LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Em defesa da política - Emiliano José*


A presidenta Dilma Rousseff tem surpreendido apenas aqueles que não a conheciam. Estava certo o presidente Lula quando se dedicou à sua eleição. Estava certo o PT quando fez o mesmo e, também, os partidos que têm apoiado o projeto de mudanças em curso no Brasil. Não há retorno: a caminhada iniciada em 2003, quando Lula tomou posse, vai continuar. O Brasil já é substancialmente outro após os oito anos de governo sob a hegemonia do PT, muito mais justo do que antes, e seguramente novas e mais importantes conquistas sociais serão feitas sob a direção de Dilma.
Sob o governo Lula cerca de 30 milhões saíram da miséria absoluta. Outros 30 milhões ascenderam às camadas médias. A vida de 60 milhões de pessoas, antes vivendo em condições paupérrimas ou em condições de pobreza, modificou-se substancialmente, e não é por acaso que hoje se pode falar, como defendíamos tanto ao longo de nossas lutas históricas, num mercado de massas no Brasil. Um mercado de massas que nunca existiu em nossa história. E tais transformações não são resultado de um jogo espontâneo. São resultado da política - das políticas públicas colocadas em prática desde 2003, do apoio, que mal ou bem, o governo recebeu do Congresso Nacional para levar a cabo tais políticas.
Digo isso para contraditar uma espécie de espírito do tempo, no Brasil de modo particular, a desqualificar permanentemente a política e os políticos. Quando a política sucumbe, como querem alguns ideólogos, quando se pretende demonizar o Legislativo em todos os âmbitos, tenta-se jogar água no moinho do autoritarismo. Quando a política deixa de ser protagonista, a ditadura entra em cena. A história é pródiga nesses exemplos. E não estou dizendo que a atividade de tais ideólogos, na quadra que vivemos, pode provocar a emergência de quaisquer espécies de autoritarismo. Quero apenas contribuir para que não se faça silêncio diante de tantos ataques à política, no sentido geral, e aos políticos no particular.
Se é verdade que há maus políticos, se há os que se envolvem em práticas que fogem à ética e ao respeito à coisa pública, há um grande contingente de pessoas sérias envolvidas com a política, voltadas seriamente à causa pública. E, insisto, foi um projeto político - e há que se grifar, um projeto político - que começou a mudar profundamente o Brasil a partir de 2003, tanto assegurando mudanças nas condições de vida do povo brasileiro - não só no plano material, como nos planos cultural e político, na afirmação da cidadania - como, também, tornando o Brasil um protagonista essencial no mundo. Isso foi resultado da política. Como resultado de uma nova política, somos um País respeitado, que afirma sua soberania e se faz respeitar pelas grandes e pequenas nações.
A presidenta Dilma Rousseff já disse que ela não está iniciando um novo projeto político. Está dando sequência ao que se iniciou em 2003. E, naturalmente, fazendo o que deve fazer sob novas circunstâncias. E sua primeira preocupação, como disse, é acabar com a miséria absoluta, uma proposta ousada, de quem tem compromissos com o ser humano, de quem olha primeiramente para os mais pobres, para aqueles que se encontram inteiramente marginalizados, que chegam hoje a aproximadamente 16 milhões de pessoas. Segue a esteira do que foi construído sob o governo Lula.
Insiste no combate à corrupção, cumprindo o que deveria ser a obrigação de qualquer governante. Vamos nos lembrar, para que não se ignore a história, que foi sob o governo Lula que se iniciou um trabalho sério de combate à corrupção, a partir da efetivação da Controladoria Geral da União que, sob a inspiração e direção de Waldir Pires e o apoio firme do então presidente Lula, tornou-se uma das instituições mais respeitáveis do mundo. Dilma, ao fazer o que está fazendo, afastando os gestores que não tenham levado a sério a tarefa pública, dá sequência a uma política, sob as regras do Estado democrático de direito. A política é o selo da civilização, garantia de vida democrática. O resto, venha de onde vier, vai na contramão da democracia, como a história tragicamente tem registrado.


*jornalista, escritor, deputado federal (PT/BA)
Publicado no jornal A Tarde (01/08/2011)

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