LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Primeiro discurso Valmir Assunção na Câmara de Deputados


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18 de fevereiro de 2011

Senhor Presidente, demais membros da Mesa Diretora da Câmara Federal, Senhoras Deputadas, Senhores Deputados, Senhoras e Senhores das galerias, companheiros e companheiros da imprensa, funcionárias e funcionários da Casa e, especialmente, ao povo brasileiro que me assiste agora pela TV Câmara.

É com extrema alegria que subo a esta tribuna para fazer a minha manifestação, pela primeira vez, como Deputado Federal eleito pela Bahia. Para mim, um filho de família pobre, assentado da reforma agrária e filho do pequeno distrito de Nova Alegria, município de Itamaraju, no extremo sul da Bahia, até alguns anos atrás, era impensável chegar aqui na Câmara Federal como Deputado. Neste momento que a minha inspiração vem, de algumas personalidades históricas do Brasil, que lutaram a sua
vida toda por um país mais justo, mais igual e pelo socialismo. Refiro-me à Zumbi dos Palmares, Gregório Bezerra, Lélia González, João Antônio Mascarenhas, Florestan Fernandes e Adão Preto, entre outras e outros lutadores do povo. De Zumbi trago a lembrança de que o Brasil não será um país justo e igual sem que as diferenças sociais, econômicas e políticas que massacram a população por mais de 500 anos sejam superadas com políticas públicas que façam da igualdade racial e social,mais que um ideário, mas, uma realidade objetiva na vida de nosso povo. Com a lembrança de Zumbi, trago um dos meus principais compromissos para este mandato que é a luta incessante por políticas reparatórias e de promoção da igualdade para o povo negro. Isto, para além de uma questão de justiça, é elemento essencial para nosso país alcançar um novo patamar civilizatório. Ou faremos a reparação integral ao povo negro ou nosso país não poderá ser qualificado como civilizado.
Evoco também a lembrança de Gregório Bezerra que dizia querer ser lembrado “como o homem que foi amigo das crianças, dos pobres e excluídos; amado e respeitado pelo povo, pelas massas exploradas e sofridas” o convicção, Senhor Presidente, de que o exemplo de Gregório Bezerra que deu a sua vida pela liberdade, democracia em defesa do povo e das massas exploradas que, apesar de todos os avanços obtidos nos últimos anos, de que estas questões são elementos fundamentais de uma verdadeira democracia.
A luta de Gregório Bezerra e de milhares de outros brasileiros, que - repita-se - deram as suas vidas pela liberdade e democracia só se justificarão por completo quando eliminarmos a miséria e elevarmos o patamar de renda e de cidadania do povo brasileiro a padrões muito superiores aos atuais e as crianças e adolescentes de nosso país tiverem seus direitos plenamente respeitados.
Evoco também a lembrança do nordestino Josué de Castro que encampou uma luta internacionalmente reconhecida contra as desigualdades sociais, motivada pela sua convivência com o problema da fome. Dizia ele "O fenômeno da fome se revelou espontaneamente a meus olhos nos mangues ... Esta é que foi a minha Sorbonne.". Posso dizer, nobres deputados, que dediquei toda a minha vida à luta contra a exclusão a partir mobilização e organização do povo. Foi esta vivência que qualificou a minha atuação nos espaços de poder que ocupei como deputado e secretário estadual, onde incorporei a consciência de que o desenvolvimento social do nosso país exige a defesa incessante das políticas sociais como a Assistência Social, a Segurança Alimentar, a Inclusão Produtiva e a Política da Criança e do Adolescente como instrumentos eficazes para combater a pobreza e garantir uma cidadania plena aos brasileiros e brasileiras. De Lélia González trago a inspiração para meu compromisso com as lutas feministas, especialmente, das mulheres negras. A luta do feminismo não é e não pode ser uma luta das mulheres, deve ser uma luta de toda a sociedade. Ao lembrar de Lélia González e das mulheres negras, também cito aqui o exemplo de João Antônio Mascarenhas, um dos pioneiros do movimento homossexual brasileiro e registrar o meu compromisso com a defesa da diversidade sexual e do combate á homofobia, bem como, da defesa da promoção de políticas públicas adequadas aos LGBT´s. A lembrança de Florestan Fernandes me leva a registrar o meu compromisso com a educação, mas, principalmente, com o socialismo, ideal a ser alcançado e que será materializado nas lutas diárias do povo por sua liberdade e emancipação.

