LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Black blocs da Globo violam a sanidade para termos o primeiro cadáver

Blog Palavra Livre - 10/02/2014
 

A ÉPOCA É A GLOBO E A GLOBO É O BLACK BLOC
 
Por Davis Sena Filho
 
 
Estou cansado de afirmar que a imprensa de negócios privados é uma das maiores incentivadoras dos movimentos de rua também chamados genericamente de protestos “contra a corrupção que está aí”. Protestos, sobretudo, “apartidários”, “apolíticos” e principalmente “pacíficos”, conforme gostam de apregoar os coxinhas de classe média e os que usavam as máscaras e as batas dos anonymous, que praticamente se retiraram dos combates de rua, porque o bicho pegou, e, coxinha que se preze, coxinha oportunista e esperto “pra” valer não vai se expor a ser preso ou tomar porrada de policial ou ser ferido por qualquer pedestre que se sinta ameaçado ou segurança que defenda o patrimônio de seu patrão.

Então, a violência nas ruas ficou por conta mesmo de grupos específicos, a exemplo dos black blocs e de partidos de extrema esquerda, que fazem oposição sistemática ao Governo trabalhista, a se unir, como sempre aconteceu na história do Brasil e por interesses distintos, com a burguesia e suas representações empresariais, partidárias e ideológicas de direita e de extrema direita. Exatamente como ocorreu com os presidentes Getúlio Vargas e João Goulart, que enfrentaram crises políticas gravíssimas, promovidas pelos inquilinos da Casa Grande deste País. E deu no que deu: Getúlio se matou e Jango foi deposto e somente retornou ao Brasil dentro de um caixão.

Contudo, os radicais de esquerda não se importam ou não compreendem, agem de forma desmiolada, e, consequentemente, vão ao encontro de tudo aquilo que a direita quer: fatos geradores de crises políticas e institucionais, além de ações violentas que colocam o estado democrático de direito em xeque, a acarretar o emparedamento do governo trabalhista, que há quase 12 anos é enxovalhado pela imprensa de mercado, bem como o Partido dos Trabalhadores é satanizado e seus líderes são absurdamente julgados e presos, sem culpas comprovadas, além de serem alvos constantes de promotores do MPF e de juízes do STF, porque vaidosos,  midiáticos e autoritários optaram por fazer política e pouco se importaram com as realidades determinadas pelos autos dos processos.

A esquerda desmiolada e que não tem condições materiais, de logística e gente preparada e treinada para dar início a uma revolução nos moldes tradicionais e históricos. A especial e necessária radicalidade dos revolucionários, com causa e conhecimento, porém, no momento, órfã de lideranças realmente ideológicas e pragmáticas, que compõem, propositalmente e também ingenuamente, com a direita mais feroz e violenta deste País, lugar onde vicejava a escravidão e que ainda hoje perdura, de forma infame, porque ainda se prendem pessoas em postes com travas de automóveis, a lembrar os grilhões da escravidão, como, recentemente, ocorreu com um adolescente, negro, pobre e que cometia furtos no nobre e aprazível Flamengo.

Um dos bairros da Zona Sul do Rio, cujos seguranças, comerciantes e moradores de classe média resolveram se juntar em uma quadrilha de bandidos, que, anonimamente e covardemente, resolveu fazer justiça com as próprias mãos, e, por seu turno, abrir espaço à barbárie e à falta de qualquer respeito pela entidade humana, mesmo se tal pessoa for desonesta e realiza furtos. Essa abjeta realidade se reporta ao garoto tratado não somente como ladrão, mas, sobretudo, como um negro pobre e abusado, que ousou roubar a classe média, que sonha em morar na Casa Grande. Por isto e por causa disto seu preço foi pagar com sua nudez, seu sangue e, evidentemente, com a extrema humilhação de ter em seu pescoço um grilhão que remonta à escravidão e tudo aquilo que a humanidade tem mais de funesto, perverso e hediondo em sua alma e em seu coração.

Até hoje, apesar de os exemplos do passado, a esquerda infantil — aquela que quebra, destrói e incendeia o patrimônio público e privado — não compreendeu que, para enfrentar a burguesia — a direita adulta —, torna-se necessário um programa de governo, além de um projeto de País, pois somente assim se dá início à repartição do bolo, ou seja, das riquezas produzidas no País, porque sabemos que nosso momento histórico não permite a luta armada para que se possa ter uma revolução tradicional, como, por exemplo, ocorreu em Cuba ou na Nicarágua na década de 1980.

