LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quarta-feira, 20 de março de 2013

Qual é o seu lado?


Conversei na última sexta-feira com um dos maiores investigadores do país sobre o tema do momento: a nova classe média brasileira. Podia revelar o nome dele e isso certamente não lhe traria incômodo, mas como tratou-se de um bate-papo e não de uma entrevista formal, não sei o que foi considerado on e off pelo interlocutor. Por isso, peço desculpas por não apresentar sua identidade.

Como estamos muito condicionados a pensar sobre quase tudo dentro de parâmetros que, à nossa maneira, servem perfeitamente para compreender o mundo, digo, o nosso mundinho particular, encontros como este servem como uma experiência desestruturante. Tira-nos do estado de acomodação anterior, desestabiliza-nos primeiro, para permitir que alcancemos outro patamar de compreensão em seguida.

Mas vamos ao que interessa. Os clássicos formadores de opinião, a elite econômica e intelectual, não raro defendem o aumento da qualidade do ensino público. Ok, também defendo. Só que tudo o que pleiteamos em termos de melhorias, seja o serviço que for, requer necessariamente mais investimento, certo? Como os recursos são finitos... Vale lembrar que todo ano é aquela briga até aprovar o tal Orçamento no Congresso.

Ainda agora, mais recentemente, houve quem chiou quando o Governo anunciou que destinaria parte dos recursos do pré-sal para a educação, não foi?

Portanto, se temos que fazer uma escolha entre universalizar o acesso ou melhorar a qualidade, de que lado ficamos? Eu fico com a universalização no primeiro momento. Aí virão os críticos dizer: o que adianta o sujeito ir para a escola se o ensino é um lixo? Bom argumento.

No entanto, este estudioso faz uma ponderação interessante: ainda que a escola seja ruim, mesmo assim alguma escolaridade tem um impacto significativo no aumento do poder aquisitivo, logo, na riqueza do país.

Amanhã não teremos crianças fora da escola. Hoje, por exemplo, já são poucas. Se formos fazer um corte, quem está em desvantagem são os atores de sempre, infelizmente: negros, pobres e, sobretudo, moradores da zona rural.

Só que a conta da escolaridade é assustadoramente positiva: cada ano a mais de educação agrega valor aos salários da ordem de 15% . É uma injeção de 109 bilhões de dólares ao ano na economia! Isso mesmo! Mais educação numa ponta é mais riqueza na outra, simples assim.

Claro que devemos atribuir esse salto no numero de crianças e jovens matriculados aos programas sociais do Governo. Afinal, as políticas de transferência de renda focadas nas mulheres, mães, com contrapartida de filhos frequentando a escola demonstraram que dão resultado.

Não por acaso, programas como os adotados pelo Brasil são hoje discutidos em todo mundo, seja em países em desenvolvimento, seja por organismos internacionais, como a ONU.

Onde quero chegar? Escola leva a trabalho de maior qualificação, com melhores salários, novos padrões de consumo e, futuramente, novas demandas por qualidade do serviços públicos e de tecnologia, como um computador conectado à internet por banda larga universalizada, por exemplo.

Aparentemente nenhuma novidade. Só que a grande novidade já está em curso e é silenciosa. A continuarmos assim, diz meu interlocutor, vislumbramos uma classe C melhor informada e mais consciente de seus direitos e pronta a cobrar mais e melhores resultados.

Por isso, o debate que se trava hoje na política, não por acaso, é se queremos um Estado de bem estar social, representado pelo petismo e seus associados, ou um Estado mínimo, representado pelas forças conservadoras capitaneadas pelos tucanos. Em jogo está a conquista de corações e mentes desta nova classe social em ascensão, que vai pedir: ou o fortalecimento, ou a ruína do Estado.

Portanto, em jogo também temos um novo personagem em ação: o imposto. Com a economia formal em expansão, o trabalhador tem desconto na fonte e o prestador, na nota. Se o peso do imposto voltar como desejada contrapartida em serviços públicos, ok. Caso contrário, vai valer o salve-se quem puder do neoliberalismo, que tem espalhado seus mortos ao redor, como temos testemunhado.

Ainda que haja corrupção e desarranjos estruturais, prefiro a via do bem estar social patrocinado pelo Estado, de preferência taxando fortemente quem tem muito, para diminuir ao máximo esse abismo escandaloso chamado desigualdade.

E nesta disputa sei direitinho quem está em cada campo: de um lado os trabalhistas, humanistas e os movimentos sociais. E do outro os bancos, a elite empresarial, o agronegócio e mídia, claro que com as exceções de praxe.

E você, qual é o seu lado?
 

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