio a Serra, o que mostra como de fato ele considera Marina
da Silva e as instâncias do próprio partido.

Assim como a causa ambiental, uma vez que entre Serra/DEM/Índio da Costa e causas ambientais há uma distância de anos-luz.

É bom lembrar também que Serra ganhou nos estados do chamado “espinhaço
do agro-business”, que vai de Santa Catarina a Rondônia. Isso permite
uma bela previsão do que vai ser o seu governo, muito mais do que frases
sem cabeça nem pé.

A propósito de anos-luz: o que ajudou a empurrar Serra para o segundo turno, dando mais votos a Marina, foi a
campanha obscurantista, retrógrada, caluniosa e que usa o nome de todas
as religiões em vão, acusando, por exemplo, Dilma Rousseff de ser a
favor do aborto.

Aos preocupados com a liberdade de imprensa, lembro que na mídia que apóia a candidatura de Serra, velada ou
abertamente, desde 2006 tornaram-se comuns as “operações limpeza”
(inclusive a pedido), eliminando jornalistas (inclusive de renome)
dissidentes (como durante a ditadura) ou que não tocavam de acordo com a
música.

Já a quem se preocupe com política externa, lembro que, se Serra levar a sério suas declarações durante a campanha, erguerá
uma cortina de ferro nas fronteiras do nosso país, acabando com a
integração continental. Sem falar que retornaremos aos tempos do
beija-mão e da barretada à potência de plantão. O Brasil vai perder
todo o prestígio que acumulou nos últimos anos. Vai murchar em matéria
de contatos com a África, Ásia e América Latina, sem que isso
signifique uma melhor posição diante da Europa ou da América do Norte.

Se a preocupação for com a idéia de que “é bom alternar quem está no
poder”, sugiro que comecemos por pensar no caso de S. Paulo, o segundo
orçamento da nação, que completará vinte anos sob a batuta da coligação
PSDB/DEM, com resultados precários na educação, saúde e segurança.

Para quem ache que “é tudo a mesma coisa”, lembro que a arte da política
(de acordo, entre outros, com Gramsci) é a de discernir as diferenças
para além das aparentes semelhanças, e que essas diferenças aparecem
mais pelo acúmulo de atos do que pelo de palavras e promessas.

Lembro ainda que, devido aos resultados do primeiro turno, uma vitória de
Serra vai transformar o governo federal em cabide para uma penca de
políticos subitamente desempregados da sua coligação, que já deviam
estar defenestrados (pelo voto, como foram) da nossa vida pública há
muito tempo.

É bom não esquecer que Serra não apresentou qualquer programa. Mas seu último ato significativo no governo de S.
Paulo foi a privatização da Nossa Caixa, brecada porque adquirida pelo
Banco do Brasil. Isso é um bom prognóstico para o que vai acontecer com o
Banco do Brasil. Caixa Econômica Federal, Petrobrás, etc.

Ao invés de programas, Serra distribuiu gestos e palavras a esmo. Dizer
que quem fuma é contra Deus, puxar Ave Maria em missa, falar em
austeridade fiscal e ao mesmo tempo prometer aumentos vertiginosos do
salário mínimo, dizer que tem preocupação ambiental e ao mesmo tempo
prometer no Pará que vai mexer na legislação que protege a Amazônia não
é um programa nem um bom começo para quem quer alardear honestidade
política e coerência.

E por aí se vai.

Dilma, por sua vez, defende um programa (que pôs em prática) ao mesmo tempo social e
austero, demonstrou ser uma candidata de idéias próprias e não um
factóide de si mesmo que fica esgrimindo promessas a torto (sobretudo) e
a direito. Foi atacada, caluniada, difamada e manteve a linha o tempo
inteiro (ao contrário de Serra, que seguido perdeu a linha quando
confrontado com perguntas incômodas), não recorreu a esses golpes
baixos tão típicos das campanhas da direita. Não é o caso de se
concordar com ela em tudo. Mas Dilma é diálogo.

Leia, medite e passe adiante, se achar que é o caso. Obrigado pelo seu tempo.

Flávio Aguiar é correspondente internacional da Carta Maior em Berlim.

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