Senhor Presidente, Senhoras Deputadas e Senhores Deputados, quero evocar aqui, especialmente e com muita emoção a lembrança do grande e inesquecível companheiro Adão Preto que, por vários anos, foi Deputado Federal nesta Casa Legislativa. Adão Preto foi, por muito tempo, o único Deputado Federal assentado de um projeto de reforma agrária e sempre fez, com muito empenho, esforço e, principalmente coragem, a defesa da reforma agrária e das políticas agrícolas para os pequenos produtores e assentados. Adão também foi e continua sendo um exemplo, por ter sido um Deputado Federal que abriu as portas de seu Gabinete para todos os lutadores do povo, todos os movimentos sociais, se houvesse luta, fosse ela qual fosse, lá estava o companheiro Adão Preto. E eu vou me sentir muito feliz se, ao final de meu mandato também for este sentimento que exista em torno da nossa atividade parlamentar. Não estou aqui para substituir o companheiro Adão Preto, afinal de contas, a sua figura é simplesmente insubstituível, mas, vou me esforçar ao máximo para continuar o seu trabalho aqui, no Congresso Nacional, representando os pequenos agricultores, os assentados e acampados que lutam pela reforma agrária em todo nosso Brasil.

Meus 132.999 votos, distribuídos em mais de 3 centenas de municípios da Bahia se relacionam com o apoio de dezenas de lutadores do povo, sem teto, feministas, atingidos por barragens, militantes da luta anti-racista, ativistas LGBT, da Juventude, de igrejas progressistas, quilombolas, indígenas, povos de terreiro, pescadores, vereadoras, vereadores, Prefeitas, Prefeitos, Vice-Prefeitas, Vice-Prefeitos, milhares de militantes do PT, a estes meu agradecimento reiterado e meu compromisso de lutar sem descansar pelas reivindicações que eles apresentaram em nossa campanha. Mas, o MST é minha casa e minha Sorbonne, foi onde nasci e aprendi a fazer política. Defender e fazer a reforma agrária é elemento fundamental para a eliminação da miséria e da fome, para o fim das desigualdades sociais e para elevarmos o Brasil à condição de potência econômica. Estou convencido, que nenhum país do mundo vai ser considerado uma potência econômica, com uma concentração fundiária que nosso país tem. Em pleno século XXI, senhor presidente, persiste no Brasil a questão agrária do período da colonização, pois enquanto a maior parte das terras está concentrada nas mãos de poucos, milhões de famílias brasileiras não tem terra para trabalhar. Essa realidade limita a produção de alimentos, a geração de empregos no campo e a garantia de condições dignas de vida para a população rural. Quero dizer desta Tribuna, diretamente aos meus companheiros do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que não descansarei um só minuto, até que os avanços de uma reforma agrária que redistribua a terra, o crédito, a infra-estrutura, partilhe a propriedade e também o poder político sejam alcançados. O exemplo do companheiro Adão Preto está em minha memória para fazer a defesa, sem tréguas, da reforma agrária. Como se costuma dizer na Bahia, sei de onde vim, sei porque estou aqui. Os tapetes do Congresso não me seduzem. Tenho consciência do meu papel. Não há outro significado em estar aqui, senão o de representar e defender os interesses e direitos da classe trabalhadora brasileira, especialmente, dos milhões que lutam por um pedaço de terra para trabalhar nela.

É o que tinha a dizer, Senhor Presidente, muito obrigado.

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