LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Lobsang Rampa e a crise da oposição neoliberal



QUI, 03/09/2015 - 07:53

O momento histórico externo é grave, o interno é preocupante. A crise do neoliberalismo iniciada nos EUA em 2008, que não pode ser resolvida segundo as receitas neoliberais como querem os governos teleguiados pelo mercado no hemisfério norte, tende a se agravar em razão do terremoto financeiro que está ocorrendo no dragão asiático. Como o maior parceiro comercial do Brasil é a justamente a China e o impacto em nossa economia será inevitável.

Uma desaceleração na economia chinesa resultará em  redução das exportações brasileiras produzindo desemprego e redução na arrecadação de impostos. O governo será obrigado a cortar despesas, aumentar impostos e paralisar obras importantes. E para piorar a disputa de poder estimulada diariamente pela imprensa tende a comprometer a saúde política e econômica do nosso país.

Aécio Neves age como um verdadeiro celerado. Ele perdeu a eleição e quis ser empossado. Não foi convidado para a posse de Dilma Rousseff e disse em público que foi reeleito presidente da república. Acusado de diversos crimes eleitorais, o candidato derrotado veio a público dizer que é inocente como se pudesse ser juiz dos próprios atos.

FHC e José Serra também fazem tudo que podem para comprometer a governabilidade do país. Num dia cogitam o Impedimento de Dilma Rousseff, no outro imploram para ela renunciar. Gilmar Mendes instiga disputas judiciárias no TSE e no STF como se fosse um Deputado tucano. A oposição ataca a Presidenta no TCU por ter feito o que FHC e dezenas de governadores fizeram. Eduardo Cunha é fonte de constante preocupação, quer porque queria conseguir ficar impune quer porque não conseguiu o que desejava.

A oposição não sobrevive sem a imprensa e esta agoniza. As empresas de comunicação estão quebradinhas e demitem jornalistas, analistas e comentaristas. O jornalismo que nelas é praticado se torna mais e mais uma combinação explosiva e nauseabunda de propaganda tucana disfarçada de notícia e anti-petismo manifesto. Em São Paulo o "atentado" contra o boneco do Lula se tornou um assunto mais relevante que a incompetência hídrica do PSDB e da Sabesp privatizada. Ninguém sequer estranhou o fato da empresa alegar prejuízos no início de 2015 implorando por ajuda federal depois de ter distribuído uma fortuna de lucros na Bolsa de New York no final de 2014. A água dos paulistas já está acabando, a paciência deles com os tucanos acabará em breve.

É patética a política tal como encenada pela oposição e pela imprensa. A presidenta petista, que combate a corrupção com mais seriedade do que os governos estaduais tucanos,  é acusada de imoralidades por Deputados e Senadores que deveriam estar trancados na Papuda. Os heróis do moralismo são todos procurados pelo Judiciário. Nem mesmo os donos das empresas de comunicação podem ser beatificados. Alguns deles tem contas a ajustar com a Justiça em razão de terem mandado dinheiro ilegalmente para o banco oficial dos mafiosos na Suíça.

O Ministro da Justiça foi hostilizado em público e não reagiu. Eduardo Cardoso demorou até para mandar investigar um advogado evangélico e tucano que prometeu arrancar a cabeça de Dilma Rousseff no dia 07 de setembro. A violência contra agentes do Estado não pode ser tolerada. Aqueles que não aceitarem pacificamente o resultado da eleição conduzida pelo TSE devem temer a repressão estatal. Caso contrário a democracia degenerará em desordem e as ruas do país ficarão empapadas de sangue.  

Meditando sobre a histeria diariamente instigada pela imprensa e por líderes políticos insensatos ou insanos (FHC, Aécio Neves, Eduardo Cunha, Aloysio Nunes e José Serra estão entre os tais), lembrei dos livros de Lobsang Rampa que eram vendidos nas bancas de jornais no final da década de 1970 e no início da década de 1980. Na época poucos sabiam que o verdadeiro autor daquelas obras era um escritor inglês chamado Cyril Henry Hoskin (8 de abril 1910 – 25 de janeiro 1981) https://en.wikipedia.org/wiki/Lobsang_Rampa.

Por indicação de um colega de trabalho, li um dos livros de Lobsang Rampa cujo nome agora não me ocorre. Eu tinha uns dezesseis anos na época. Trinta e quatro anos depois a única coisa que lembro daquela leitura é o estranhamento que o livro me causou. Não me pareceu muito plausível que um monge tibetano pudesse atravessar tranquilamente a URSS sem ser preso ou morto. Creio que posso agora reajustar minha percepção daquela leitura.

A imagem que nós fazíamos da URSS  em 1980 era bem diferente da imagem que fazemos dela nos dias de hoje. Em 1980 o regime soviético já estava podre, mas ainda era capaz de projetar glamour, poder e terror. Ninguém imaginava naquela época que a URSS desmantelaria tão rapidamente. Poucos suspeitavam que o regime político e econômico soviético já estava condenado, silenciosamente ruindo. Portanto, vendo tudo em retrospecto, hoje poderíamos considerar plausível um monge tibetano perambular ileso pela URSS em meados da década de 1970 (mesmo sabendo que aquela viagem  foi literária e imaginada por um escritor). Lobsang Rampa/Cyril Henry Hoskin nos ensinou, enfim, uma lição: a ficção nos reaproxima da realidade quando a própria realidade já se tornou fantástica.  

O regime que apodrece neste momento é o capitalismo neoliberal a que se aferram os tucanos e a imprensa. A crise chinesa pode ser apenas a espoleta da implosão de todo o sistema global que beneficia o "povo do mercado" (mega investidores que freneticamente movimentam trilhões de euros e dólares digitais de um lado para outro como se sua pátria fosse apenas o lucro à qualquer custo) e penaliza os "povos dos Estados" (a maioria dos seres humanos), pois as ondas financeiras de choque se propagarão com mais força na UE e nos EUA, ambos atolados em seus próprios problemas.

A UE, aliás, corre o risco de desmoronar se Portugal, Irlanda ou Grécia derem o calote nos credores adotando moedas próprias e as desvalorizando em relação ao Euro. A dívida pública dos EUA, que disparou no era Bush Jr. e seguiu crescendo durante a presidência de Barack Obama, certamente deixará de ser financiada pela China caso aquele país não consiga continuar crescendo 10% ao ano. A implosão financeira da China acarretará inevitavelmente a explosão do neoliberalismo nos EUA, levando consigo uma UE já sujeita a se fragmentar em razão de ser incapaz de resolver seus dilemas internos.

A fantasia neoliberal acabou. Suas últimas cenas estão sendo representadas no Brasil. Não me estranha que elas sejam tão grotescas. Aécio Neves, FHC, José Serra, Aloysio Nunes e Eduardo Cunha encenam um golpe de estado de "papel jornal" sem tropa, sem povo, sem razão, sem sentido. A insanidade raciocinada é a única coisa que eles tem a oferecer, mas a maioria da população não entrou no hospício que eles querem abrir. Os loucos, contudo, continuarão a mostrar bundas e tetas na Av. Paulista, mas não porque passam fome e sim porque nada mais podem fazer. Creio, porém, que Lobsang Rampa poderia atravessar o Brasil tranquilamente nos dias de hoje.

Entre os tucanos o narrador/personagem seria visto como um monge distante dos petistas. Entre os petistas ele nem mesmo seria visto como um tucano em razão de andar mal vestido. Não ser negro, Lobsang Rampa certamente não seria perseguido por PMs. E no final ele poderia contar sua história fantástica de como atravessou o Brasil depois de ter atravessado a URSS.

O livro de Cyril Henry Hoskin que eu li em 1980 falava de uma URSS decadente num tempo em que a mesma ainda era vista como uma potência econômica e militar. Uma fantasia dele sobre o Brasil na atualidade falaria de um país com problemas, com desejo de superar o neoliberalismo e de criar um novo Zeitgeist político e econômico, uma nação atormentada por fantasmas de uma época que já findou e que estão prestes a dar baixa nos cemitérios em razão da idade avançada. FHC, Aécio Neves, José Serra, Aloysio Nunes e Eduardo Cunha ainda andam de um lado para o outro como se fossem protagonistas do futuro, mas a tragédia hídrica de São Paulo já os assassinou e eles são incapazes de perceber este fato.


Fonte: Recebido por e-mail 

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