LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sábado, 3 de novembro de 2012

O recado das urnas - Por Delúbio Soares


03/11/12 - 07h3

O saldo das eleições municipais de outubro é altamente favorável às forças democráticas.


Registrou-se tanto a expressiva vitória de Fernando Haddad e do PT na maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo, além do crescimento do partido em todo o país, quanto grandes derrotas da direita e o visível encolhimento da oposição em todas as regiões do Brasil.
Jamais uma eleição foi tão disputada por todas as forças políticas envolvidas, nem o eleitorado tão bombardeado pela manipulação midiática, a distorção dos fatos e uma autêntica operação de guerra montada na tentativa (vã, por sinal) de derrotar o Partido dos Trabalhadores e os seus candidatos.
Nos meses que antecederam o pleito, vivemos uma época de subversão de valores, com os fatos sendo tangidos ao sabor da mentira e do claro interesse partidário. Se os fatos não favorecessem a oposição, pior para os fatos. Se os números mostrassem o avanço dos candidatos petistas, eles eram solenemente ignorados (e omitidos). Pesquisas que demonstravam o crescimento de candidatos populares foram sonegadas em alguns dos maiores telejornais. Analistas políticos e econômicos assumiram o trabalho antes destinado apenas aos marqueteiros das candidaturas oposicionistas. Manchetes de alguns jornais foram paridas com o objetivo específico e indisfarçável de frequentar os programas eleitorais da oposição na TV, numa prática condenável e nada discreta, exatamente como foi feito em 2010 na tentativa desesperada de derrotar Dilma Rousseff e eleger o tucano José Serra.
Em 2012, como transitando por um túnel do tempo, o Brasil testemunhou a repetição das práticas fascistóides da eleição presidencial passada. O preconceito, a homofobia, o racismo, o reacionarismo em sua forma mais primitiva, a deturpação da fé religiosa, o abuso do poder econômico, a judicialização da vida política e a politização da justiça, foram marcas indeléveis do processo político-eleitoral no ano em curso. A repetição de mentiras relativas à Ação Penal 470 se transformaram na mais forte – e, talvez, única – mensagem da grande maioria dos candidatos da oposição.
Qual a proposta da oposição para a delicada questão do planejamento urbano? Mensalão! E para a saúde nos Municípios? Mensalão! E para a segurança pública, a educação, os transportes, a habitação? Mensalão! A oposição, desta forma, apostou na despolitização de nosso eleitorado e numa suposta ignorância de uma massa que seria desinformada, ignorante e que não saberia interpretar os fatos e nem desconfiar do jogo sujo da manipulação da notícia pela mídia partidarizada. Não apresentou propostas administrativas, nem tratou de questões absolutamente fundamentais no dia-a-dia das populações urbanas e rurais, dos jovens, dos trabalhadores, das mulheres, das minorias. E, por isso, perdeu.
A vitória das forças democráticas e progressistas, representadas pelo PT e pelos partidos da base aliada, foi evidente e incontestável, em mais de 70% das prefeituras municipais em disputa. As vitórias eleitorais da oposição, em pouquíssimas cidades de expressão política, econômica e social, foram empanadas pelas reeleições de Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, pelo PMDB, de José Fortunatti, em Porto Alegre, pelo PDT, de Paulo Garcia, o competentíssimo petista que governa Goiânia, além de outros tantos. E, também, por vitórias folgadas como a dos companheiros petistas Fernando Haddad, em São Paulo, Jorge Cartaxo, em João Pessoa, além de aliados como o trabalhista Gustavo Fruet, em Curitiba. Até em cidades importantíssimas como Belo Horizonte e Fortaleza, a disputa se deu entre partidos que apoiam Dilma e apoiaram Lula, com a oposição (PSDB e DEM) riscada do mapa pelo voto popular. Pior quadro para os que nos fazem oposição seria impossível.
Em grandes e importantes cidades do interior e das zonas metropolitanas, como Santo André, São Bernardo do Campo, Mauá, São José dos Campos, Osasco, em São Paulo, Vitória da Conquista (BA), Uberlândia (MG), Niterói (RJ), além de centenas de cidades pequenas e médias em todos os Estados, com espetacular crescimento de norte a sul, o PT se tornou o partido mais votado do país, com um salto quantitativo e também qualitativo, mostrando tanto a aprovação popular ao jeito petista de governar como uma condenação às campanhas rasteiras e demonizadoras de que fomos alvo por parte da oposição, aquela que perdeu fragorosamente.
O PT tem um compromisso claro tanto com a governabilidade, atuando democraticamente e buscando fortalecer nossas instituições, quanto com a boa governança, escolhendo os seus melhores quadros para oferecê-los à consideração popular e à administração da coisa pública. Há uma nova geração petista, de homens e mulheres jovens, qualificados para administrar, sobejamente mais preparados que os pretensos quadros da oposição destrutiva e rancorosa. Isso ficou patente com a retumbante vitória de Fernando Haddad, que conquistou a confiança da maioria absoluta do eleitorado de nossa maior cidade e, de quebra, permitiu que os brasileiros aquilatassem a ausência total de propostas de governo, de projetos em favor de nossa população e do futuro de nosso país, expressa na baixaria em que se constituiu a cruzada reacionária, denuncista, preconceituosa e falso-moralista do derrotado José Serra, o arauto do baixo nível na vida pública brasileira.
Fernando Haddad, como Paulo Garcia, como Jorge Cartaxo, como todos os 624 prefeitos eleitos pelo PT, além dos nossos companheiros prefeitos eleitos da base aliada, irão inaugurar uma nova fase na história político-administrativa dos Municípios brasileiros, onde o compromisso primeiro será com o bem-estar da população, o desenvolvimento econômico com justiça social, educação, segurança e saúde, um país melhor e um futuro de grandeza.
(*) Delúbio Soares é professor

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