LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Fabricando um governador



Fabricando um governador
Por Edson Miranda

Depois que Lula "fabricou" sua sucessora, a atual presidenta Dilma, muitos tentaram e, tudo indica, ainda tentarão usar a fórmula vitoriosa do ex-presidente, mas, com baixa possibilidade de repetir o feito. Muita gente ainda acha que é Lula e que tem sua Dilma, mas a eleição anterior de prefeito já foi capaz de demonstrar a rápida caminhada para a falência desse método de fabricação.

O próprio Lula, já visualizando as dificuldades de sobrevivência da "teoria da eleição do poste", convenceu o seu ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, a se candidatar, com êxito espetacular, à Prefeitura de São Paulo. Haddad, um intelectual de envergadura e gestor testado à frente do MEC, encarnou a figura de um político novo, capaz de sacudir o bolor, acumulado há décadas, no cenário da prática política paulista. 

Tanto isso é verdade que nem o ato contracenado nos jardins da mansão malufista, embalado pelo próprio Lula, numa operação de risco por mísero minuto de TV, conseguiu matar seu personagem e abalar significativamente sua performance. Ou seja, o caso Haddad é completamente diverso e, como já dissemos, não se aplica à "teoria da eleição do poste". 

No PT da Bahia dois exemplos são emblemáticos a esse respeito, os casos das sucessões em Lauro de Freitas e Camaçari. No primeiro, a prefeita Moema Gramacho foi surpreendentemente derrotada na tentativa de eleger o seu candidato tirado da cartola ou da sua própria cachola. No segundo, o prefeito Caetano sofreu um grande aperto para eleger o candidato nascido da sua cabeça e não oriundo do jogo na sociedade e da discussão partidária. 

Caetano conseguiu, a duras penas, eleger seu sucessor, mas Camaçari terminou, praticamente, dividida ao meio, com a oposição pavimentando, agora e bem, suas possibilidades de retorno ao poder local.

Nunca é demais salientar que a fabricação do sucessor e suas possibilidades de vitória eleitoral estão intimamente relacionadas com a performance do antecessor e com a alta aceitação popular do governo que será sucedido.

A aceitação ou a submissão dos demais, à condição do antecessor como liderança condutora inconteste da sucessão é o que fundamenta todo o processo, o que, convenhamos, demonstra o quanto ainda temos de personalismo na política e o quanto ainda estamos próximos do traço autoritário de outrora.

Tudo isso, nos leva a intuir que o atual governo da Bahia não conta com popularidade suficiente - no momento, é sempre bom frisar, pois "política é como nuvem", já afirmava Magalhães Pinto, a situação, evidentemente, pode mudar- nem o primeiro mandatário do Estado goza de prestígio inquebrantável, perante a maioria da sociedade baiana, para uma aventura sucessória nos moldes da enveredada por Lula em 2010.

Como já afirmei acima, mesmo numa situação onde as duas variáveis mais importantes, performance do antecessor e popularidade do governo, sejam extremamente favoráveis, mesmo assim, a operação para aplicação da "teoria da eleição do poste" é de risco também extremo. 

Nas sociedades atuais, incluso a baiana, com alto teor de desgaste da política e dos políticos, são cada vez mais remotas as possibilidades de se manobrar o eleitorado para aceitar algo construído artificialmente. 

Fazendo-se uso do famoso balcão de negócios, pode-se até manobrar os partidos e os políticos, estes cada dia mais carreiristas, por isso, também, cada dia mais medrosos e submissos, mas com a sociedade é diferente, se esta, antecipadamente, ou ainda durante o processo eleitoral, percebe a manipulação aí é que a coisa, realmente, não vinga e o eleitor fará questão de dar o troco.

Claro que a chamada estrutura ainda consegue milagres eleitorais, mas fica cada vez mais claro também que se consolida no mundo globalizado uma força social gigantesca capaz de abalar tais estruturas, arquitetadas para a manutenção do poder institucional e, consequentemente, reverter prognósticos favoráveis aos que se nutrem politicamente e criam carreiras políticas meteóricas surfando nessa onda de poder temporal. 

