LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

domingo, 30 de junho de 2013

Como se tenta detonar a Reforma Política e Plebiscito: cinco perguntas perigosas ao povo

Como se tenta detonar a Reforma Política

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Primeiro, mídia e conservadores atacaram a Constituinte. Agora, pretendem inviabilizar o plebiscito. Por que é importante derrotar esta manobra?
Por Antonio Martins
É curiosa (e reveladora) a relação da velha mídia com o sistema político. Os jornais e TVs sugerem, incessantemente, que ele está afastado da sociedade e corrompido. Nos últimos anos, o noticiário sobre os poderes “policializou-se”. Abandonou quase completamente o debate sobre a tramitação de projetos interesse público e se concentrou nos casos de corrupção. Mas bastou a presidente Dilma falar em Constituinte e plebiscito sobre Reforma Política para se sugerir que ela “imita Hugo Chávez”, “isolou-se” e foi “rechaçada”. Para entender por quê, vale acompanhar o que ocorreu, nos últimos três dias, com a proposta da mudança.
Ela foi apresentada domingo, pelo governador gaúcho Tarso Genro (PT), durante a série de consultas que Dilma fez, em meio à crise. Tinha caráter muito avançado. Um plebiscito perguntaria aos eleitores sobre a oportunidade de convocar uma mini-Constituinte, encarregada da reforma. A população poderia opinar, também, sobre a composição da Assembleia. Entre o leque de opções estaria permitir candidaturas independentes — ou seja, de pessoas não ligadas a partidos.
Dilma omitiu este aspecto, ao enunciar a proposta, na segunda-feira. Ainda assim, o bombardeio começou de imediato. Sistema político e mídia atiraram juntos. O presidente da Câmara, Henrique Alves (PMDB-RN) teria reagido aos berros: “Isso é golpe! Ela está achando que é quem? Chávez? Rafael Correa?” O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), ajudaram a detonar a ideia. E foram subitamente transformados em pessoas sensatas, no noticiário. Jornais e TVs martelavam a suposta  ”inconstitucionalidade” da proposta. Fingiam esquecer que, caso aprovada na consulta popular, a Constituinte seria, obviamente, transformada em emenda constitucional — que os parlamentares não teriam como rejeitar…
Pressionado, o Palácio do Planalto recuou. Mantém, por enquanto, a proposta do plebiscito. É muito menos: uma Constituinte provoca ampla mobilização e debate nacional; coloca em xeque todo o atual sistema; pode examinar diversos mecanismos de democracia direta e representativa — inclusive aproveitando as possibilidades abertas pela internet. Vale defender a ideia, que obteve repercussão inédita, mesmo após a retirada do governo.
Mas também o plebiscito é muito poderoso, a depender de duas questões-chave: que  perguntas serão propostas à população; e a decisão dos eleitores será terminativa? É este, certamente, o debate que surgirá nos próximos dias. Se for possível votar, por exemplo, contra o financiamento dos políticos pelas empresas; a favor de candidaturas independentes; ou da limitação número de reeleições, inclusive no Legislativo, será um ótimo começo.
Os que se beneficiam do sistema atual tentarão fugir a todo custo deste “risco”. A mídia buscará esfriar o tema, para que a população não se aproprie da bandeira. Os políticos conservadores procurarão reduzir a relevância das perguntas e reduzir a consulta a um “referendo”, no qual os eleitores dizem apenas “sim” ou “não”.
Derrotar esta tática pode ser vital para que a luta por direitos e mudanças avance.

Plebiscito: cinco perguntas perigosas ao povo

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Basta lê-las para compreender por que a mídia e os conservadores rejeitam a Reforma Política, a Constituinte e mesmo a consulta aos eleitores
Por Antonio Martins
O sociólogo Manuel Castells costuma dizer que o principal instrumento de manipulação usado pelas mídias de massa não é a distorção, mas o ocultamento dos fatosEle se deliciaria com as primeiras páginas de hoje dos três jornais brasileiros mais vendidos.
Reforma Política, Plebiscito Constituinte são, obviamente, as três principais novidades na agenda nacional. Dialogam diretamente com algo que se sente todos os dias, e que as ruas expressaram com clareza, nas últimas semanas: o descrédito do sistema político. Pois bem: nas capas de hoje da Folha, do Estado e do Globo, estas três palavras perigosas estão literalmente banidas. Desapareceram não só da manchete e demais títulos, mas também dos textos. Comparecem, é claro, nas páginas internas, muito menos lidas. Aí são tratados como “descabelada proposta” (editorial do Estado), “proposta impraticável” (artigo de José Serra no mesmo jornal), “cheque em branco” (opinião do ministro da STF Ayres Britto, destacada pelo Globo) ou “populismo danoso” (texto do diretor da sucursal de Brasília da Folha). Exceção que confirma a regra: este último jornal publicou importante artigo de Tarso Genro a favor da Constituinte.
Para compreender ainda melhor por que os poderosos temem o plebiscito, vale um exercício. Vamos examinar algumas das perguntas que poderiam ser apresentadas aos eleitores. Eis, apenas para alimentar o instrutivo debate, algumas sugestões. Participe também: para apresentar suas ideias, use os comentários do blog.
Cinco perguntas perigosas ao povo:
1. Você concorda que as empresas devem ser proibidas de financiar políticos e partidos?
2. Você considera que a Lei 9.709 deve ser alterada, de modo a facilitar a convocação de Plebiscitos e Referendos (inclusive por iniciativa dos cidadãos), e a ampliar os mecanismos de democracia direta, inclusive por meio da Internet?
3. Você é a favor de limitar as reeleições, para todos os postos dos poderes Executivo e Legislativo a dois mandatos?
4. Você considera que as eleições brasileiras, para os poderes Executivo e Legislativo, devem admitir candidaturas de pessoas não ligadas a partidos políticos?
5. Você concorda com a convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte voltada para a reforma do sistema político?

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