LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

domingo, 22 de maio de 2011

Sobre a divisão da Bahia

1ª Parte

Demagogia política e interesses privados do agronegócio querem dividir a Bahia


Não é a primeira vez. Nos anos 1980, políticos da região cacaueira sensibilizaram a população do Sul da Bahia em torno da idéia do separatismo, com a criação do Estado de Santa Cruz. Os parlamentares baianos rejeitaram a proposta. O cacau entrou em crise e ninguém fala mais nisso. Agora, o ex-prefeito de Luiz Eduardo Magalhães e deputado federal Oziel Oliveira (PDT-BA) ganha visibilidade na mídia com o projeto de criação do Estado do São Francisco. A demagogia política se une desta vez aos interesses privados do agronegócio.

O novo estado teria 31 municípios, um PIB de R$ 10 bilhões. O golpe desta vez vem em forma de Decreto Legislativo convocando “plebiscito” para desmenbramento da Bahia. O deputado federal do agronegócio baiano manipula, ou quer manipular, o imaginário de 1,2 milhão de habitantes de uma região de fronteira agrícola, com 1 milhão de hectares de soja, 350 mil de agodão, 200 mil de milho e dois pólos de fruticultura, além de ser cortada por mais de 1 mil km do rio São Francisco. Está na hora do povo baiano reeditar a campanha “A Bahia não se divide” dos anos 1980, comandada pelo jornal A TARDE.

Parlamentares conscientes começam a tomar posição. O deputado Geraldo Simões (PT-BA), que na década de 80 militou contra a divisão da Bahia, vai logo avisando: “o caminho correto é o governo da Bahia levar o desenvolvimento para o interior, com portos, ferrovias e universidades”. Félix Júnior (PDT-BA) alerta que a região pode acabar ficando mais pobre e provocar grande custo administrativo. O deputado Sérgio Brito (PSC-BA) declara: “em princípio sou contra”.

O deputado Oziel Oliveira argumenta que o desenvolvimento vai compensar os gastos administrativos. Por gastos administrativos leia-se a fortuna a ser gasta com salários de governadores, secretários, mais deputados estaduais e federais, toda a burocracia que um estado requer. Seria a grande negociata política do século XXI. Sintomaticamente, o deputado estadual que sustenta a proposta é Herbert Barbosa, do decadente DEM da Bahia. O deputado federal Nelson Pelegrino (PT-BA) se inclui entre os primeiros a COMBATER a proposta.

Os “separatistas” baianos se animaram com a aprovação pelo Congresso Nacional de plebiscitos para criar dois estados que seriam desmembrados do Pará. Obviamente vencerá o “sim” se as consultas se limitarem aos municípios afetados. Mais certo seria que todos os paraenses ou mesmo todos os brasileiros opinassem pelo voto, porque de nossos bolsos sairão os financiamentos desta pilantragem política. Neste caso, seriam salários para mais dois governadores, seus respectivos vices, 48 deputado estaduais, 16 deputados federais, seis senadores, mais de vinte secretários estaduais, além dos tribunais de Justiça, de Contas, e por aí vai.

O filósofo Renato Janine Ribeiro, professor de Ética da USP, em artigo publicado no jornal Valor (16/05/2011) comenta que “aos cidadãos dos possíveis estados se venderá a ilusão de que sua vida vai melhorar”. É uma grande falácia, diz ele. A idéia está presa a um modelo político superado que pressupõe que, multiplicando as funções de governo, o Estado fica mais perto das pessoas e eleva os indicadores sociais. Com esta mesma argumentação existem hoje nada menos que 18 propostas de novas unidades federadas.

As atuais 27 passariam para 45. Todos estes estados precisariam de aportes do governo federal para sua simples subsistência. Seriam incapazes de realizar investimentos sociais e econômicos. O Brasil aumentaria os gastos com a administração e teríamos menos dinheiro para a economia e a sociedade.

O povo, coitadinho do povo. Mas os espertalhões do agronegócio do tal Estado do São Francisco se dariam muito bem.

2ª Parte

A divisão da Bahia sempre adubou discursos de políticos

Deu no jornal A Tarde, na coluna Tempo Presente, assinada pelo jornalista Levi Vasconcelos:

A divisão da Bahia

A divisão da Bahia, para criação de outros estados, sempre adubou o discurso de políticos em duas regiões, a cacaueira e o Oeste. Mas nunca passou da produção de votos.

No tempo em que o cacau era responsável por 60% da arrecadação baiana de ICMS, a idéia da criação do Estado de Santa Cruz (o território que envolve o Sul e o Extremo Sul). O cacau faliu e, no mar de desditas que provocou, tirou o gás do discurso separatista.

No Oeste baiano, a origem da aspiração é diferente. É histórica. A região sempre se sentiu alijada das prioridades baianas. Há tréguas, como no tempo (1954 a 1958) em que Antonio Balbino, filho e líder de Barreiras, foi governador. Fora disso, a aspiração é tão adensada que 99% da população é a favor.

Nos dias atuais, há outro ingrediente expressivo. Se na região cacaueira o separatismo arrefeceu porque o cacau desabou, no Oeste ocorre o inverso. A galopante expansão do agronegócio trouxe a riqueza que impulsiona o discurso de fazendeiros de todos os recantos do País, gaúchos, catarinenses, paulistas e afins, que nada têm de baianidade.

Com eles, a aspiração separatista só cresce. Jaques Wagner que se cuide. A divisão pode não acontecer, mas promete dar barulho.

OZIEL, O POLÊMICO

O deputado Oziel Oliveira (PDT), autor do projeto de lei que cria o Estado do São Francisco, é uma figura controvertida. Foi prefeito de Luiz Eduardo Magalhães durante oito anos de baixo de vasto cabedal de denúncias. Também é marido da prefeita de Barreiras, Jusmari Oliveira (PR).

Para arrepio dos inimigos do casal, ele aspira ser governador!.

3ª Parte

Ex-deputado Aleluia (DEM) perdeu a noção das coisas

O ex-deputado José Carlos Aleluia (DEM), presidente do que resta do DEM da Bahia, perdeu a noção das coisas. Tentando faturar politicamente a demagógica e eleitoreira proposta separatista de criação do Estado do São Francisco, ele afirmou que “o sentimento separatista que brota no Oeste baiano é fruto do abandono a que a região foi relegada pelo governo petista”. O cara perdeu a memória, pois, esqueceu-se dos 40 anos de hegemonia do carlismo na Bahia, através do PDS depois PFL, depois DEM.

Se a turma do Aleluia, em 40 anos, desconheceu a região Oeste, como espera que em apenas quatro anos o “governo petista” conserte tudo? Pior ainda foi o “astuto” argumento do decadente Democrata. Disse ele que nas várias viagens que fez à região, ao lado do ex-governador Paulo Souto, durante a campanha eleitoral de 2010, ele constatou a distância existente entre o governo e a população.

Parece até brincadeira de criança. O cara, ao lado do cara que foi governador da Bahia por nada menos que oito anos, antes e depois de outros governadores do mesmo agrupamento, fala em ausência do estado na região Oeste. Não é um discurso muito inteligente. Todos concordamos, entretanto, em dois pontos. Primeiro, é possível governar um estado das dimensões territoriais da Bahia (Minas Gerais, por exemplo, é até maior). Segundo, é preciso melhorar os serviços públicos, como segurança, educação e saúde.

Aleluia não toma conhecimento do que o governo Wagner já fez pelo Oeste.

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