O fenômeno Beppe Grillo, nas últimas eleições italianas, talvez seja o que de mais recente e emblemático nós temos como expressão dessa necessidade atual, talvez o termo mais correto venha a ser "mania", das "massas populares" de inversão do jogo tradicional de poder, pois se trata, na verdade, de algo incutido nos humanos pelo uso contínuo das novas máquinas de comunicação.

O povão, por incrível que pareça, desperta do embotamento secular, sacudido pela parafernália comunicacional disponível na atualidade, e agora faz questão de mostrar ao poder temporal quem realmente dá as cartas nas democracias representativas.

Nesse sentido, corre-se um sério risco de "dar com os burros n'água" quem acha que pode comandar o processo sucessório no Estado como se o comandasse num sindicato de trabalhadores. Como no sindicato dos Químicos e Petroquímicos, por exemplo. Para o bem de todos e do estado, inclusive, devemos perceber que a diferença é substantiva e é fundamental que assim o seja.

Assim, das duas uma:ou o governador da Bahia acredita piamente que as performances sua e do seu governo vão melhorar para níveis estratosféricos e, assim, vai emplacar com facilidade seu Chefe da Casa Civil em 2014 ou, nesse momento, fazendo o jogo preliminar e subterrâneo da política, infla um candidato mais fácil de ser esvaziado lá na frente, visando conter prováveis dissidências e acomodar forças partidárias que apoiam o projeto prioritário do PT que é reeleger a presidenta Dilma. 

Refiro-me, particularmente ao PSB e ao PSD, pois ambos se contentariam com mais musculatura em determinados estados, visando a disputa de 2018.

Nessa toada, por mais que se busque sentido na equação do governador em fazer de Rui Costa seu sucessor não o encontramos. É um candidato eleitoralmente fraco. Teve apenas 212 mil votos para deputado federal, quando tinha potencial para 400 mil, devido a estruturas do Estado e de municípios colocadas à disposição da sua eleição em 2010.

Não tem carisma, muito pelo contrário, é uma figura até certo ponto antipática. O que pode fazer da sua eleição para governador algo superficial, contando apenas com a força dos prefeitos e dissociada da sociedade civil organizada, o que seria um retrocesso para o projeto petista, pois era dessa maneira que o velho cabeça branca, ACM, fazia. 


Quem não lembra o affair Prisco Viana ou então da célebre frase, quando da eleição de João Durval, "se eu quiser eu elejo até um poste". O velho mandava os prefeitos despejarem votos ou, então, retirarem votos. Até que um dia o mandonismo ruiu, pois era alicerçado no oportunismo, na submissão e no medo.

Como parlamentar ainda deve ter uma longa caminhada até se tornar uma figura expressiva. Quem se lembra de Rui Costa vereador de Salvador? O que fez de significativo pela cidade? E como deputado federal, apesar do curto tempo de exercício do mandato, fez o que?

Em sua experiência no Poder Executivo, secretário de relações institucionais no primeiro mandato de Wagner e agora chefe da Casa Civil, no segundo mandato, o que fez para evitar que o governo se apresentasse, perante boa parte da sociedade mais atenta, como um ente esquartejado? Sem comunicação, sem diálogo entre os diversos pedaços. E agora, no papel atual, o que faz a não ser se restringir a uma espécie de "anjo anunciador" das obras do Governo Federal, do PAC?

Sinceramente, por mais que se queira encontrar sentido nessa empreitada politico-eleitoral, por mais que se queira encontrar razões para a fabricação atual de um governador, usando um político que o uso da razão nos diz que o seu lugar não é o da primazia, o primeiro da fila, não as encontramos. 

Mesmo reconhecendo que qualquer um em posição de destaque no governo tem o direito de pleitear a candidatura e que o governador sempre teve dificuldades de descartar antecipadamente postulantes, muito pelo contrário, a todos solicita que "crie as condições" para a disputa, mesmo assim essa preferência gera estranheza, pois não é da alma do político atacar com a peça que lhe é mais desfavorável no tabuleiro eleitoral, a não ser que esteja blefando e vislumbre outra jogada mais na frente.

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