O PT, como afirmei em outros artigos, é um partido trabalhista e integrado por socialistas. Suas lideranças e principais políticos são reformistas e deixaram há muito tempo de pregar a revolução. Por sua vez, o Brasil tem uma das burguesias mais perversas, violentas e egoístas do mundo. Os donos da Casa Grande escravizaram seres humanos por quase 400 anos, o que veio a se tornar a escravidão de ordem meramente mercantilista mais longa da história da humanidade. Uma vergonha. Ponto! Portanto, não é à toa que também temos uma classe média tradicional e média alta das mais reacionárias e preconceituosas do planeta. Se tal fato é considerado inverossímil, basta o leitor pesquisar na internet e ler o que os coxinhas áulicos da perversidade afirmam sobre as amarras do garoto do poste, no bairro do Flamengo.

Entretanto, a questão primordial de tudo o que escrevi até agora (e que isto fique claro) é o fato de a imprensa de direita, golpista por natureza, resolver abrir sua bocarra, e, sistematicamente, tentar fazer crer ao público que tal imprensa, propriedade de magnatas bilionários que detestam o Brasil, não tem a mínima culpa no cartório quando se trata da morte do trabalhador de mídia e cinegrafista da Band — empresa dos barões Saad. Porém, a imprensa burguesa e seus títeres têm culpa, sim, porque sempre anunciaram e repercutiram a violência das ruas a amenizar suas causas e conseqüências. A imprensa irresponsável e transformada em partido político, que cutuca leões selvagens com vara curta.   

O cinegrafista Santiago Andrade foi morto em sua atividade profissional, e, quando a poeira baixar, certamente que sua família deverá procurar seus direitos na Justiça. É o caminho, apesar da falsa comoção de um sistema midiático frio, calculista, triturador da honra alheia e que não mede e nunca mediu conseqüências para derrotar ou destruir seus adversários políticos e econômicos que, porventura, não rezem por intermédio de suas “bíblias”. Exatamente por isto que os barões magnatas bilionários fazem questão de tratá-los como inimigos.

A verdade é que são dois os motivos pelos quais a imprensa de caráter absolutamente empresarial luta. O primeiro é a eleição para presidente em outubro. O segundo motivo é evitar que as manifestações violentas, pois nunca pacíficas, cheguem às sedes de suas empresas, bem como também “impedir” que os protestos comecem realmente a questionar o papel da imprensa alienígena, cúmplice e parceira da ditadura militar, no Brasil. Os fotógrafos, os cinegrafistas, os repórteres, os motoristas dos carros de reportagens da Rede Globo, por exemplo, pararam imediatamente de cobrir as manifestações “pacíficas” nos locais onde aconteciam quando passaram a ser rejeitados pela turba.

O medo foi grande e a percepção de que a Globo e seus profissionais podem ser rejeitados e questionados bateu como uma marreta na cabeça de um boi sacrificado em matadouro do interior. A sede da Globo, da Veja e de outras empresas de mídias foram pichadas, sendo que jogaram cocô nas paredes de uma das sedes da Globo. Sem vacilar, a direção de jornalismo da Globo deu ordem para que os repórteres cobrissem a marca da empresa nos microfones, escondessem os crachás, não usassem camisas com a logomarca da empresa e desse modo evitar contestações, agressões verbais ou físicas, bem como serem expulsos dos locais dos protestos. Nada adiantou. As pessoas xingaram os profissionais, que estão a trabalhar, além de portarem cartazes, gritarem palavras de ordem, bem como fazer cantorias contra aquela que se julga a Vênus Platinada, acostumada a cagar regra e pensar que toda a sociedade brasileira está sob seu jugo. Ledo engano...


As manifestações “pacíficas” da Globo impediram que seus empregados trabalhassem in loco. Tiveram de cobrir os acontecimentos e as ocorrências de helicóptero. O feitiço virou contra o feiticeiro, porque a Globo provou de seu próprio veneno. O escorpião picou a si mesmo. Os black blocs são a Globo e a Globo é o maior e mais poderoso black bloc da Nação brasileira. Black blocs da direita adulta e da esquerda infantil violam a sanidade para termos o primeiro cadáver. Infelizmente. É isso aí.

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