LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Pessimismo ou má-fé?

Pessimismo ou má-fé?

José Dirceu*

O tom do noticiário político e econômico transmite a impressão de que o Brasil está à beira do caos. As vozes do mercado financeiro são unânimes em apontar supostos "riscos" na condução da política econômica do governo federal. Mas a avaliação do povo sobre a administração Dilma Rousseff e a popularidade pessoal da presidenta continuam em alta. Como isso se explica? É o conhecimento do mundo real, dos brasileiros que sentem no seu cotidiano as melhorias socioeconômicas conquistadas desde que o PT chegou à Presidência da República, sobrepujando a fantasia negativista alimentada pela mídia e pela oposição. 
O problema é que a estratégia desses setores é vencer pela insistência. Está sendo assim no debate sobre a inflação. De forma inédita e sensacionalista, as revistas semanais elevaram a discussão sobre o preço do quilo do tomate a assunto de suas capas. De repente, o tema virou questão de Estado. Era como se os brasileiros, de uma hora para outra, não tivessem o que colocar no prato — quando a verdade é que a fome e a miséria nunca foram combatidas de forma tão implacável quanto nos últimos dez anos. 
As críticas feitas à gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) raramente eram personalizadas. O apagão energético de 2001 era visto como resultado de uma deficiência estrutural herdada de tempos imemoriais. A mudança do regime cambial, segurada irresponsavelmente para depois que a reeleição de FHC estivesse garantida, foi tratada pela imprensa como um reflexo inevitável da crise da Rússia de 1998-99. 
O governo Dilma não tem a mesma complacência da grande mídia e sofre sucessivas crises fabricadas. O apagão elétrico que nunca se confirmou e quantas outras ficções — as falsas crises na Petrobras, nas contas externas, da segurança jurídica e regulatória, a desconfiança de investidores em relação ao Brasil, o impostômetro e o caos logístico — são jogadas ao ar na tentativa de criar instabilidade e prejudicar o governo? Além disso, as medidas adotadas pela presidenta e sua equipe são sempre apontadas como insuficientes e nunca se consideram os efeitos da crise mundial que, graças à condução firme e prudente do atual governo, nos afeta muito menos do que a outros países. Sim, há problemas estruturais no Brasil. Mas eles não foram herdados por Lula e Dilma justamente daqueles que hoje os criticam? E esses problemas estruturais estão recebendo hoje, no governo petista, um enfrentamento inédito, depois de décadas de sonolência política. 
Mas o cinismo é tão grande que os jornais tentam nos convencer de que a postura sempre pessimista é resultado de seu "espírito crítico". Sua obrigação, dizem, não é elogiar o governo, e sim fiscalizá-lo. Esse discurso, em tese, é perfeito. Mas na prática vemos que o "espírito crítico" só é despertado quando o alvo são ações ligadas ao governo federal. O que a nossa mídia pratica não é espírito crítico. É má-fé, torcida contra o governo e vontade de manipular. 
Por enquanto, eles têm ficado apenas na vontade. Os resultados das pesquisas e das urnas mostram que o povo tem se mantido imune à manipulação e continua acreditando que é possível avançar mais. É claro que o trabalho da mídia e da oposição tem efeito cumulativo, e pode, sim, criar um ambiente desfavorável. Mas isso não deve tirar nosso país do foco das reformas que estão melhorando concretamente a vida de milhões de brasileiros. Trabalhar pelo país e pelo povo é a melhor resposta que se pode oferece e o melhor remédio contra a distorção e a má-fé. 
* José Dirceu,advogado, foi ministro da Casa Civil e é membro do Diretório Nacional do PT

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