LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Tiro ao Lula


12 DEZEMBRO 2012

Tiro ao Lula


'A esquerda tem de se mobilizar, responder de pronto as acusações, muitas delas distorcidas e manipuladas pela imprensa, que, de forma surreal, assumiu a condição de oposição política e partidária ao Governo trabalhista e ao PT 

Davis Sena Filho, Brasil 247

Creio que o esporte mais em evidência no Brasil é o tiro ao alvo. Esse esporte praticado por pessoas endinheiradas não acontece nos estandes de tiro, como deveria ser, mas nas páginas e nas telas de uma imprensa das mais reacionárias do mundo cujos proprietários representam o que há de mais atrasado no planeta, no que tange a seus princípios políticos e ideológicos, que leva esse segmento de direita a combater os políticos e as autoridades pertencentes ao campo da esquerda e que há dez anos ocupam a cadeira da Presidência da República e nomeiam os ministros de cada pasta ministerial.

Como é visível e transparente a decadência política de partidos conservadores como o PSDB cujos aliados DEM e PPS são partidos quase nanicos e praticamente inexpressivos eleitoralmente, com exceção da vitória de ACM Neto em Salvador e que foi ao Palácio do Planalto pedir dinheiro à presidenta trabalhista Dilma Rousseff, a solução para enfrentar o Governo Federal e o Partido dos Trabalhadores (PT) foi transferir a responsabilidade de fazer oposição aos barões da imprensa, que controlam, com mão de ferro, o segmento econômico midiático privado.


Ontem, o Estadão, talvez o jornal mais à direita deste País, publica matéria em que envolve mais uma vez o presidente Lula com malfeitos. É uma oposição constante e feroz, a ter como consultores e associados membros da Procuradoria Geral da República, que vazam informações contra o ex-mandatário trabalhista, que revolucionou o Brasil sem dar um tiro, sem reprimir qualquer movimento social e sem dar ordens à polícia para bater em trabalhadores, uma constante nos governos tucanos quando estiveram no Planalto, bem como fato comum no Estado de São Paulo controlado politicamente há quase 20 anos pelo PSDB, que de social democrata tem apenas o nome da sigla, além de ter um governador que recebe o Opus Dei no Palácio dos Bandeirantes.

Eis que a direita, ao perceber que, por exemplo, que Lula não está envolvido com o escândalo dos irmãos Vieira e de Rosemary Noronha, como afirmaram categoricamente o delegado e a promotora que estão à frente do caso, a imprensa golpista passa o dia todo, nos canais de televisão, a repercutir o "novo" escândalo, incessantemente, como forma de macular e desconstruir o nome de Lula como o mentor do "mensalão" cuja existência ainda não foi comprovada, apesar do julgamento de exceção comandado pelo juiz torquemada Joaquim Barbosa, que se jacta de sua posição e tenta agora rasgar a Constituição ao determinar a perda de mandato de parlamentares e com isso atropelar o Poder Legislativo, que, constitucionalmente, é o que determina ou não a cassação de deputados e senadores.

É a busca sistemática por uma crise institucional perpetrada pelo juiz Joaquim Barbosa e aqueles que o apoiam em sua cruzada insana, bem como "azeitada" também pelo procurador Roberto Gurgel, acusado de prevaricar em favor do bicheiro Carlinhos Cachoeira, do senador cassado, Demóstenes Torres, e do governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, que, de viva voz, reconheceu que o bicheiro tinha certa influência na máquina estatal goiana.

Agora, o presidente mais popular da história do Brasil, que saiu do poder com quase 90% de aprovação, é acusado de dar o sinal verde para o PT realizar empréstimos junto a bancos como o Rural, e, por conseguinte, pagar uma mesada a parlamentares para que o governo, entre outras coisas, pudesse aprovar seus projetos. Um governo que, sobretudo, tinha maioria na Câmara, como tem hoje e agora, inclusive, no Senado. E não é somente isso. Seuassessor, Paulo Okamotto, que administra o Instituto Lula, é acusado de ameaçar de morte o empresário Marcos Valério, conforme matéria do Estadão. Um absurdo que, no decorrer dos dias, vai ser devidamente "esquecido" pela mídia, porque não há provas para dar continuidade jornalística a tamanha incongruência.

O motivo da ameaça é proteger o envolvimento de Lula com o "mensalão". O mesmo processo que condenou José Genoíno pelo fato de ser presidente do PT e José Dirceu pelo fato de ser ministro-chefe da Casa Civil, porque não existem provas da participação desses personagens em desvio de dinheiro público, até porque, por exemplo, a Visanet é empresa privada cujos empréstimos foram devidamente registrados e documentados, e mesmo assim a maioria dos juízes do STF resolveu apenar os réus, por intermédio do "domínio do fato" e da pressão da imprensa comercial e privada, que fez do "mensalão" uma novela de péssima qualidade e que, por sua vez, não serviu para ajudar os tucanos vencer as eleições, por exemplo, nas principais cidades de São Paulo, bem como o PT é o partido que teve mais votos nas eleições e vai governar as grandes cidades do País, a partir de 2013.

O publicitário nascido no ninho do PSDB de Minas Gerais e que financiou as campanhas políticas de tucanos que habitam as montanhas mineiras, juntamente com o banqueiro Daniel Dantas, que recebeu dois habeas corpus em 48 horas do juiz condestável, Gilmar Mendes, um recorde mundial, que deveria constar noGuiness Book, transformou-se no X-9 ídolo da imprensa golpista, como o fora antes os arapongas Jairo e Dadá, que, segundo a CPMI, realizavam serviços de escuta clandestina para a dupla Carlinhos Cachoeira e Policarpo Jr., chefes daVeja, pasquim também conhecido como a Última Flor do Fáscio.

Outro ídolo desse tipo de imprensa é o ex-deputado Roberto Jefferson, réu confesso, e que foi pego com a mão na botija. A imprensa fez campanha para que sua pena fosse diminuída, como se ele tivesse feito um acordo de delação premiada, o que, sobremaneira, não ocorreu. O próprio Jefferson, recentemente, afirmou que "delação premiada para se salvar é coisa de canalha" quando soube que Marcos Valério afirmou que o presidente Lula usou o "mensalão" para pagar despesas pessoais. Para o ex-deputado, as palavras de Valério "não são críveis".

É assim que a banda toca: desafinada, mas barulhenta. O negócio da imprensa, da PGR e do STF de oposição é envolver Lula de qualquer jeito, mesmo se tiver de confundir a sociedade e até mesmo mentir. O tiro ao Lula é o que importa, porque o trabalhista é o alvo a ser acertado, porque, para essa gente, ele não pode falar, nem apoiar candidatos, como o vitorioso Fernando Haddad em São Paulo, e muito menos disputar eleições. Esses propósitos são visíveis. Lula tem de ser, se possível, algemado em frente às câmeras de tevê e seu rosto filmado, quiçá, atrás das grades. Restou à oposição fracassada e sem projeto de País, a judicialização da política, a criminalização do PT e a demonização de Lula.

Em futuro próximo, o alvo será a presidenta trabalhista Dilma Rousseff, que, para mim, inadvertidamente, tergiversa sobre a efetivação de um marco regulatório para as mídias. Não se deve, jamais, remediar com um sistema midiático historicamente golpista, que quer pautar a vida brasileira conforme seus ditames e interesses financeiros. O torquemada deputado Roberto Freire (PPS/SP?), aquele político que envergonha a esquerda e não consegue ser eleito síndico em Pernambuco, pretende que seja aberto "imediato inquérito" contra Lula. É o ódio dos ressentidos, dos rancorosos e dos derrotados. Freire é o típico político que congela seu rancor no freezer. Não há nada pior do que um ex-comunista que pula a cerca para servir à direita como um capataz, maldoso, ardiloso e feroz. É simplesmente lamentável.

A matéria vazada para o Estadão é, na verdade, um fake. São informações requentadas. Quem acompanha o dia a dia da política sabe disso; sabe do que estou a falar. Os profissionais de imprensa política compreendem esse processo draconiano, inclusive os que militam na grande imprensa de direita e de negócios privados, até porque são eles que requentam e republicam esses pseudos "vazamentos", que tem por finalidade desgastar o Governo Federal e macular a imagem de Lula.

Marcos Valério, o X-9, falou oficialmente à procuradora Cláudia Sampaio, que vem a ser a mulher do PGR Gurgel. Se, supostamente, tais informações são sigilosas e podem comprometer criminalmente o político mais importante do País, como podem ser "vazadas", sendo que os autos do processo estão sob a responsabilidade dos procuradores Roberto Gurgel e Cláudia Sampaio. O que está a acontecer neste País? Somente um lado é investigado, denunciado, julgado e condenado? O jornalismo seletivo de uma imprensa conservadora somente dissemina e irradia manchetes contra o PT, o Governo Federal e o presidente Lula?

A esquerda tem de se mobilizar, responder de pronto as acusações, muitas delas distorcidas e manipuladas pela imprensa, que, de forma surreal, assumiu a condição de oposição política e partidária ao Governo trabalhista e ao PT, sendo que os membros de tal oposição não disputam eleições, não são votados e, por seu turno, não são eleitos. Os programas de governo dessa gente são suas pautas elaboradas nas redações, que, indelevelmente, não visam compromisso algum com os interesses do Brasil e com o desenvolvimento de seu povo. Como seus candidatos não vencem as eleições, então, qual é a solução para a direita brasileira? Resposta: judicializar e criminalizar o processo político, e fazer do Brasil um grande Paraguai. A acusação a Lula é leviana, e a matéria do Estadãoé requentada. O tiro ao Lula vai sair pela culatra. É isso aí."

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