LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sábado, 25 de outubro de 2014

Escrevi a seguinte carta na tentativa de salvar vidas

Escrevi a seguinte carta na tentativa de salvar vidas, incluindo provavelmente a sua.
Aos meus pais, que votam Aécio.
Nasci em 1994, e como toda criança normal não me lembro de quase nada até os 6 anos, mas sei que nunca fui em creche e vocês me educaram em casa e me deixava brincar na rua em razão dos brinquedos que eu não tinha. Logo, vamos pra 2000, quando a Escola Municipal João Luiz Alvez em Areado iniciou uma reforma. Eu e muitos colegas fomos alocados para ter aula em um 'casarão' da cidade, onde os quartos da antiga casa viraram salas de aula temporária. Era legal, saímos em um quarto com suite e ventilador no teto, e pra pegar a merenda tínhamos que pular uma janela, além de que o lugar era realmente muito bonito. Mas isso são outras 'estórias' de um tempo ido em que as vezes acompanhava o Marquinho a vender picolé pelos bairros da cidade. No ano seguinte, eu estava na 1ª série do ensino fundamental, a obra não ficou pronta e voltamos para o casarão. Durante a primeira semana, o material que eu tinha e levei para escola foi uma cola e uma tesoura numa bolsa preta em que você, pai, levava sua chuteira da penalty de manhã pra jogar bola no campo da UAA e a tarde, orgulhosamente, eu chamava de mochila. A professora, tia Luciene, me deixava sentar em dupla pra acompanhar a aula, onde também me emprestava um lapis e algum colega me dava uma folha dia sim dia não. O descaso com a educação e o ensino era grande, mas com um esforço restrito ao município, depois de um mês ganhei novos materiais. A prefeitura assumiu a responsabilidade de comprar o que o vocês não tinham condições depois de anos do governo FHC. Nesse dia mãe, você foi me buscar e eu voltei pra casa com lapis de cor, um caderno, caneta e outros pertences. Feliz. Aquela data foi exceção, no ano seguinte aproveitei boa parte do que já tinha e a prefeitura não supriu o que faltou. Os anos passaram devagar, mas com a chegada do novo governo no poder em 2002 vi as melhoras acontecendo de forma exponencial. Com a ajuda federal, os programas sociais tais como bolsa familia, os programas de incentivo a agricultura familiar e créditos dos bancos, presenciei muita gente começar a ir de tênis e calça jeans pra escola, particularmente eu odiava o short azul tactel dos anos 90. Por causa dos financiamentos pai, o senhor vendeu muito mais carros em meados da década de 2000 do que jamais antes, comprou mais terras, gado e aumentou a plantação de café. Nessa época eu já comprava caderno de capa dura da Disney, mochila de carrinho, fazia aula de informática na lan house da praça e tinha um computador com processador Celeron D em casa que rodava Gunbound, foi mais ou menos ai que ganhei o meu Nokia 2220 e comecei a ajudar na financeira de frente pra onde você ainda trabalha. No ensino médio, eu vi o país crescer, entrar no G20, tirar 30 milhoes de pessoas da probreza extrema, sair da crise internacional sem cortar emprego,etc, mas pra dizer a verdade, o que eu realmente vi de extraordinário nessa época foi o sonho do brasileiro de ter a casa própria se tornar realidade. Olhávamos para a Nova Areado do alpendre de casa e os Jardins que se formaram desde então. Mais adiante, apesar do estado tirar a Geografia do meu currículo, os tempos eram outros e vocês tiveram condição de pagar um cursinho particular em Alfenas pra eu me preparar melhor para os vestibulares. Devido ao REUNI, a federação dobrou o número de vagas nas universidades federais, e o curso de Engenharia Aeronáutica foi aberto na UFU. Eu passei em 3º lugar pelas cotas na categoria aluno de escola pública numa das instituições de engenharia mais respeitadas do Brasil. Depois de pouco mais de dois anos, vi muitos amigos indo estudar no exterior, o que me fez ter o mesmo desejo e me inscrever em um desses programas. A diferença do PSDB e PT é essa, seu filho que não tinha onde escrever, vai agora estudar na França. Além disso, desejo muito que Lorena realize o sonho de vocês de ter alguém em casa que curse Medicina, especialmente em uma dessas universidades publicas que abriram no sul de Minas. Por isso, dia 26, contra suas vontades, vou percorrer 500 km que me separam do lugar onde eu voto, pra tranquilamente depositar na urna a gratidão de tudo que nos foi proporcionado nesses últimos anos.
Com senso,
Bruno.

  • Depoimento retirado do Facebook de Bruno Cesar  https://www.facebook.com/xbrunocesar

Nenhum comentário: