LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Se Palocci cair, haverá castas políticas no Brasil


Entendo Lula e Dilma ao apoiarem Palocci com tanta veemência, cobrando apoio daqueles que se propuseram a ser aliados dos dois maiores líderes políticos do Brasil, um por sua liderança propriamente dita e outra pelo cargo que ocupa. Afinal, o que se está tentando fazer com o chefe da Casa Civil é lhe negar os mínimos direitos civis.

Esse fato já começava a ficar claro quando veio a público seu suposto “enriquecimento ilícito” através de matéria do jornal Folha de São Paulo. O jornal registra aumento patrimonial de vinte vezes em quatro anos sem informar que é comum que ex-membros de equipes econômicas do governo federal enriqueçam ao saírem dos cargos.

Nesse momento, começa a concessão de direitos “diferenciados” para petistas, de um lado, e para tucanos ou demos do outro. É imoral enriquecer rápido após passar pelo governo, mas só para petistas. Tucanos podem porque teriam mais títulos e mais experiência no setor financeiro. Então podem enriquecer 100 vezes no mesmo período que Palocci que “tudo bem” e não se fala mais nisso.

Agora, porém, veio o supra-sumo do absurdo. O crime que até há pouco mais de seis meses era passível de pena capital, na mídia, agora se torna irrelevante. Quebra de sigilo fiscal foi um tema que permaneceu por semanas a fio nas manchetes principais de primeira página com letras garrafais e em todos os telejornais, com matérias, às vezes, de VINTE MINUTOS de duração.

A então candidata Dilma Rousseff, ano passado, foi cobrada no ar, durante entrevistas ao SBT ou ao Jornal Nacional, por supostamente ter mandado quebrarem o sigilo fiscal da filha de seu adversário José Serra. A mídia, a cada minuto, soltava o nome de um envolvido, de um suspeito do “crime”, enquanto longos discursos sobre direitos civis enchiam as páginas dos jornais.

Hoje, o que se vê são notinhas de pé de página nos jornais e nenhum, repito, NENHUM artigo ou coluna se indignando com a violação dos direitos civis de Palocci, que já foi julgado e condenado sem que ninguém ao menos saiba dizer o que foi que ele fez.

Palocci fez o que? Tráfico de influência? De quem para quem? Quando? Em que área do governo? Onde está o objeto do crime? Silêncio. Os clichês sobre “ética” abundam. As ironias são cortantes. Mas fatos, que é bom mesmo, ninguém dá.

Admite-se que as operações de Palocci parecem legais, mas, no entanto, seriam imorais. Mas, detalhe: só para ele.

Cortem-lhe a cabeça que estará resolvida a imoralidade legalizada – só não há garantias de que não se repetirá, pois outros que passarem pela área econômica estarão liberados. Quebrem seus sigilos, ignorem a sentença da Justiça que o absolveu da acusação de violar o sigilo do pobre caseiro que após se reunir com o DEM ganhou 40 mil do mesmo pai que jamais lhe dera um pirulito.

Ora, a prefeitura de São Paulo, através de um secretário da cota de Serra, violou o sigilo de Palocci? “Bem feito. Ele violou o sigilo do caseiro”, dizem, sem dar bola para o fato de que a Justiça não aceitou nem abrir inquérito devido à total falta de provas.

Para Palocci, não vale nenhuma das garantias legais que valem para tucanos. Não só pode ser acusado sem provas como pode ter seus direitos civis violados e, achando prova ou não, deve ser punido ao menos com perda do cargo. Enquanto isso, os negócios obscuros da família Serra com Daniel Dantas permanecem na escuridão.

Entendo Lula e Dilma. Também estou indignado. E, como eles, no que depender de mim não conseguirão derrubar o ministro. Sua queda significaria a materialização de castas políticas, no Brasil. A uma, tudo seria permitido. Cometendo crime, passaria a vítima e poderia enriquecer sem questionamento; à outra, nenhum direito – sigilo fiscal, presunção da inocência…

Esse caso deixou de ser político e passou a ser institucional. Não se pode apoiar a criação de castas políticas neste país. Até porque, você nunca sabe se estará entre os contemplados a ser incluído na escala político-social mais alta.

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