LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Aos 97 anos, Elzita Santa Cruz ainda luta por informações sobre seu filho Fernando, “desaparecido” da ditadura.

A revista Carta Capital de 1º de dezembro publica na seção “Retratos Capitais” uma bela e trágica foto. Ao lado do monumento aos torturados, Elzita Santa Cruz é fotografada em toda sua beleza aos 97 anos de idade. E a legenda: “Aos 97 anos ainda luta por informações sobre o filho Fernando, “desaparecido” nos porões da ditadura.

Fernando Santa Cruz era filho do médico sanitarista Lincoln Santa Cruz Oliveira e Ezita Santo de Santa Cruz Oliveira. Era líder estudantil em Pernanbuco. Com o Ato Institucional Nº 5 mudou-se para o Rio de Janeiro. Passou no vestibular de Direito da Universidade Federal Fluminense. Foi eleito para o Diretório Acadêmico, depois Diretório Central dos Estudantes. Em 1972 mudou-se para São Paulo.

Em 1974, Fernando e a mulher viajam ao Rio de Janeiro. Ele decide visitar amigos da luta contra a ditadura. No dia 23 de fevereiro, sábado de Carnaval, marcou encontro com seus amigos e nunca chegou. Simplesmente desapareceu. Tornou-se um ícone da luta e da resistência à ditadura militar (1964-1985). Foi mais uma vítima do método repressivo que implicava em sequestro, cárcere privado, tortura, assassinato e ocultação de cadáver.

O livro “Direito à Memória e à Verdade”, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, registra que 475 pessoas morreram ou “desapareceram” por motivos políticos durante a ditadura militar. O termo “desaparecido político” passou a designar os militantes políticos assassinado pela repressão militar brasileira. O auge dos desaparecimentos ocorreu durante os governos dos ditadores Emílio Médici e Ernesto Geisel. Médici era considerado um psicopata. Particularmente brutal.

Foi essa ditadura terrorista que a Folha de S. Paulo chamou de “ditabranda” porque teria matado “apenas” 475 pessoas.

É essa mesma Folha de S. Paulo que insiste em publicar os arquivos sobre a presidente eleita Dilma Rousseff, com depoimentos tomados sob tortura.

Tudo isso me ocorreu quando vi a foto de Elzita Santa Cruz, com aquela serenidade do alto de seus 97 anos. Lá na última página da revista Carta Capital.

Nenhum comentário: