LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Marina,... você se pintou?

Transcrevo abaixo a mensagem de recebi hoje (05/10/2010) da minha querida mamãe de 73 anos, a Dona Albertina.

Últimamente ela anda muito ansiosa e busca de toda maneira dar respostas as ofensas feitas a Dilma através dos vários e-mails que têm recebido, inclusive de pessoas muito próximas e queridas dela.
Esta mensagem ela recebeu do Frei Gilvander (identificado no final) e quando nos repassou fez o seguinte comentário:
"Concordo com ele, só quero dizer que Dilma é a candidata dos nossos sonhos, do povo brasileiro"

Segue abaixo a mensagem:

Amiga/o, eis, abaixo e em anexo, um pequeno texto -"Marina, ... você se pintou?"- de Maurício Abdalla, professor de filosofia da UFES, assessor do Movimento Fé e Política, de
Comunidades Eclesiais de Base, um intelectural orgânico, além de ser
grande amigo nosso e companheiro de lutas por justiça social e pela
construção de uma sociedade sustentável. Maurício Abadalla escreveu o
texto que eu estava pensando em escrever. Assino embaixo do inspirador
texto que Maurício Abdalla endereçou a Marina Silva. Cf. abaixo ou em anexo. Se gostar, divulgue!

Marina,... você se pintou?

Maurício Abdalla [1][1]

“Marina, morena Marina, você se pintou” – diz a canção de Caymmi. Mas é
provável, Marina, que pintaram você. Era a candidata ideal: mulher,
militante, ecológica e socialmente comprometida com o “grito da Terra e o
grito dos pobres”, como diz Leonardo Boff.

Dizem que escolheu o partido errado. Pode ser. Mas, por outro lado, o que é
certo neste confuso tempo de partidos gelatinosos, de alianças surreais e
de pragmatismo hiperbólico? Quem pode atirar a primeira pedra no que
diz respeito a escolhas partidárias?

Mas ainda assim, Marina, sua candidatura estava fadada a não decolar. Não
pela causa que defende, não pela grandeza de sua figura. Mas pelo fato
de que as verdadeiras causas que afetam a população do Brasil não
interessam aos financiadores de campanha, às elites e aos seus meios de
comunicação. A batalha não era para ser sua. Era de Dilma contra Serra.
Do governo Lula contra o governo do PSDB/DEM. Assim decidiram as
“famiglias” que controlam a informação no país. E elas não só decidiram
quem iria duelar, mas também quiseram definir o vencedor. O Estadão dixit: Serra deve ser eleito.

Mas a estratégia de reconduzir ao poder a velha aliança PSDB/DEM estava
fazendo água. O povo insistia em confirmar não a sua preferência por
Dilma, mas seu apreço pelo Lula. O que, é claro, se revertia em intenção
de voto em sua candidata. Mas “os filhos das trevas são mais espertos
do que os filhos da luz”. Sacaram da manga um ás escondido. Usar a
Marina como trampolim para levar o tucano para o segundo turno e ganhar
tempo para a guerra suja.

Marina, você, cujo coração é vermelho e verde, foi pintada de azul. “Azul
tucano”. Deram-lhe o espaço que sua causa nunca teve, que sua luta junto
aos seringueiros e contra as elites rurais jamais alcançaria nos
grandes meios de comunicação. A Globo nunca esteve ao seu lado. A Veja, a
FSP, o Estadão jamais se preocuparam com a ecologia profunda. Eles
sempre foram, e ainda são, seus e nossos inimigos viscerais.

Mas a estratégia deu certo. Serra foi para o segundo turno, e a mídia não
cansa de propagar a “vitória da Marina”. Não aceite esse presente de
grego. Hão de descartá-la assim que você falar qual é exatamente a sua
luta e contra quem ela se dirige.

“Marina, você faça tudo, mas faça o favor”: não deixe que a pintem de azul
tucano. Sua história não permite isso. E não deixe que seus eleitores se
iludam acreditando que você está mais perto de Serra do que de Dilma.
Que não pensem que sua luta pode torná-la neutra ou que pensem que para
você “tanto faz”. Que os percalços e dificuldades que você teve no
Governo Lula não a façam esquecer os 8 anos de FHC e os 500 anos de
domínio absoluto da Casagrande no país cuja maioria vive na senzala. Não
deixe que pintem “esse rosto que o povo gosta, que gosta e é só dele”.

Dilma, admitamos, não é a candidata de nossos sonhos. Mas Serra o é de nossos
mais terríveis pesadelos. Ajude-nos a enfrentá-lo. Você não precisa dos
paparicos da elite brasileira e de seus meios de comunicação. “Marina,
você já é bonita com o que Deus lhe deu”.

[1][1] Professor de filosofia da UFES, autor de Iara e a Arca da Filosofia (Mercuryo Jovem), dentre outros.

Um abraço terno. Gilvander Moreira, frei Carmelita.
e-mail: gilvander@igrejadocarmo.com.br

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skype: gilvander.moreira

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