LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

PSDB e mídia engolem a bomba

PSDB e mídia engolem a bomba


Por Altamiro Borges

No seu ódio de classe ao ex-presidente Lula e no seu desejo incontido de "sangrar" o governo Dilma, a mídia privada e a oposição demotucana encobrem a violência, protegem alguns fanáticos golpistas e apostam no caos político. Diante do gravíssimo atentado à sede do Instituto Lula, na semana passada, o PSDB não divulgou sequer uma nota de repúdio. Já os jornalões, revistonas e emissoras privadas de rádio e televisão - que exploram concessões públicas - tentaram minimizar o impacto do explosivo. Como já alertou o blogueiro Rodrigo Vianna, o ódio da bomba foi precedido pelo ódio das palavras, pela cruzada implacável da direita nativa contra a democracia - que choca o ovo da serpente fascista.


Alguns dejetos midiáticos, como o "humorista" Danilo Gentili e o "calunista" Felipe Moura Brasil, chegaram a insinuar que o atentado foi forjado pelo próprio ex-presidente. "A melhor defesa para o PT é se atacar", postou o jornalista do esgoto da Veja. Como resultado deste ato cotidiano de defecar, seus seguidores nas redes sociais até lamentaram que Lula não estivesse no local na hora da explosão. Já outros jornalistas doentes no seu oposicionismo, como Merval Pereira, escreveu em O Globo que a bomba produziu apenas um "buraquinho na porta de metal da garagem do prédio". Em 2010, quando uma bolinha de papel atingiu a careca do tucano José Serra, o "imortal" da famiglia Marinho quase apelou para uma intervenção militar das tropas ianques no Brasil.

Esta postura criminosa da oposição demotucana e da mídia privada, que estimula o ódio fascista no Brasil, já gerou várias críticas nos meios alternativos de comunicação na internet. Vale registrar os excelentes textos de Tereza Cruvinel, Breno Altman, Paulo Nogueira e Rodrigo Vianna, entre tantos outros. Mas até na mídia privada vozes corajosas se levantaram para protestar e mostrar a gravidade da atual situação política no Brasil - e também para criticar a tímida reação do governo Dilma. Aqui cabe reproduzir o artigo de Ricardo Mello, publicado nesta segunda-feira (3) na Folha tucana - o mesmo jornal que minimizou o impacto da "bomba caseira" e já deletou o assunto das suas páginas.

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Bombas na pauta

Por Ricardo Mello

Ato terrorista, atentado ao Instituto Lula merece condenação bem maior do que declarações protocolares

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, promete barulho na volta do recesso. Seria a pauta-bomba. O objetivo de Cunha, nem ele esconde, é reforçar o emparedamento do Planalto. O lema: se hay Dilma, soy contra. Para azar do deputado, neste meio tempo ele passou definitivamente de pedra a vidraça. Mas o jogo ainda está para ser jogado.

Bem mais real do que especulações parlamentares foi o atentado contra o Instituto Lula, ocorrido na noite da última quinta-feira (30). Em qualquer país mais ou menos sério, o ataque ao escritório de um ex-presidente da República num ambiente envenenado como o atual seria classificado de ato terrorista. Uma bomba jogada na sede onde trabalha um dos principais líderes políticos brasileiros merece outro nome?

Aliás, tampouco se trata do primeiro atentado a instalações do PT. Foi o terceiro num curto espaço de tempo. Acidentes? Nada disso. Eles representam uma escalada previsível. Nos últimos meses, já tivemos fotógrafos agredidos, cidadãos atacados durante passeatas, leitores de revistas humilhados em aviões e jornalistas perseguidos porque são parecidos com Lula. Isso para não falar das agressões em lugares públicos –hospitais, restaurantes– contra quem não reza a cartilha do impeachment da presidente.

"Ah, mas foi uma bomba caseira e não deixou feridos", simplificaram as notícias sobre o atentado. Como se o fato de ser "feita em casa" anulasse a agressão cometida. Comediantes de ocasião e locatários das redes sociais aproveitaram o momento para exercitar sua discutível criatividade. Pena que Lula não estava lá, disseram uns. Foi coisa armada pelo próprio PT, acusaram outros.

As reações do mundo político, então, impressionaram pelo silêncio. Nem com uma lupa é possível encontrar manifestações veementes de repúdio. Queira-se ou não, tal complacência equivale a endossar esta forma de ataque. Já vimos este filme outras vezes.

Que a oposição se cale do alto do muro, no Brasil ou na Sardenha, até se compreende. Mas soa injustificável autoridades tergiversarem sobre a gravidade do ocorrido. "Jogar uma bomba caseira na sede do Instituto Lula é uma atitude que não condiz com a cultura de tolerância e de respeito à diversidade do povo brasileiro", reagiu a presidente Dilma pelo... Twitter! O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, conseguiu ser mais patético: "Tudo é considerado quando temos um fato sob investigação. A polícia agirá para apurar o que ocorreu, pois é uma situação que merece uma investigação e, quando se pegar o autor, será necessário punir". Não diga.

Inexplicavelmente, o assunto foi entregue à Polícia Civil de São Paulo, conhecida pelos índices raquíticos de solução de casos. Nos bastidores, diz-se que a hipótese mais forte aponta para "baderneiros". Por que meros baderneiros resolveram atacar o escritório de um ex-presidente da República em vez do Museu do Ipiranga, que fica ao lado, parece um mistério fácil de decifrar –menos para o ministro da Justiça. Cadê a Polícia Federal, considerando que se trata de um caso envolvendo um ex-presidente?

O Brasil vive uma luta política. A saída mais trágica é minimizar fatos relevantes invocando tolerância, diversidade ou obviedades do tipo "tudo será investigado". Se os próprios agredidos temem se defender e chamar as coisas pelo nome, o que está ruim só pode ficar pior.

Fonte: Blog do Miro

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