LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sábado, 18 de dezembro de 2010

Presidente chileno grita, "Fica Lula! Fica!"

O presidente chileno, Sebastián Piñera, se empolgou e gritou: "Fica Lula! Fica!". O governante paraguaio, Fernando Lugo, o chamou de "grande estadista". O boliviano Evo Morales propôs sua candidatura ao cargo de secretário-geral das Nações Unidas. Em seu último evento internacional como Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva foi considerado o "senhor Mercosul". Os chefes de Estado latino-americanos presentes na 40ª reunião do grupo não pouparam elogios ao colega brasileiro durante sua despedida. Lula, por sua vez, garantiu que a sucessora, Dilma Rousseff, vai continuar o trabalho de integração e fortalecerá cada vez mais o bloco econômico, perto de completar 20 anos.

Durante o encontro em Foz do Iguaçu, o Presidente Lula exaltou a boa sintonia entre Argentina, Paraguai e Uruguai. Lula passou o cargo da Presidência pro tempore para o líder paraguaio, Fernando Lugo, e afirmou que deixava o posto demonstrando satisfação. "Em duas décadas, conseguimos fazer do Mercosul um projeto histórico de integração política e social. Juntos, formamos um dos maiores espaços democráticos do mundo. O destino fez desta reunião meu último compromisso internacional. Saio dele com a certeza de que valeu a pena o trabalho que juntos realizamos" afirmou.

Na quinta-feira, diversas medidas haviam sido aprovadas na reunião, entre elas a criação do cargo de alto representante do bloco, a padronização das placas de veículos de todos os países membros até 2018 e a adoção de uma carteira de identidade única. "Espero que o povo do Mercosul se orgulhe de fazer parte do grupo. Eu, por exemplo, na hora que sair o primeiro coche (carro, em espanhol) com a placa do Mercosul, esteja certo, Pêpe, que eu irei a Montevidéu", brincou Lula com o presidente uruguaio José Mujica.

Em relação às desavenças comerciais com a Argentina, Lula afirmou que dentro de um bloco econômico a disputa de interesses é normal. "O Mercosul não é um convento, um encontro de freiras. É um encontro de chefes de Estado, de países soberanos, que sempre vão ter divergências, um país com interesse diferente do outro. O que precisamos é ter a compreensão e a maturidade. Tentamos fazer concessões daqui e dali. Mas é isso, a divergência faz parte do processo democrático", disse.

Lula pediu aos outros mandatários para que "trabalhem de forma incansável", com o objetivo de tentar trazer países como Chile, Equador, Bolívia, Colômbia e Peru para o bloco. Também pediu que o Congresso paraguaio aprove o ingresso da Venezuela no Mercosul, a única nação que ainda não tomou a decisão. O brasileiro fez questão de anunciar que a presidente eleita Dilma "vai ajudar Lugo a trazer novos países, para fazer um bloco forte economicamente".

Protagonismo

De acordo com Sonia de Camargo, professora emérita de Instituto de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC), o papel brasileiro - principalmente durante o governo Lula - foi importante para o Mercosul. "O Brasil está se tornando uma potência internacional e carrega o bloco. A Argentina estava em um momento parado. O Paraguai não avança muito. O Uruguai é menor por isso: para ele, é essencial se integrar. Nós também fazemos parte da tentativa de criar uma unidade no bloco regional e tentar conseguir novos sócios para o grupo", explica a especialista.

O presidente da Bolívia, país sócio do bloco, apontou a participação do Brasil no cenário internacional e destacou a presença de Lula. "Ele deve ser o candidato da América a secretário-geral das Nações Unidas", disse Morales. No entanto, Lula preferiu evitar o tema. "A ONU precisa de um técnico competente, não de um político forte. Ser secretário-geral é algo que não se reivindica, não se pede, não se articula", respondeu o brasileiro.

O uruguaio Mujica deu a Lula do título de "senhor Mercosul" e insistiu que ele continuasse a trabalhar pela América do Sul. "Sem título, é nosso embaixador plenipotenciário. Estas coisas não são designadas, a vida as cria", afirmou. Piñera usou uma citação do dramaturgo alemão Bertolt Brecht. "Hoje podemos dizer, sem dúvidas, que Lula é um desses homens imprescindíveis para a América Latina e para o mundo", comentou o chileno.

O novo cargo de alto representante do Mercosul, que precisa ser aprovado pelos Congressos dos quatro países, ganhou candidatos, entre eles o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Ainda não foi definida como será feita a escolha. "Creio que o nome que deve representar o bloco deve sair de dentro do Parlamento do grupo, um representante da sociedade do Mercosul e dos cidadãos", analisa a professora da PUC.

Nenhum comentário: