LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

AÉCIO NEVES FALA, MAS A REALIDADE É OUTRA

AÉCIO NEVES FALA, MAS A REALIDADE É OUTRA
Davis Sena Filho
DAVIS SENA FILHO22 DE JANEIRO DE 2013 ÀS 10:28
O Brasil vai crescer este ano e com isso dar continuidade ao ciclo formidável de progresso pelo qual passa o povo brasileiro nos últimos dez anos

O pré-candidato a presidente da direita brasileira e também, por que não, dos conservadores estrangeiros, senador Aécio Neves (PSDB/MG), está muito preocupado com o sistema de energia do País, bem como com a inflação, que, inversamente ao que ele fala, está controlada e dentro dos índices esperados pelo Ministério da Fazenda e o Banco Central. A verdade é que a realidade do Brasil não é a que o senador tucano vê. É outra.

FHC quando se olha no espelho vê o Aécio Neves, seu alter ego mais jovem

Para o tucano mineiro, os trabalhistas, com quem seu avô, Tancredo Neves, conviveu e apoiou durante décadas e que ocupam a cadeira da Presidência da República há mais de dez anos, além de realizarem uma revolução silenciosa no Brasil reconhecida pela comunidade internacional, não administram com correção e responsabilidade o País e muito menos têm competência para tocar o barco para águas mais calmas e, por sua vez, livre de ondas traiçoeiras, que podem afundar o poderoso País da América do Sul, e que colunista da Veja, colonizado e com um incomensurável complexo de vira-lata, teima em tratá-lo pelo nome de "Banânia".

É dessa forma que a banda toca nesses pagos tropicais quando a direita não está no poder, porque talvez quando esteve não se preocupou em governar para o povo, principalmente a parcela mais exposta às intempéries da vida, exatamente aquela que historicamente fica à margem do processo de desenvolvimento social e econômico, e que durante séculos foi tratada como pária pelos burgueses e pequenos burgueses, ideologicamente perversos, racistas, reacionários, egoístas, exclusivistas, portanto, sectários e totalmente avessos à inclusão dos que foram barrados nas portas de suas festas, ou seja, do baile.

Aliás, festa é um tipo de evento que o tucano Aécio Neves é grande frequentador, um "glamouroso" conviva e talvez um sócio honorário da high society, especialmente a carioca. Até aí tudo bem. Quase todo mundo gosta de festas, divertir-se com os amigos e conhecer pessoas. É normal. O que não é normal é o político tucano falar de inflação quando o seu "guru", o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso – o Neoliberal –, deixou o poder com uma inflação de 12,5% no último ano de seu mandato, enquanto o presidente trabalhista Luiz Inácio Lula da Silva saiu da presidência com uma inflação de 4,6%. Se formos para o acumulado dos oito anos de cada presidente, a espiral inflacionária do governo Lula é cerca de 40% menor do que a do governo neoliberal de FHC.

A meta para inflação em 2013 é de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. E é exatamente o que vai acontecer, apesar do histerismo das oposições partidárias e principalmente dos "especialistas" de prateleiras da Globo News, do JN e dos jornalões e revistas de oposição sistemática, presunçosa e irracional perpetrada pelos seus colunistas, editorialistas, comentaristas, editores e até repórteres, que se esforçam para fazer um panorama do Brasil o pior possível, como se estivéssemos a enfrentar um hecatombe da proporção do que o neoliberalismo sem regras e fiscalização fez com as economias dos Estados Unidos e da União Europeia, o que de fato não ocorreu no Brasil governado por mandatários trabalhistas.

Aécio Neves, o candidato da direita, também chamou a atenção com sua imensa preocupação com a capacidade de o Brasil gerar energia para a população e os setores produtivos. Aliás, os jornalistas da imprensa de direita e da direita estão também deveras incomodados e até mesmo temerosos de o Brasil ficar em plena escuridão, como ocorreu, em 2001, no governo do neoliberal FHC, que, preocupado em vender o patrimônio público, parou de investir no setor de energia elétrica, bem como na Petrobras ou tudo que fosse vinculado à infraestrutura do País, como os portos, os aeroportos e as ferrovias. Tudo, sem sombra de dúvida, abandonado propositalmente para facilitar a alienação do que é bem patrimonial de uma nação e não de um grupo privatista, irresponsável, e sem nenhum compromisso com o futuro do Brasil e das gerações vindouras.

A suposta preocupação de Aécio Neves me comoveria se não fosse ele o alter ego de FHC – o Neoliberal -, que se enxerga no tucano mineiro como se olhasse para o espelho quando mais jovem. A vocação do playboy. Não a do playboyzinho de butique barata, de óculos escuros e que anda em um carrinho ou uma motinha para atrair as menininhas do bairro ou do colégio. Mas o playboy verdadeiro, da alta sociedade, que tem dinheiro e influência, e, não satisfeito, almeja e deseja sempre o poder político para manter, a qualquer custo, o status quo das classes sociais que eles defendem e representam: a dos ricos e a dos muito ricos. E a parte da classe média de perfil lacerdista, agressiva e ressentida? Respondo: deixa a coitada continuar a ser otária e a acreditar na imprensa comercial e privada.

Quando FHC se olha no espelho vê o Aécio Neves e vice-versa. É por isso que os dois são farinha do mesmo saco. Não existe preocupação nenhuma dos tucanos com o desenvolvimento da população deste País. E por quê? Porque eles representam as classes sociais hegemônicas, abastadas e que nunca, nem hipoteticamente, quiseram negociar com o todo da sociedade brasileira um processo político que viabilizasse a distribuição de renda e riqueza ou a diminuição das desigualdades sociais e regionais. Quem é inquilino do pico da pirâmide social não negocia e não aceita a confrontação política, ou seja, o jogo democrático, e é exatamente por isso que vivemos em um País em que a calúnia, a injúria, a difamação e a mentira campeiam nos meios de comunicação de negócios privados, que são os verdadeiros e autênticos porta-vozes dos interesses do grande capital, tanto no âmbito interno quanto no externo.

Aécio Neves tal qual a FHC se importa com o povo brasileiro tanto o quanto o tucano mineiro se dedicou a combater, juntamente com o governador de Minas, Antônio Anastasia, a queda de 20% do preço da energia. Não somente o governador de Minas, porque os governadores de Goiás, de São Paulo, do Paraná e o de Santa Catarina, que é do PSD, mas tem alma tucana, boicotaram a diminuição da conta de luz em favor dos acionistas das companhias de energia controladas por estados governados por políticos do PSDB. Ponto.

O Brasil vai crescer este ano e com isso dar continuidade ao ciclo formidável de progresso pelo qual passa o povo brasileiro nos últimos dez anos. O dever de casa foi feito pelo atual governo trabalhista em 2012, e por isso a colheita vai ser de bons frutos este ano. Quem viver verá, apesar da manipulação e do histerismo da imprensa de mercado e do mercado. Contudo, encerro por aqui este artigo ao tempo que solicito ao leitor para ler com atenção abaixo.

1) Taxa de inflação (IPCA):

FHC (1995-2002) - 100,6;
Lula (2003-2010) - 50,3%;

2) Taxa de Desemprego (IBGE):

FHC (Dezembro de 2002) - 10,5%;
Dilma (Dezenbro de 2011) - 4,7%;

3) Taxa Selic (Banco Central):

FHC (Dezembro de 2002) - 25% a.a.;
Dilma (Agosto de 2012) - 7,5% a.a.;

4) Salário Mínimo (IBGE):

FHC (Dezembro de 2002) - R$ 200 (US$ 56);
Dilma (Agosto de 2012) - R$ 622 (US$ 306);

5) Investimentos Públicos (Banco Central):

FHC (2002) - 1,5% do PIB;
Lula (2010) - 2,9% do PIB;

6) Dívida Pública Líquida (Banco Central):

FHC (Dezembro de 2002) - 51,5% do PIB;
Dilma (Julho de 2012) - 34,9% do PIB.

7) Reservas Internacionais Líquidas (Banco Central):

FHC (Dezembro de 2002) - US$ 16 bilhões;
Dilma (Agosto de 2012) - US$ 372 bilhões;

8) PIB (Banco Central):

FHC (2002) - US$ 459 bilhões (2o. da América Latina e 15o. do Mundo);
Dilma (2012) - US$ 2,4 Trilhões (1o. da América Latina, 2o. das Américas e sexto do Mundo);

9) Exportações (Banco Central):

FHC (2002) - US$ 60 bilhões;
Dilma (2012) - US$ 256 bilhões;

10) Empregos Formais (Caged-Ministério do Trabalho):

FHC (1995-2002) - 5 milhões;
Lula-Dilma (2003-2011) - 17 milhões;

11) Escolas Técnicas Federais (MEC):

FHC - 11;
Lula - 224;

12) Universidades Federais (MEC):

FHC - 1;
Lula - 14;

13) ProUni (MEC):

FHC - Não existia;
Lula-Dilma - 1 milhão de estudantes beneficiados;

14) Crescimento Econômico:

FHC (1995-2002) - 2,3% a.a.;
Lula (2003-2010) - 4,6% a.a..

15) Balança Comercial (Banco Central):

FHC (1995-2002) - Déficit de US$ 8,7 bilhões;
Lula-Dilma (2003-2011) - Superávit de US$ 290 bilhões.

Não é necessário comentar nada. Os números se encarregam de desmascarar o que a imprensa burguesa e sectária propaga de forma proposital para desqualificar os governos trabalhistas e do PT de Lula e de Dilma. Aécio Neves apenas está a fazer o que lhe cabe: conseguir um gancho ou um mote para poder usar como contraponto ao Governo Dilma Rousseff.

Entretanto, tal político que se diz compromissado com a população representa, na realidade, a alta sociedade brasileira e seus interesses políticos e econômicos. Não é à toa que Aécio há muito tempo esqueceu de onde vem a origem política de seu avô, ministro dos presidentes Getúlio Vargas e de João Goulart, ambos trabalhistas e golpeados do poder pela direita brasileira herdeira da escravidão.

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