LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

terça-feira, 30 de julho de 2013

Hoje, eu acordei governista, mais do que ontem

28 de julho de 2013


Hoje, eu acordei governista, mais do que ontem


Nos últimos dias participei de duas reuniões em que o foco dos debates foram as manifestações de rua que assolam o país. Uma, integrada pelos assessores de imprensa dos órgãos governamentais, secretarias, fundações e empresas estatais da Bahia, convocada pelo secretário de Comunicação, Robinson Almeida (SECOM). A outra, integrada por dezenas de lideranças políticas e comunitárias, de Salvador e do interior, em torno da candidatura do escritor, jornalista e professor universitário, Emiliano José (PT), que apóia o governo Wagner, do qual a SECOM e sua rede são responsáveis pela comunicação.
Duas reuniões de natureza diferente, mas, com muitas preocupações em comum. A mais comum são as manifestações que hostilizam governos e governantes. Robinson Almeida fez uma retrospectiva da ainda imatura democracia representativa brasileira. Cinco séculos de Brasil, poucas décadas de democracia. Afinal, o Brasil virou República outro dia (1885) pelas mãos de generais, sem participação popular.  Em pouco mais de 120 anos tivemos longos períodos de ditadura. O maior período de exercício democrático ocorre desde 1984, após a derrota da ditadura militar do golpe de 1964.

TENSÃO NA DEMOCRACIA - Fácil constatar a pouca prática democrática e a falta de enraizamento do sentimento democrático na sociedade. De esquerda, o secretário Robinson Almeida fala sobre a tensão permanente que existe na democracia. Exemplos não faltam: de 1985 a 1990 ocorreram muitos movimentos de massa que levaram a impeachment de presidente, mudanças na economia, mais presença do Estado na área social, inclusive à aprovação de leis que possibilitam a estabilidade da inflação, como a Lei da Responsabilidade Fiscal. Não se pode esquecer os dez anos do governo Lula, período em que 40 milhões de brasileiros tornaram-se consumidores e ascenderam à classe média.
O Brasil pós Lula tornou-se outro país, com camadas populares com mais renda e desejo de consumo. Mas, ocorreu outro fenômeno, segundo Robinson Almeida. A vida das pessoas melhorou da porta de casa para dentro, mas, da porta de casa para fora a vida foi se tornando um inferno cotidiano. A inclusão social e econômica não foi acompanhada de mobilidade urbana, e um exemplo claro é Salvador, com um metrô mal planejado que não entra nos trilhos há 12 anos. Aumento de renda, crescimento da indústria automobilística, veículos de transporte individual, foi inevitável a atrofia urbana.

POR UMA VIDA MELHOR - As razões das insatisfações estão na incapacidade do Estado como um todo atender ao desejo de uma vida melhor. De qualquer modo, não se pode negar o esforço governamental. Os baianos passaram a viajar de avião, a andar de carro, a freqüentar pizzarias e shopping center como nunca, as universidades aumentaram, na capital e interior: de uma universidade federal depois de 60 anos a Bahia passou a ter cinco federais e dezenas de privadas; , novos hospitais foram construídos, inclusive o Hospital do Subúrbio, premiado mundialmente como referência na saúde pública; impossível não considerar o impacto da retirada de R$ 40 bilhões da área da saúde com o fim da CPMF; vagas de emprego cresceram, mas, ainda assim ocorreu o descompasso  na vida urbana.
O governo da Bahia reagiu. Em relação à mobilidade urbana, programou obras viárias importantes e assumiu a construção do metrô, chamando para si um risco político grande. Na Bahia estão 1,8 milhão de famílias beneficiadas com o programa Bolsa Família, o que significa 7 milhões de pessoas com garantia mínima de comida no prato. Impossível não fazer comparações  com outros períodos. 

O atual governo herdou 2,2 milhões de analfabetos, a maior taxa de desemprego das regiões metropolitanas, cerca de 260 cidades sem nenhum médico. Não é possível se calar diante das realizações do governo da Bahia. Há um consenso entre os jornalistas assessores de imprensa: há que se estruturar sites mais eficazes e que interajam com os cidadãos. Não basta a publicidade.
Pessoalmente, como integrante do quadro de assessores de comunicação governamental, senti a necessidade de me debruçar sobre os relatórios de governo, as revistas publicadas, os números e os resultados alcançados. Não é pouca coisa.

Há outro consenso. As lideranças que se reuniram para programar a candidatura a deputado federal de Emiliano José e os assessores de imprensa do governo Wagner concordam que as manifestações vieram para ficar e devem ser respeitadas, consideradas, ouvidas e garantidas. Grande exemplo foi a passeata dos jalecos brancos, de críticas ao governo, mas com total segurança organizada pela Polícia Militar.
Acordei mais governista do que nunca!  
 Fonte: Bahia de Fato

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