LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Duas análises para entender Marina: Para derrotar Dilma, mercado 'marinou' e Algumas considerações sobre o fenômeno Marina Silva.





ELEIÇÕES – ÍNTEGRAS
29/08/2014 às 05h00 (Valor Econômico)
Para derrotar Dilma, mercado 'marinou'
Por Talita Moreira e Cristiano Romero | De São Paulo

Marina Silva (PSB) está longe de ser a candidata dos sonhos do mercado financeiro, mas tem ganhado adesões de peso entre banqueiros e gestores de recursos, que veem nela a grande chance de derrotar a presidente Dilma Rousseff (PT) nas urnas. Respaldada pelas últimas pesquisas, que mostram a candidata do PSB vencendo a eleição em segundo turno por diferença razoável da presidente Dilma, uma ala significativa do mercado já "marinou".
"Os bancos 'marinaram', sim, neste ambiente de 'PT nunca mais'", disse ao Valor um profissional experiente.
Prevalece o pragmatismo: o sonho de dez entre dez integrantes do mercado financeiro é ver a derrota da candidata do PT. Banqueiros ouvidos pelo Valor preferem, em geral, o candidato do PSDB, Aécio Neves. O tucano agrada porque é considerado mais experiente e, sobretudo, porque teria Armínio Fraga no comando de sua equipe econômica caso fosse eleito. No entanto, Aécio não decola nas pesquisas. Além disso, foi quem mais perdeu espaço com a entrada de Marina na disputa.
O presidente de um grande banco avalia que Aécio perdeu a mão conforme a campanha começou a avançar. "Ele começou muito bem, mas depois se saiu mal no episódio do aeroporto de Cláudio e, agora que começou o programa eleitoral, fica claro que ele não consegue se comunicar com a população", comentou.
Sobre Marina Silva, esse mesmo banqueiro disse não acreditar que as propostas econômicas defendidas por ela sejam resultado de convicções pessoais. Mas ele se mostra confortável com os compromissos assumidos pela candidata, como a manutenção do tripé macroeconômico (austeridade fiscal, metas de inflação e câmbio flutuante), a independência do Banco Central (BC) e um menor intervencionismo na economia.
"O mercado já vê Marina com completo conforto", atestou um ex-diretor do BC, que, a exemplo de todos os entrevistados, exigiu anonimato para dar seu depoimento. A razão seria o fato de os bancos serem um setor regulado pelo BC. "Não se vê diferença entre o grupo de Marina e o do PSDB em matéria de assuntos econômicos", disse o ex-diretor, lembrando que "a preocupação reinante no cenário econômico é a de que o país, sob Dilma, está indo pelo caminho errado" e que tanto Marina quanto Aécio prometem corrigir isso.
Muitos agentes do mercado têm preferido engrossar desde já a campanha de Marina como um antídoto para a reeleição de Dilma - que seria, na visão deles, o pior dos cenários. A candidata do PSB sabe da importância de ganhar o apoio desse segmento. Não à toa, explicitou o compromisso de restabelecer o tripé macroeconômico e tem reafirmado isso sempre que pode.
O discurso vem desde o ano passado, quando Marina e o então candidato Eduardo Campos fizeram um périplo por São Paulo, onde se reuniram com os banqueiros, investidores e gestores para deixar claro que pretendiam trilhar, na gestão macroeconômica, o caminho da ortodoxia. Segundo um banqueiro de investimentos, a escolha de Eduardo Giannetti e André Lara Resende, dois expoentes do pensamento econômico liberal no Brasil, como mentores da candidata dá o conforto necessário para se acreditar que o compromisso com o tripé não é da boca para fora.
"O fato de Giannetti estar acompanhando Marina há tanto tempo mostra que nada do que está sendo dito é uma novidade. Há uma compatibilidade de opiniões e convicções entre eles e a direção está muito clara: é preciso restabelecer o ambiente macroeconômico na direção correta", observou um gestor. "Giannetti, ao contrário de assessores econômicos de outras campanhas, nunca foi desmentido por ela."
Segundo esse gestor, nas últimas duas semanas, o grupo de Marina afinou o discurso, de forma que todos estão falando a mesma língua, ao contrário da expectativa inicial, que previa a eclosão de desencontros após a trágica morte do ex-governador Eduardo Campos.
"Houve um movimento articulado das lideranças de Marina e da própria candidata para acalmar o mercado e mesmo os setores que se sentem desconfortáveis com o antigo radicalismo dela em questões ambientais", disse uma fonte do mercado, mencionando entrevistas concedidas, em curto espaço de tempo, por João Paulo Capobianco (articulador do grupo junto ao agronegócio), Neca Setúbal (coordenadora do programa de governo), Roberto Amaral (presidente do PSB) e Eduardo Giannetti, além da própria participação de Marina no debate da Band e de sua entrevista ao Jornal Nacional, na Rede Globo.
"Há uma linearidade e uma coerência muito grande em todos os discursos", elogia um gestor. O compromisso da candidata, por exemplo, com a instalação do Conselho de Gestão Fiscal, previsto desde 2000 pela Lei de Responsabilidade Fiscal, foi percebido como algo relevante.
Embora o compromisso com o tripé econômico seja um denominador comum, há nuances na forma como Marina é vista no mercado financeiro. Para alguns, mesmo sendo a melhor opção disponível, a candidata do PSB, caso seja eleita, poderá enfrentar problemas de governabilidade, pelo menos num primeiro momento, advertiu o executivo de um banco.
Outros também têm dúvidas quanto à capacidade de Marina de montar um time de peso. Isso vale, inclusive, para a equipe econômica. Para um banqueiro que trabalhou com ambos, Giannetti e Lara Resende são conselheiros "brilhantes", mas não têm perfil de gestor e talvez nem queiram atuar no dia a dia. Giannetti já deixou claro que não pretende ocupar cargo executivo. O que se sabe é que ele vai influir na definição dos nomes para a área econômica, o que ajuda desde já a tranquilizar o mercado.
Há quem aposte que Marina conseguirá agregar nomes de primeira linha - e com boa reputação no mercado - em um eventual governo. "Se ela chamar o Armínio [Fraga, hoje assessor de Aécio Neves], ele vai. O mesmo vale para todos os ministérios", afirmou um banqueiro experiente. "Por enquanto, Marina não precisa indicar quem será seu Armínio. Se ela estivesse colada no Aécio, precisaria fazer isso. Com a vantagem que tem, ganha tempo. Talvez, tenha que fazer no segundo turno, dependendo de como andarem as pesquisas. Mas, por enquanto, o mercado já 'precificou' Marina", explicou uma fonte do mercado. (Colaboraram Denise Neumann, Vanessa Adachi e Angela Bittencourt)
Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Algumas considerações sobre o fenômeno Marina Silva.

Fato 1 - Marina cresceu por ela, não por Campos.

Dada a enorme rejeição aos dois favoritos, Dilma Rousseff e Aécio Neves, era previsível um crescimento da chamada terceira via, Eduardo Campos. Cantei essa bola aqui.

Acontece que Marina sempre teve maior presença que Campos e, em todas as pesquisas, muito mais intenções de voto que ele.

Ela disparou por ter se tornado candidata à presidente, não pela comoção em torno da morte de Campos.

Fato 2 - Marina não é um Russomano.

Em toda eleição, em algum momento as ondas da opinião pública contemplam um outsider. Foi assim com Garotinho e Ciro Gomes, para presidente; ou com Celso Russomano para prefeito de São Paulo.

Marina é mais que isso. De um lado por ter plantado em 2010 as sementes do discurso do "novo". Enquanto o cético Serra rezava a Bíblia e clamava pelos céus (especialmente pelo inferno contra o aborto), a evangélica Marina discursava sobre o novo. Hoje, ambos colhem o que plantaram. E apenas o plantio de Marina floresceu.

Mas, em parte também, por ser politicamente um papel em branco. Ao acenar para os "homens de bem" de todos os partidos - e, com suas alianças iniciais, poder quebrar a resistência dos "homens de bens" - cria uma utopia formidável.

