LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sábado, 20 de novembro de 2010

“Teremos que ser inovadores na política social”


18.11.2010

Foram mais de três horas de exposições e discussões sobre as formas para alcançar um dos principais compromissos da presidente eleita Dilma Rousseff: acabar com a pobreza extrema no Brasil. Hoje, a equipe de transição ouviu as ideias da ministra do Desenvolvimento Social, Márcia Lopes, e dois dos maiores economistas especializados no tema, Marcelo Neri e Ricardo Paes de Barros. Eles apresentaram propostas para a política social nos próximos quatro anos.

Os resultados do encontro, realizado no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, deixaram os 31 participantes muito entusiasmados. Tanto assim que foi sugerida a criação de um fórum permanente para debater as maneiras de combater a miséria e, principalmente, avançar em relação os programas bem sucedidos como o Bolsa Família criado pelo governo Lula. A presidente eleita quer uma reunião antes de sua posse.

"Eu pretendo ter uma relação sistemática e ir além do que foi feito no governo Lula. Nós queremos desenvolver uma relação com os atores envolvidos nesse assunto e criar fóruns específicos para elucidar questões específicas que vão ser colocadas necessariamente diante de nós. Temos que ser inovadores e não repetitivos”, afirmou Dilma.

Segundo ela, um dos méritos do fórum permanente a ser formado em seu governo é colocar na pauta a meta de erradicar a pobreza extrema. “Como aconteceu com a inflação, por exemplo, agora temos que fazer a mesma coisa com a pobreza extrema”, disse.

Como avançar

O debate foi coordenado pelo vice-presidente eleito, Michel Temer (PMDB-SP), além do grupo responsável pela parte técnica da transição, os deputados federais, Antonio Palocci (PT-SP) e José Eduardo Cardozo (PT-SP), e Clara Ant.

Márcia Lopes defendeu a necessidade de um fórum no governo só para discutir a pobreza. "Um espaço de discussão específico envolvendo as três esferas do governo é fundamental. Nós temos nos dedicado a perseguir estas realidades regionais e tem sido objeto de muita dedicação e esforço, mas precisamos avançar ainda mais", ressaltou.

O economista Ricardo Paes de Barros afirmou que as políticas sociais têm que ser integradas em nível familiar, com uma atenção muito grande para as crianças. Essa integração não deve acontecer apenas no território (uma favela, por exemplo), mas em cada família de acordo com as necessidades individuais. Sugeriu que, "ao contrário do Bolsa Família, que dá um pouquinho para muitos, as políticas públicas para a erradicação da pobreza extrema devem dar muito (uma cesta ampla de oportunidades) para poucos".

Para Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), as novas políticas públicas devem ir buscar os mais pobres entre os pobres, que é uma tarefa mais complexa. Para isso, disse ele, "é necessário a criação de novos indicadores" e propôs a utilização de índices e medidas das Metas do Milênio da Organização das Nações Unidas (ONU).

Novos desafios
Uma das conclusões do encontro é o desafio de identificar e direcionar recursos para as famílias que, mesmo com o Bolsa Família, seguem em situação precária. Barros e Neri lembraram que a pobreza tem um perfil muito diversificado e exige programas focalizados. Dentro de um mesmo bairro pobre, por exemplo, as famílias possuem necessidades diferentes, necessitando mais de educação ou de qualificação profissional.

O desafio maior, segundo Dilma, não é apenas construir o perfil das famílias em situação de pobreza extrema utilizando diversos métodos, mas chegar aos meios eficazes para cumprir essa missão. "Se a gente for olhar bem em algumas regiões do País, vamos ver que o problema não é só territorial, mas falta de oportunidade. E o lado da pobreza mais violento é a criança", disse.

O seminário contou com a presença de Ana Fonseca, da Unicamp; Carlo Simi, do Ministério do Trabalho; Elisa Caillaux, do IBGE; José Graziano, da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO); Jorge Abrahão, do Ipea; Juarez de Paula, do Sebrae; Lais Abramo, da Organização Internacional do Trabalho (OIT); Lúcia Modesto, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome; Márcio Pochmann, do Ipea; Mauro Del Grossi, do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Maya Takagi, do Gabinete da Presidência da República; Mirian Belchior, da Casa Civil; Nelson Barbosa, do Ministério da Fazenda; Paul Singer, secretário Economia Solidária; Raquel Benedetti, da Casa Civil; Wasmália Bivar, do IBGE; e Wilnês Henrique, da Secretaria Geral da Presidência da República.

* com informações do Portal Brasil.

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