LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

segunda-feira, 14 de março de 2011

Um monumento pelas vítimas da ditadura

No momento em que a presidenta Dilma Rousseff torna público que pretende bancar a Comissão da Verdade de forma a desmascarar os que torturaram, estupraram e assassinaram garotos e garotas idealistas que lutavam pela libertação do Brasil das garras da ditadura militar, vem à mente uma reflexão: até hoje, o Brasil não fez um único grande monumento às vítimas daquele regime.

Logo, teremos no SBT uma novela contando as atrocidades que foram cometidas neste país contra os que pegaram em armas para defender o Brasil dos usurpadores que, por falta de votos, deram um golpe de Estado que redundou em uma ditadura de duas décadas e tanto. Essa novela deve se desenrolar paralelamente à Comissão da Verdade, que, com o apoio da presidenta, agora irá vingar.

Nesse momento de resgate da verdade, porém, as mentiras e a enganação se travestem de jornalismo e tentam vender a teoria absurda de que “os dois lados” têm que ser investigados pela Comissão da Verdade. Uma distorção tão hedionda que não resiste à menor reflexão.

Tomemos o exemplo de Dilma. Ela tinha 19 anos quando foi presa, torturada e só depois julgada. Como milhares de outros brasileiros, sentou-se no banco dos réus. Mesmo sendo inocente. E ficou encarcerada por três longos anos. Teve até sorte…

Se prevalecesse a teoria sobre ser necessário julgar “os dois lados” – o dos assassinos, torturadores e estupradores da ditadura e o da resistência àquele regime criminoso –, Dilma teria que ser julgada de novo. Os que foram exilados, os que foram torturados, os que foram presos, todos teriam que passar por tudo de novo.

Agora, alguém conhece um único torturador ou assassino integrante da ditadura que tenha sido julgado? Não, mas conhece milhares de vítimas que foram não só julgadas, mas punidas com torturas e até com a morte, muitas vezes sem jamais terem se envolvido em nada. Apenas porque os esbirros da ditadura acharam que estavam envolvidas.

Remember Wladimir Herzog, entre tantos outros.

Por todo este país, milhares carregam até hoje as marcas e seqüelas da tortura. Só seus corpos sobreviveram, porque suas almas foram assassinadas há décadas. Muitos de nós conhecem alguém que até hoje estremece quando ouve um baque ou qualquer ruído mais forte, sob lembranças redivivas daquele período de trevas.

Então, quero propor aqui que o governo federal, sob a liderança da Excelentíssima Senhora Presidenta da República, Dilma Vana Rousseff, execute e inaugure, com toda a pompa e circunstância, um grande monumento às vítimas da ditadura militar. Tanto para as vítimas que se foram quanto para as que arrastam por este país a dor que lhes foi imposta.

Há alguns poucos monumentos escondidos por este país, mas esse tem que ser feito em Brasília, em plena Praça dos Três Poderes. Para que este país jamais esqueça.

Se houver bastante apoio a esta iniciativa, será composto um documento com essa proposta e enviado à Presidência da República com os nomes dos signatários. Só assim, finalmente este país fará uma homenagem à altura das milhares de vítimas (vivas e mortas) daquele regime hediondo que o infelicitou por vinte longos anos.

Quem sabe faz a hora, não espera acontecer



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