LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

terça-feira, 3 de abril de 2012

Afinal, por que a Classe Média é tão burra?

A pergunta que não quer calar: Afinal, por que a Classe Média é tão burra?


Do Blog TUDO EM CIMA









Vira e mexe essas perguntas vêm à tona em discussões entre amigos: qual 
o problema com o pessoal da Classe Média, por que são tão burros e insistem
 em apoiar políticos que só querem tomar o poder para beneficiar meia dúzia
 de amigos bem nascidos, seus familiares inescrupulosos e aqueles que os 
financiam?

Um parêntese: esse tipo de político, que disfarça cinicamente suas
 verdadeiras intenções mesquinhas com um discurso moralista e conservador, 
está melhor representado hoje no Brasil em partidos como o PSDB e o
 DEMo (ex-PFL). Mas isso pode mudar amanhã se os podres de ricos 
acharem que essas pessoas não os estão mais representando adequadamente...

Para mim, a resposta é óbvia: a turma da Classe Média não tem
 "consciência de classe". E você não precisa ler as obras do Marx 
para enteder o que isso quer dizer. É fácil.

Converse com uma pessoa pobre, à beira da miséria. Ela sabe que é pobre, não tem ilusões sobre a sua condição social. Pode ser que não faça nada para mudar isso e passe seu tempo dentro de uma igreja, onde é invariavalmente ensinada a se conformar com sua situação com frases do tipo "a pobreza é sua cruz e vai te garantir um lugar nos céus", ou vendo as alienantes novelas
 da Globo. Porém, mesmo que não se de conta disso racionalmente, essa pessoa tem consciência de classe.

A mesma coisa vale para os podres de rico. E aqui estou falando dos Antônio
Ermírios, dos Daniel Dantas da vida, sujeitos que tem mansões (no Brasil e no
exterior), fazendas, iates, helicópteros, aviões carros importados, ilhas, etc,
etc - ou seja, um tipo de gente que pobres mortais como eu e você só vemos 
no cinema ou na capa da revista Exame. Esses caras têm cosciência de classe, 
podem ter certeza! É só ver como adoram ver os outros (pobres e remediados)
 seguindo as Leis e os códigos morais que seus lacaios inventam e disseminam 
para controlá-los, ao mesmo tempo que infringem todos eles... Por que vocês 
acham que eles têm verdadeiros batalhões de advogados a servi-los 24 horas?

E é no meio disso que se encontra a Classe Média, que no Brasil se subdivide
 em três tipos:

1) Classe Média Alta - sabe aquele tipinho que trabalha como escravo num
alto cargo de multinacional para manter uma casa de dois andares num
condomínio fechado, três carros de luxo na garagem, um apê no Guaruja, paga
alta mesada para aos filhos e centenas de plásticas à esposa perua (para não
se acha membro da "raça superior" só porque, um dia na festa de fim de ano, o
 dono da empresa deu um tapinha nas costas dele? Pois é, esse é o preferido
dos podres de rico, o mais fácil de ser comprado e manipulado...

2) Classe Média Média - tem um nível de vida razoável, algum conforto, um
apêzinho de três quartos na periferia, carrinho popular zero (com prestações a
perder de vista), educa os filhos em colégios elitizados e vive no limite do cheque
 especial para manter isso. É o tipo que trabalha hoje para pagar as contas
amanhã. Esse eu conheço bem, pois fui criado como um deles pelo menos até
os meus 18 anos (saiba como consegui obter, às duras penas, minha "consciência
 de classe" lendo meus relatos "Eu Também Já Fui Papagaio da Direita" e "Como
 Comecei a Ver e Sentir a Matrix"). São aqueles que vivem com medo de perder
tudo, sempre no limite do estresse e manipulados pelo terrorismo midiático, ao
mesmo tempo que morrem de raiva de quem é igual a eles, porém está do "outro
 lado" do muro, à esquerda, lutando por um mundo melhor.

3) Classe Média Baixa - resumidamente, são aqueles que trabalham hoje
 para pagar as contas de ontem, mas mesmo assim ainda são capazes de
morar numa casinha bonitinha, ter um carrrinho mais ou menos novo e dar
 um mínimo de conforto e educação aos filhos (de preferência em escolas
 estaduais gratuitas). Não são tão raivosos quando o acima citado, porém num
 misto de conformismo, alienação e vontade de subir na vida, são capazes de
tudo para agradar os "de cima". Esses, infelizmente, são os melhores tipos para
 serem usados como jagunços dos poderosos, como se fossem os capitães do
mato pós-modernos (para quem não sabe, capitão do mato era um ex-escravo
recém libertado que era contratado pelo próprio ex-dono para perseguir escravos
 fugitivos).

Então, entre os pobres que mal conseguem se manter vivos e os podres de ricos que acham divertido pagar R$ 7.000 num sapato na Daslu, estão os pobres coitados da Classe Média. Espremidos entre a miséria total e a riqueza absoluta, vivem delirando que um dia vão "chegar lá" no topo da pirâmide e virar um "chapa" do Antônio Ermírio.

E para isso, sonham, basta trabalharem bastante, serem bonzinhos, não questionarem as regras e, acima de tudo, defenderem os interesses daqueles chiques e famosos - afinal de contas, são seus próprios interesses já que um dia eles mesmo poderão também estar lá em cima comprando suas ilhas particulares, não é mesmo?

Essa foi, na minha opinião singela, a grande "sacada" dos podres de ricos: convencer os boçais da Classe Média, por meio de seus aparatos midiáticos (cinema, televisão, jornais, revistas, etc) de que eles estão mesmo bem mais próximos do topo da pirâmide do que da base e que para chegar lá em cima não é difícil, basta ter esforço e dedicação...
É aquela velha piada do cara sentando em cima do trabalhador com uma cenoura
 na ponta de uma vara de pescar - o de baixo vai sair correndo para tentar
pegar a cenoura, enquanto carrega o outro nas costas sem nunca coseguir
alcançar seu "prêmio".

Se a turma da Classe Média tivésse a mínima consciência de classe, 
estaria sempre ao lado dos pobres e miseráveis lutando por melhor 
distribuição de renda, respeito aos direitos humanos e por Justiça social.
E não faria isso por altruísmo ou caridade, mas sim por necessidade, para garantir
sua própria sobrevivência e um futuro melhor para seus filhos.

O motivo para isso é óbvio, não? Quanto menos pobreza e injustiças existirem no
mundo e quanto menor for o abismo que separa as classes sociais, menos chance
de perder tudo e viver na miséria as pessoas vão ter. Assim, ao invés de ficarem
agarrados desesperadamente ao pouco que tem - tornando-se presa fácil do
discurso cínico dos "conservadores" - a Classe Média poderia viver em paz, sem
 medo do amanhã e sem ódio dos que ousam ter consciência de classe e lutam
por um mundo melhor para todos.

Enfim, ouçam abaixo a música "Classe Média", do Max Gonzaga, que resume bem o
que eu tentei dizer aqui.


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