O PSB acredita que, através dela, conquistará o poder. É o chamado auto-engano. Os operadores de mercado tem certeza. Pois não convocaram o mais esperto e deletério dos operadores de mercado: André Lara Rezende? Os cansados da polarização PT x PSDB caem de cabeça.

Eleita, pelo que se conhece de sua personalidade, Marina será ela, apenas ela.

Fato 3 - Marina não é um Lula.

O voluntarismo faz com que parte da opinião pública acredite piamente que essa frente de homens de bem tornará o país governável. Como se, após a posse, não houvesse um Congresso que aprova as leis e uma terrível disputa pela ocupação do espaço político, tanto de partidos políticos como do Judiciário, do Ministério Público, dos grupos de mídia, do mercado, de setores sociais, empresariais.
É esse o pepino que o próximo presidente terá que administrar.

A ideia de que, como a opinião pública desconfiava de Lula em 2002, e ele deu certo, logo Marina dará, esbarra em uma questão fundamental:Marina não é Lula; e a Rede não é o PT.
Havia uma estrutura de comando no PT, a aproximação com as forças econômicas, o apoio dos movimentos sociais. E, acima de tudo, a intuição e o carisma de Lula e, no primeiro tempo, dois operadores de peso atuando de forma sincronizada: José Dirceu e Antonio Pallocci.

Mesmo assim, o primeiro governo Lula deu no que deu.

Imagine-se, agora, esse mar de interesses, de egos, de situações complexas sendo administrado por Marina.

Ontem ela foi certeira ao dizer que o papel do presidente é ser o planejador, o que aponta rumos e não o mero gerente. Faltou dizer que é papel do Estadista a administração de conflitos e das forças políticas. E ela não parece ter nenhuma das características que se exige desse presidente estadista.
Fato 4 - o fim do PSDB.

Seja qual for o resultado final das eleições, o PSDB desaparece definitivamente como força hegemônica da oposição. Paga, agora, a mediocrização a que se entregou desde 2006, quando indiciou Geraldo Alckmin como candidato a presidente; e, principalmente, em 2010, com a inacreditável campanha de José Serra. Morreu ao se afastar da academia, abrir mão de qualquer nova ideia ou conceito em nome de um oportunismo míope, e deixar-se conduzir por economistas de mercado, grupos de mídia e pela extrema-direita.

O partido perderá a presidência, a bandeira de maior partido de oposição, o governo de Minas e restará - se não acontecer nenhuma novidade - o controle de São Paulo por aquele que, provavelmente, é o mais despreparado governador da história do Estado.

Cumpre-se a sina de José Sarney que, em 2009, já prognosticava: o DEM acaba, o PSDB será o novo DEM e a nova oposição sairá das entranhas do governo.
Fato 5 - a nova correlação de forças.

Nem de longe Marina será uma líder de massas, uma representante dos desassistidos. Continuará com prestígio enquanto papel em branco. Quando começarem as definições, perderá parte da aura.
No plano social, seu discurso não avança além da ecologia. No plano econômico e fiscal, seus porta-vozes praticarão o liberalismo à la Eduardo Gianetti. Para ele, todos os desequilíbrios sociais, os abusos de preços, de juros, decorrem da falta de educação do povo brasileiro. Sendo assim, nenhuma política pública é eficaz para coibir abusos de mercado.

A esse liberalismo de proveta some-se o liberalismo ecológico de Marina, suas restrições ao crescimento, à ampliação das hidrelétricas, ao próprio agronegócios.

Na oposição, Marina exerce um papel único, de grilo falante dos abusos ecológicos e do centralismo administrativo. No governo, poderá ser enorme fator de risco.

Sua eleição colocará em risco o estoque de políticas sociais existentes. E, com o liberalismo econômico na Fazenda e no Banco Central, não se espere nenhuma estratégia de desenvolvimento amarrada ou não a políticas sociais.

A imagem do bom selvagem é mais forte do que essas complexidades. O grande desafio será Dilma mostrar que a folha em branco poderá acabar com o avanço do estado de bem estar.
Fontes: Recebidos por e-mail

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