LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Fazendo as pazes com a nossa história



Dizem que quem não conhece a sua história, está condenado a repeti-la. Eu sempre fui apaixonada pela história, pela evolução dos modos de produção, pelas lutas de todos os povos por sua liberdade.

Eu me emociono quando leio Camões e o sacrifício daqueles que navegaram para o Brasil, “navegar é preciso”. Quando ouço a história dos escravos e quilombolas, das mãos que foram acorrentadas e trazidas contra sua vontade para construir a riqueza desta terra.

Desde a escola aprendemos sobre a luta pela liberdade dos escravos, pela república, e lá mesmo conhecemos nossos heróis: Zumbi, Tiradentes, Chico Mendes. Todos cidadãos brasileiros que não tiveram medo de colocar sua vida em risco por um ideal, um Brasil mais justo.
Na escola também aprendi nosso hino e sinto no peito quando canto “verás que um filho teu não foge à luta”. Sabemos desde pequenos que, aqueles que colocam o bem estar do país acima do seu próprio, são heróis.



Não é segredo que nossos heróis foram perseguidos e transformados em criminosos, caçados ou mortos. Por isso mesmo, é impossível não se lembrar da ditadura militar. Quando uma pátria estrangulada pediu ajuda para seus filhos, que não fugiram e colocaram o bem estar de sua mãe, acima do seu.

Muitos foram torturados, muitos foram mortos. Jovens de 19 anos foram considerados criminosos perigosos e tratados com os rigores de uma país sem lei, que aprendeu técnicas cruéis para arrancar confissões. Aqueles mais fortes agüentaram e se apoiaram em sua convicção para suportar tal violência.

Esses heróis sofreram para hoje não precisarmos calar a nossa voz.
É possível pensar nisso sem que lágrimas venham aos nossos olhos? É possível escrever um blog ou um texto de denúncia sem lembrar daqueles que lutaram para isso?
Eu não consigo.
Não posso cometer o erro de ignorar a minha história, e quem sabe tem responsabilidades. O saber liberta e só existe liberdade com consciência.


Hoje recebo e-mails criminalizando e ofendendo quem lutou para que eu estivesse aqui e sinto medo de ainda estar na ditadura. Não na sua gestão de governo, mas na ditadura das mentes.

Vejo homens, que se dizem de bem, se levantando para apontar o dedo para aqueles que do seu sangue tiraram a nossa democracia. Vejo homens de Deus apontando o dedo para seus irmãos e dizendo que a violência contra eles é aceitável, que nossos companheiros não tem direitos por serem diferentes. Vejo a opinião pública se voltar contra as mulheres, com uma visão que minimiza o nosso corpo a um objeto.
Porém, dentro do peito, eu sorrio e me encho de força, vejo que o dia da eleição se aproxima. Lembro que somos uma democracia. Vejo que podemos votar em Dilma Rousseff.

Lembro que ainda há tempo de mostrarmos que não estamos mais em uma ditadura do pensamento, que podemos, enfim, acolher nossos heróis. Lembro que podemos fazer as pazes com nossa história e falar em alto e bom som que, terroristas são aqueles que usam o seu poder para ofender e enganar.

E finalmente, lembro que meu voto é um abraço e um sorriso para essa mulher guerreira que lutou por mim, mesmo sem saber quem eu era. O meu voto, além de ser a aprovação de 28 milhões fora da miséria, é o voto de agradecimento aos meus antepassados e sua luta.
Quando tivemos uma mulher no governo do Brasil foi assinada a Lei Áurea.

Hoje precisamos libertar o nosso povo que disfarçados de cidadãos ainda são escravos da miséria, um grilhão tão cruel quanto.
Pela erradicação da miséria, pelo Brasil mais justo, pela luta de Zumbi, pela luta da independência, pelos heróis anônimos das revoltas populares, por nossos companheiros que lutaram na ditadura, pelos muitos que morreram, por Dilma Vana, no domingo eu voto 13.

Ana Carolina Recalde

http://www.mobilizacaobr.com.br/profiles/blogs/fazendo-as-pazes-com-a-nossa

Nenhum comentário: