LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quinta-feira, 18 de abril de 2013

“Missão nobre do Supremo?”


 "Missão nobre do Supremo?"
A Ação Penal 470 escancarou uma evidente operação política para atingir o PT, como parte da criminalização dos movimentos sociais e da judicialização da política, o que representa uma ameaça aos direitos democráticos. Extrapolando a "teoria do domínio de fato", o STF condenou dois ex-presidentes do PT sem qualquer prova sobre a sua responsabilidade nem sobre o desvio de dinheiro público e, negando o princípio da presunção da inocência (Retrato do Brasil, dez 2012, p. 5).
O STF, instituição herdada da ditadura militar, neste julgamento de exceção atacou a democracia no país. Decide cassar deputados eleitos como outrora fez em 1974 ao cassar, prender e condenar o deputado baiano Chico Pinto acusado de "insulto" ao criticar o ditador Pinochet de "fascista e opressor do povo chileno". Este mesmo STF que validou a Lei da Anistia impedindo o julgamento e punição dos crimes da ditadura militar e, recentemente, suspendeu a decisão do Congresso Nacional por uma melhor distribuição dos recursos do petróleo, atropela os direitos democráticos duramente conquistados. Como diz o constitucionalista Pedro Serrano (PUC-SP) é o "avanço da toga sobre a soberania popular".
Diante desse ataque, é vexatória a posição do professor Carlos Zacarias, dirigente do PSTU que no Jornal A Tarde em 15/3 faz questão de lembrar ao Supremo as injustiças cometidas pelo TSE em 1948 contra o PCB para dizer que o STF tem atualmente "uma missão bem mais nobre". O PCB, principal partido operário do Brasil à época, sofreu um ataque em 1947-48 a pretexto de servir aos interesses da União Soviética. Foi posto na ilegalidade e foram cassados os mandatos parlamentares pelo TSE. No entanto, Zacarias deveria lembrar que a direção do PCB ao "respeitar" o julgamento politico das instituições naquele período e, submeter-se a esta decisão, permitiu um avanço das forças reacionárias contra as organizações dos trabalhadores que culminou com o banimento da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), centenas de sindicatos interditados e a própria ilegalidade do PCB, numa derrota sem combate da qual jamais se reergueu.
Hoje é o PT condenado num julgamento politico sem provas que, o professor Zacarias, chama de "missão nobre do Supremo". Zacarias capitula frente à ameaça que paira sobre todas as organizações sindicais e populares como a CUT, MST e UNE, inclusive o partido que faz parte. Estimula, ao invés de combater, o processo de judicialização da política em curso no Brasil. Como o fato que ocorreu com o presidente de um sindicato de trabalhadores rurais em Rondônia condenado por uma greve a 1.000 km de sua base ou no caso recente em que 72 estudantes da USP são acusados de formação de quadrilha e "omissão coletiva" pelo Ministério Público de São Paulo por se manifestarem contra a presença da Polícia Militar no Campus. O professor Zacarias alinha-se, portanto àqueles incondicionais defensores da AP 470, como o PSDB - porta voz do imperialismo estadunidense e, a grande mídia brasileira que partidarizou o julgamento.
Não é possível ser indiferente a esta situação, nem tampouco à posição daqueles que se dizendo socialistas, apoiam esse ataque. Não há espaço para tergiversar, nem virar a página aos ataques anunciados contra o PT e os direitos democráticos. Independente das divergências politicas existentes é necessário reagir e explicar ao povo o verdadeiro significado desse julgamento. É isso que deveria fazer a direção do PT ao conclamar sua militância para a "defesa do PT e de nossas bandeiras".
Ainda é tempo de tirar as lições da história e agir. É com esse espírito que começa a ocorrer atos e debates em defesa do PT e dos direitos democráticos no país como ocorreu no ato público em Salvador no dia 11 de fevereiro convocado por sindicalistas da CUT, dirigentes do PT, militantes e jovens que, ao exigir anulação desse julgamento, reafirmou nos 33 anos do PT que este "nasceu da vontade de independência politica dos trabalhadores... e da vontade de emancipação das massas populares".
Paulo Riela
Membro do Diretório Municipal do PT Salvador

 
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