LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quarta-feira, 22 de maio de 2013

POR UM BAHIA do B

Por um Bahia do B

Vem de priscas eras, a tradicionalmente promíscua relação entre futebol e política. Até aqui essa mistura explosiva em termos de votos, fortunas e escândalos, serviu muito mais à podridão da cartolagem do que ao esporte. Exemplo e revelação mais recente é encarnada pelo atual presidente da CBF, José Maria Marin. Apontado como dedo-duro e bajulador dos ditadores, o sumo pontífice da cartolagem brasileira foi denunciado inclusive como delator do jornalista Vladimir Herzog, "suicidado" nos porões dos golpistas de 1964. Um dos que o acusam de outros malfeitos é o deputado tetracampeão Romário, exceção à regra – talvez por ter saído dos gramados e dos morros cariocas.

A velha máxima segundo a qual, quem não gosta de política é governado por quem gosta, tem qualidade de verdade absoluta no encontro entre futebol e política. Nos estádios e gabinetes, os cartolas dirigem clubes, negócios e articulações "políticas". Nas arquibancadas e nas ruas, o povão sofre, vibra, ama e torce sem fazer ideia do que se trama nos bastidores. É realmente uma pena que a mistura entre futebol e política tenha ficado, até aqui, praticamente restrita aos dirigentes dos clubes e federações. Torcedores/eleitores do Bahia, por exemplo, não podem escolher a diretoria do clube pelo voto direto, mas há décadas elegem os cartolas tricolores para sucessivos mandatos parlamentares.

Seria revolucionário para o futebol e a política, se torcedores e militantes políticos, assim como os cartolas, misturassem as coisas. Imaginemos a militância de esquerda com capacidade de reunir algumas dezenas de milhares de pessoas a cada semana, gritando palavras de ordem com o entusiasmo com que a nação tricolor tenta empurrar o time enterrado pela dinastia Guimarães... E se essa multidão resolvesse investir metade do que gasta com ingressos em estádios para eleger gente de qualidade pessoal e política oposta à dupla de pai e filho... E se as pessoas se dedicassem à vida em comum, à construção de uma sociedade sem tanta barbárie, com o mesmo fervor e fidelidade que se vê nas arquibancadas... Ah, com certeza Salvador seria outra cidade, a Bahia já teria superado suas mazelas e o Brasil seria mais que um país emergente se outras grandes torcidas fizessem o mesmo.

Em contrapartida, se a nação tricolor se contaminasse de apenas um cacoete da companheirada esquerdista, o esquadrão de aço seria um time de verdade, à altura do rival que nos goleou com todos os méritos. O cacoete milagreiro a que me refiro é a compulsão pelas divisões internas – os famosos rachas das organizações políticas de esquerda. O couro comia nos porões da repressão, as liberdades democráticas roubadas pelos golpistas e a companheirada que tinha todos os motivos para unificar a resistência se dividia como bactérias em processo de cissiparidade. Ainda hoje é assim. E assim elegemos um operário corintiano presidente e colocamos uma mulher no Palácio do Planalto.

Paradoxalmente, o poder do clã que consegue enterrar um time com torcida numerosa e fiel como a do Bahia está na resignação tricolor, que chora hoje a goleada humilhante de ontem e se contenta com uma desejada revanche no Barradão. Se houvesse só um pouquinho de contaminação do cacoete militante, a nação tricolor já teria mandado às favas essa cartolagem medíocre e incompetente. Teríamos então um Bahia do B, onde finalmente os sócios escolheriam os dirigentes pelo voto direto. Entendo menos de futebol do que de política, mas o pouco que sei não me deixa dúvidas: de alguma maneira a nação tricolor precisa se curar do "clãcer" Guimarães. 

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Por um partido socialista, democrático e de massas.

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