LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

domingo, 23 de outubro de 2011

Quando o muro separa, uma ponte une

outubro 22, 2011 
 
Que seu patrão e o pai dele tenham vendido a alma ao diabo em 64 e, ao longo dos anos, tenham perdido qualquer senso de justiça e honestidade em sua profissão, é até compreensível. A certa altura da vida, empanturrados de sua própria arrogância, não é mas possível corrigirem seu caráter e sua trajetória. Só lhes resta disputar com seus parceiros do restrito clube dos tubarões mafiosos do PiG, quem golpeia mais rápido a verdade e quem é mais original ao fazê-lo.
Mas este jovem, que tem uma carreira pela frente, abraçar tudo isso? Sabendo, burro que não é, estar compactuando e/ou contribuindo com o que há de mais contrário aos ideais da profissão que escolheu? Não é possível que sejam tão insensíveis. Não é possível que convivam com a mentira diariamente sem sentir nada, nenhum remorso.
Não há mais dúvidas que o empresário “Vou derrubar Dilma” está obcecado em realizar o que prometeu. Assim como não há dúvidas que pretende fazê-lo em parceria com seus “colegas empresários”, mordida por mordida, pelas beiradas, até atingir o coração…
Este tubarão furioso, faminto de sangue e desprovido de qualquer escrúpulo, sabe também que, mesmo exitoso na derrubada de um governo eleito democraticamente, terá de enfrentar Lula em 2014 ou, (toc toc na madeira!) em 2018. E perderá. Como dois e dois são 4. “Vou derrubar Dilma” morrerá sem ver seus amigos da elite voltarem ao poder. Seu filho vai dar continuidade à “obra” do pai. E o filme se repetirá até o dia em que a regulamentação da mídia o faça pensar duas vezes antes de execrar um cidadão só porque diverge de sua visão de mundo.
A diferença de forças entre nós e a turma do “Vou derrubar a Dilma” vai diminuir gradualmente, ano após ano. O trabalho deles será mais difícil. Primeiro porque NÓS somos a maioria – somos os “99%”, não se esqueçam – e crescemos em progressão geométrica. Eles, no máximo, em aritmética. Se conseguimos 56 milhões de votos em 2010, conseguiremos muito mais na próxima. E não haverá verde-falsa alguma para socorrê-los. Segundo porque – e estou convicto que Dilma terá exito nisso -, teremos 16 milhões de cidadãos a mais, recolhidos do abandono e da pobreza extrema em que estavam mergulhados desde sempre. Terão cidadania, nome, sobrenome e – assim espero – título de eleitor!
O PiG terá que fabricar outra fantasia. Algo melhor que o playboy bebum que destruiremos em 10 minutos de programa eleitoral. Não será tarefa fácil como a que concebeu FHC e Collor. Naqueles dias o povo vivia na escuridão absoluta da ditadura midiática, engolindo novela e acreditando que a vida era assim mesmo: uma questão de sorte apenas. Estaremos vigilantes, expondo-lhes as vísceras apodrecidas por seu cancro golpista em todos os espaços físicos e virtuais. Terão que fazer melhor do que a bolinha de papel. Terão que fazer mais do que passar uma semana fabricando provas de fumaça para enganar juízes que pedem para serem enganados.
As eleições sempre serão assim: nós contra eles. Porque a partir de 2010 essa foi e será, em última análise, a essência do jogo eleitoral.
Eles derrubam uma bandeira, nós fincamos outra no lugar. Ao contrário deles – que alternam repetidamente os mesmos candidatos por falta de opção humana – se há uma coisa que não nos falta é humanidade.
Confesso que nunca tinha prestado atenção no ministro Orlando Silva. Precisou acontecer este linchamento público criminoso, repleto de todos os preconceitos possíveis, para que o conhecesse um pouco. Vi honestidade e coragem em sua postura. Tenho certeza que até mesmo os cães raivosos – que infestam a plantação de fascistas das páginas do PiG – viram o mesmo. Os hipócritas! Dilma também viu. Mostrou-se justa e contrariou toda a lógica podre dos carrascos de carteirinha. Mesmo que tenha adiado o inadiável.
Não sou comunista nem “ista” algum. Mas o ministro Orlando Silva brilhou aos meus olhos nestes últimos dias. Que não desista jamais.
Para finalizar, deixo aqui uma obra prima da MPB. Uma canção que simboliza a luta dos que sempre estiveram ao lado da verdade. Se refere à ditadura militar que vivemos no passado recente. Mas se aplica como uma luva à ditadura imposta pela mídia atual.
Pesadelo
Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós
Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara, o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte
Olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente, olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte,
Abraça o dia de amanhã


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