LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

domingo, 21 de setembro de 2014

O ANTIPETISMO CHEGOU À BARBÁRIE

O ANTIPETISMO CHEGOU À BARBÁRIE

As chagas da nossa elite são temas mencionados amiúde, mas sempre com muitos dedos e melindres. De todas elas, a que mais me espanta é a do antipetismo. Já tratamos do assunto aqui e aqui.

Não sou filiado ao partido, mas sou agredido por várias formas de ofensa que se tornaram lugar comum na classe média. Por exemplo, toda discussão sobre o "mau gosto" ou a falta de educação política de determinado tipo de humorismo feito no Brasil, é sobre a forma que eles encaram as pessoas que são priorizadas nos governos petistas. O mundo deles se baseia na humilhação do mais fraco. Na opressão ao mais pobre. No horror às cotas. Na vergonhosa campanha contra os médicos estrangeiros - notadamente os negros cubanos.  Como disse o ator José de Abreu, só vai para a cadeia preto, pobre, puta e petista. Romper com esse estado de coisas assusta quem sempre tomou como natural a desigualdade marcante da sociedade brasileira.

Já fui constrangido e já me senti ameaçado por defender ideias - até por "amigos" e familiares - que passam longe da subversão, como a defesa das empresas públicas e do patrimônio nacional, o aumento real do poder de compra dos trabalhadores, uma economia cuja prioridade seja o pleno emprego, enfim, uma justiça social "light", com várias concessões ao capital. 

No fundo, estou falando do programa ao qual o PT teve que se adequar para sair do gueto onde berrava clamores de reformas profundas, sendo ouvido apenas pelos iniciados, e chegar ao poder instituído ainda que aliado a setores retrógrados que muito mais atrapalham que ajudam no seu projeto.

Vários destes aliados de última hora alimentaram o antipetismo. Mas o que era apenas uma manifestação de preconceito se tornou ódio - o como todo ódio, irracional - com a ascensão de Lula ao cargo de chefe do poder Executivo. O perfil mais moderado e técnico de sua sucessora, Dilma, que poderia sugerir o amainar dos ânimos teve efeito contrário.

Com o assassinato do militante petistaHiago Augusto Jatobá de Carvalho, em Curitiba, no último dia 19, o antipetismo rompe a última barreira que o separava da selvageria e chega à barbárie. O que no debate soava como uma burrice inominável, haja vista todas as classes sociais terem se beneficiado das administrações petistas, assume sua faceta criminosa, covarde e perversa.

Por anos açulada por gente como Olavo de Carvalho e seu séquito de bajuladores, a classe média leitora de Veja é a responsável direta por essa atrocidade.Hiago era cantor da banco Família 100 Caos, cantava pela paz e a esperança e era religioso. Mas, ao invés de um ser humano, os fanáticos antipetistas veem inimigos, paranoicos em sua delirante luta contra um tal comunismo que do qual ouvem as piores desgraças, e cobrem com o véu da ignorância, existindo somente em seus piores e mais atormentados sonhos.

O crime de Hiago foi de montar cavaletes anunciando os nomes das candidatas Gleisi Hoffmann, ao governo do Paraná, e Dilma Rousseff, a presidência da república. Ou seja, nem mesmo de se contrapor ao discurso histérico do antipetismo, Hiago poderá ser acusado. Resistindo apenas com seu silêncio, foi esfaqueado exclusivamente por ser petista.

Uma campanha eleitoral que começou com a lamentável frase de Aécio, incitando novos aliados a sugarem e depois traírem o governo não poderia terminar bem. Ele que até a última eleição fez uma improvável aliança com o PT para a prefeitura de Belo Horizonte se tornou "exterminador de petralhas", visando agradar o típico eleitor assassino de Hiago. Da mesma fonte que brota o medo de uma sociedade mais igualitária se origina o ódio, disse Maurício Dias. Esperamos que esse caso inspire uma reflexão, ainda que tardia. E que possamos manifestar nossas opiniões, mesmo as 

Fonte: O Anti-Pig

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