LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Mais uma sobre Eduardo Cunha

Você, que por ingenuidade, analfabetismo político ou caradurismo, cunhou; descunhe-se
Por Conceição Oliveiraoutubro 11, 2015 19:20

Você, que por ingenuidade, analfabetismo político ou caradurismo, cunhou; descunhe-se

POBRES CUNHAS
Por Lelê teles
somos milhões de Cunhas, orgulhava-se uma faixa durante as raves cívicas.
Cunha, como se sabe, é um sobrenome.
sabemos, também, que esses milhares de Cunha autodeclarados naquela faixa não são da família do encrencado parlamentar.
hhmmm. então por que diabos? você se pergunta.
Cunha, filho do homem, nesse caso é uma alcunha, um qualificativo.
e porque queriam ser Cunha aquela multidão de revoltados? ora, porque estavam sobre o torpor da midiotia.
ser Cunha aí era ser contra a corrupção, era ser ético, era ser a favor da família, da heterossexualidade, do mercado, de Deus e do dinheiro.
e, sobretudo, ser contra o PT.
e por que usar o epíteto Cunha assim, metonimicamente?
a mídia explica.
não faz muito tempo, qual o nosso inesquecível Pixuleco, a mídia inflou Cunha, um boneco vivo que cresceu a olhos vistos.
manchetes de jornalões e revistonas alardeavam o seu “súbito poder” aos quatro ventos estocados; que Cunha era um herói, um “sabotador da República”, um homem-bomba, um salvador da pátria, the impeachment man.
certa vez ele fez uma manobra canalha e, à sombra, encaixou um jabuti dando isenção fiscal à igrejas.
os jornalões disseram que ele agiu de forma inteligente, conhecedor profundo da legislação, e blá, blá, blá.
passaram a requalificar suas malandragens, ressignificá-las.
inflavam o boneco.
fariam dele o perfeito boneco de ventríloquo.
seria a voz terceirizada da grande mídia, dos grandes perdedores e do grande capital; a voz do golpe, cheia de verniz e adornada com a cosmética semântica.
para deixar claro que ele crescia como um ícone, João Roberto Marinho, o infante, lhe permitiu uma visita no dia 20 de julho.
ambos tiveram um longo encontro na casa de um amigo comum.
Marinho também se deixou fotografar apertando-lhe a mão no plenário da Câmara, geste artificial, tramado e de forte simbolismo.
esse é o nosso homem, queria dizer.
por isso, os midiotas adotaram Cunha por antonomásia.
Jesus os perdoaria. eles de fato não sabiam o que estavam a fazer, o faziam bovinamente.
algum “ativista” muito ativo e liberal já estava a confeccionar máscaras Cúnhicas para o carnaval.
grana certa.
estavam todos inebriados pela droga que a mídia lhes aplicava homeopaticamente.
a explicação é essa.
os barões da mídia – que falam por ventriloquia – não deram tantas qualidades a Cunha por ingenuidade, mas por esperteza.
todos sabiam que Eduardo chegara ao poder nos braços de PC Farias e já chegou pecefarando.
era uma criatura de submundos, que não andava sob o sol para que ninguém percebesse que era um homem sem sombra.
sua sombra agia pelos subterrâneos da criminalidade, esfregando-se pelas paredes, enquanto sua alma orava, cinicamente, num templo imundo e seu corpo disfarçava purismo e puritanismo para as câmeras e para a Câmara.
enquanto isso, em corpo, sombra e alma, sua esposa e filha flanavam mundo afora, deslumbradas e gastãs, esfregando cartões de crédito em fendas de maquininhas luxuosas.
um vício.
mas aí, da Suíça veio a luz que tirou Cunha das sombras.
e atentai bem, não são ilações de torturados psicologicamente a fazer deduração premiada em uma cela imunda, só na saliva.
agora são documentos, provas físicas, concretas, assinaturas, notas, rastros…
fedeu.
com mil diabos.
agora, não se pode mais cunhar Cunha como uma alcunha qualificativa.
porque Cunha, agora, é pejorativo.
passou de alcunha a vulgo.
você, que por ingenuidade, analfabetismo político ou, mesmo, por caradurismo, cunhou; descunhe-se.
desculpe-se, reconheça, diga a seu cunhado ainda hoje no churrascão dos amigos: cara, cunhei, mas já descunhei, me desculpa.
e lhe dê um abraço.
ele também lhe dirá que caiu na real.
afinal, que raios de Cunha é você aí num churrasco onde cada um traz o que vai beber.
que diabos de Cunha é você, se a sua senhora jamais terá aulas de tênis com o professor da Sharapova?
como Cunha? que Cunha, amigo, se a única Suíça que o senhor conhece é a limonada?
somos milhões de Cunhas, orgulhava-se a faixa durante as raves cívicas.
pobres Cunhas, faltou emendar.
Palavra da salvação.

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