LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quarta-feira, 11 de junho de 2014

O Brasil polarizado entre dois projetos políticos

O Brasil polarizado entre dois projetos políticos


Ao longo do mês de junho, em plena realização da Copa do Mundo de Futebol, realizam-se no país as convenções partidárias para a proclamação oficial das candidaturas a todos os cargos em disputa no pleito de outubro próximo, destacadamente a Presidência da República. Mais de três dezenas de partidos anunciarão as suas chapas.

O embate político revela que há dois projetos em disputa, despontando, no momento, duas candidaturas principais – a da presidenta Dilma Rousseff, que se apresenta à reeleição, e do ex-governador de Minas Gerais e atual senador Aécio Neves, no papel de principal candidato opositor. Todas as demais candidaturas, situadas no campo oposicionista, não têm maior expressão e tendem a empalidecer ainda mais, num quadro em que é inevitável a polarização de posições políticas.

A presidenta Dilma Rousseff postula mais um mandato, amplamente respaldada em grandes realizações políticas e sociais. Há também a seu favor o mérito de ter realizado esforços para mudar a orientação macroeconômica do país, em meio a grandes pressões e chantagens da oligarquia financeira nacional e internacional e das dificuldades geradas pela crise sistêmica do capitalismo. Estas realizações são a continuidade do novo ciclo político inaugurado no país com a eleição de Lula em 2002.

Na terceira reunião plenária do seu Comitê Central, concluída neste domingo (8), o Partido Comunista do Brasil, ao encaminhar os preparativos da convenção nacional eleitoral de 27 de junho próximo, reiterou a posição de apoiar a candidatura da mandatária à reeleição. Os comunistas consideram, de acordo com o documento aprovado, que “nos próximos quatro anos o país poderá, agora em melhores condições, superar velhos obstáculos e adentrar a uma nova etapa de desenvolvimento, com mais mudanças e a realização das reformas estruturais democráticas – o que resultará em conquistas ainda maiores para a nação e os trabalhadores”.

A luta política em curso revela que o país está diante de uma encruzilhada, na qual aparecem duas opções. Avançar com a realização de mais mudanças e das reformas estruturais democráticas, preservando as conquistas dos últimos 11 anos, sob duro ataque das candidaturas adversárias, ou retroceder, com o retorno da oposição neoliberal e conservadora.

Quando exerceu o poder nos anos 1990, a coalizão conservadora liderada pelo PSDB de Aécio Neves governou contra o povo, dilapidou as finanças públicas, constrangeu o Legislativo, manipulou o Judiciário, fez tábula rasa da administração pública, da moral e dos bons costumes, em atos de desbragada corrupção, entregou o patrimônio nacional às multinacionais e à banca internacional, reprimiu o povo, mutilou a democracia e humilhou o país diante dos potentados internacionais. Os dois mandatos em que o PSDB exerceu a Presidência da República por meio de FHC entraram para a história como os de maior corrupção e entreguismo da vida republicana brasileira. É este passado que a candidatura de Aécio Neves pretende restaurar.

O documento aprovado pela direção comunista na reunião do último fim de semana destaca que mesmo escondendo o jogo quando participa de eventos públicos, o candidato da direita, Aécio Neves, “diz aos banqueiros que está pronto para adotar receitas amargas, ‘impopulares’, cuja leitura não pode ser outra senão corte nos direitos e conquistas do povo”.

Em meio a grandes dificuldades, a presidenta Dilma Rousseff agigantou-se como uma líder política e estadista de raras qualidades. Orientou seu governo a combater os efeitos da crise do capitalismo sem penalizar os trabalhadores. Levou às últimas consequências o audacioso programa de erradicação da miséria, deu continuidade e inovou na realização de políticas públicas com grande impacto social. Durante seu mandato presidencial, a taxa de desemprego caiu para 5,9% em 2013, e, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), irá se reduzir mais em 2015. A política do aumento real do salário mínimo, que para setores da oposição é uma irresponsabilidade, constitui numa importante alavanca para a valorização do trabalho e a redução das desigualdades sociais.

Dilma Rousseff distinguiu-se como uma valorosa líder política ao ouvir a voz das ruas, demonstrando, diante de manifestações de massas, seu compromisso com a ampliação da democracia e com a valorização dos movimentos sociais. Agora mesmo, quando os setores mais reacionários e obscurantistas das classes dominantes procuram criar um clima de instabilidade, caos e desgoverno, a mandatária anunciou a inclusão dos sem-teto, como coletivo organizado e de luta pela moradia, no programa Minha Casa Minha Vida. Foi mais uma demonstração de sensibilidade política e social da mandatária, com o que coroa de êxito uma luta popular de grande envergadura.

Também nos últimos dias, a presidenta Dilma emitiu um decreto normatizando a Política Nacional de Participação Social, consolidando a participação social como método de governo e fortalecendo instâncias como conselhos, conferências, consultas públicas, e até mesmo ambientes virtuais de participação social. A decisão da mandatária despertou a fúria antidemocrática das classes dominantes. Em uníssono, ocupando enormes espaços na mídia monopolista privada, os reacionários, as vozes das catacumbas, as viúvas da ditadura militar, os saudosistas da ditadura de punhos de renda dos tucanos, desencadearam uma campanha na qual deblateram contra o democratismo popular e o “bolivarianismo” da iniciativa presidencial.

Dilma Rousseff apresenta-se à reeleição também com as credenciais de uma estadista que luta pela afirmação e consolidação da soberania nacional brasileira e da integração latino-americana e caribenha, em um mundo marcado por uma brutal ofensiva das potências imperialistas, nomeadamente os Estados Unidos, para impor seu domínio econômico e paradigmas de organização política e social.

A campanha eleitoral que se inicia dentro de poucas semanas, será, assim, o embate entre dois projetos, duas orientações políticas. De um lado, as forças democráticas, patrióticas, populares, lideradas pela presidenta Dilma, com uma plataforma em que se entrelaçam as lutas sociais com o esforço pelo desenvolvimento nacional soberano e pelo aprofundamento e ampliação da democracia; de outro, os pregoeiros e agentes do retrocesso, mesmo que sob a enganosa roupagem renovadora, representados principalmente na candidatura de Aécio Neves, do PSDB.

Este ambiente de polarização é propício ao avanço da consciência e da organização do povo brasileiro. As forças políticas progressistas, patrióticas e de esquerda reúnem amplas condições para ir à luta com um programa avançado. Como afirma o documento aprovado pela direção do PCdoB, a campanha eleitoral pode configurar-se como “uma grande mobilização nacional que forje uma nova maioria política e social em torno de um programa avançado”. 


Fonte: Vermelho

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