LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Como em 64. Sem por nem tirar.


Golpe: a gente vê por aqui. Plin Plin!
Golpe: a gente vê por aqui. Plin Plin!
Não é o povo – no sentido mais abrangente da palavra – que está nas ruas. Quem verdadeiramente usa os serviços públicos tem mais o que fazer. Não está nas passeatas. E quem protesta, protesta de barriga cheia. Pobres, negros e trabalhadores das periferias não foram convocados. Porque são invisíveis para a elite. Sujeira social.
Além dos engolidores de manchetes panfletárias que odeiam o PT gratuitamente – no que, aliás, se resume sua “consciência política” -, há a “tropa de elite” mascarada que se infiltrou no movimento do MPL e tomou-lhe as rédeas. São aqueles mercenários que Serra ajuntou em 2010.
Não confio em mascarados. Qualquer fã do MMA, UFC e similares, pode tornar-se um autêntico Anonymous. Basta comprar a máscara, que custa R$ 9,99 no site Mercado livre e sair por aí mordendo bandeira vermelha. Intolerância, fanatismo, preconceito racial/social, homofobia – são sentimentos que contagiam fácil os distraídos de carteirinha.
Sem partido é o mesmo que sem cabeça. 50 mil aqui, 60 mil ali, 80 mil, 100 mil. O anti petismo obteve 44 milhões de votos em 2010. Hoje, algumas dezenas de milhares desses eleitores pegaram carona nas manifestações e foram para as ruas “trabalhar” o golpe.
A Globo convoca os protestos diariamente. Dá data, horário e local. Depois manda cobrir. O repórter escolhe uma família branca, bem vestida, escadinha de filhos básica. Serão os “manifestantes pacíficos que estão nas ruas”. O material coletado por suas câmeras vai para a central de jornalismo golpista. Lá editam a injeção que o JN vai aplicar no telespectador. Tomam o cuidado de separar o trigo do joio – como as faixas anti-Globo e qualquer faixa que fale mal do PSDB.
A Globo pinta os manifestantes como uma espécie de juventude-68, porém higienizada, esvaziada de qualquer sentido político. Falsificação barata de quem é expert em fazer novela pra boi dormir. A juventude de 68 – ano de turbulências no mundo inteiro – tinha bandeiras autênticas. A consciência política os levou às ruas. O fim da guerra do Vietnã, a igualdade de direitos da mulher, a libertação sexual, anarquismo … Aqui hoje, a Globo edita como quer. Seleciona imagens e “narra os fatos” direcionando toda a energia das ruas contra Dilma.
Se o governo atual fosse do PSDB, esses manifestantes seriam acusados de comunistas – já que levantam as mesmas bandeiras que a esquerda levanta há mais de um século. A começar pelo MPL. Onde já se viu passagem de graça? Vagabundo quer passear de metrô o dia todo? É coisa de petista, querendo instalar o comunismo castrista no Brasil.
Para uns, ir à passeata tornou-se uma alternativa de programa familiar dominical. Para outros virou balada noturna. Quando gritam suas palavras de ordem sem contexto político algum, ficam parecendo zumbis andando em círculos. Não fazem a menor idéia de que o processo em andamento hoje é similar ao que nos levou à 21 anos de ditadura militar.
“Queremos saúde de qualidade”, repetem. Mas pagam convênio médico. Nunca puseram os pés num posto de saúde. Aliás, são reféns da máfia dos planos de saúde.
“Queremos educação de qualidade”. Mas estudam ou tem filhos estudando em escola particular. Não fazem idéia de como é uma sala de aula de escola pública.
“Transporte de qualidade” – mas deixaram o carro na garagem e vieram de metrô, narizes tampados, nojo de pobre.
A Globo homenageia: acordaram, estão fazendo revolução, história. Mas certamente a história lhes fará justiça. Serão lembrados como mais um rebanho conduzido pela mídia que devolveu o país à condição de vira-latas internacional. Como em 64. Sem por nem tirar.

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