LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

sábado, 5 de março de 2016

O SIGNIFICADO DAS PALAVRAS DE LULA NA COLETIVA DEPOIS DE DEPOIMENTO.

POR PAULO NOGUEIRA

A jararaca está viva: Lula na coletiva pós-depoimento
A jararaca está viva: Lula na coletiva pós-depoimento
Quiseram matar a jararaca, mas bateram no rabo e não na cabeça.
Assim Lula terminou no começo desta tarde de sexta seu pronunciamento depois do interrogatório a que foi submetido pela PF na nova fase da Lava Jato.
Quem pensava que Lula estaria abatido se decepcionou.
Lula parecia cheio de fogo e de planos. Disse estar magoado, ofendido, ultrajado, mas ao mesmo tempo mais motivado que nunca para combater o combate.
Falava como um jovem sindicalista, e não como um septuagenário em busca de sossego.
Avisou que, a partir de agora, vai percorrer o país, como fez no passado. Não é uma boa notícia para a direita, evidentemente.
Você ouve Lula falar e vê a diferença brutal que o separa, em carisma, retórica e poder de convencimento, dos políticos da oposição que poderiam enfrentá-lo nas urnas em 2018.
Pense em Aécio, ou Alckmin, ou quem quer seja: é um profissional contra mirins.
O episódio de hoje pode ter sido um espetacular erro dos interessados no golpe. Em vez de derrubar o alvo, Lula e o PT, eles podem tê-lo inflamado e despertado.
Ficou claro, desde o início, a repugnância de largas fatias da população diante do grande propulsor do golpe, a Rede Globo.
No Twitter, a hashtag #ForaRedeGlobo era uma das mais concorridas. Viralizou a imagem de um tuíte em que o jornalista Diego Escosteguy anunciava euforicamente, no começo da madrugada da quinta, a operação contra Lula.
Escosteguy, de uma revista da Globo, provavelmente não se deu conta da gravidade do que seu tuíte revelava: o jogo combinado entre os Marinhos e a Lava Jato.
É a isso que leva a arrogância.
Ele quis se fazer de bonzão, de bem informado, e expôs seus patrões a uma situação constrangedora.
Vieram à mente as lembranças da Globo golpista de 1964. Mais de 50 anos depois, a empresa não mudou. Talvez tenha mudado o Brasil, e se o golpe não funcionar a Globo, que mamou nas tetas de dois governos petistas, possivelmente terá problemas sérios pela frente.
Sérios e, aliás, merecidos. Merecidíssimos. A Globo sodomizou o Brasil desde o início da ditadura, e já é hora desse abuso chegar ao fim.
Comentaristas da mídia defenderam o indefensável: a agressão a Lula. Uma das críticas mais frequentes foi que Lula politizou o caso.
Ora, ora, ora.
É claramente uma ação política. Eles queriam que Lula despolitizasse o ataque de que foi vítima?
Lula falou no seu triplex com uma mistura de humor e veneno. Se os Marinhos lhe cedessem a Paraty House, descansaria lá.
A maneira como as duas propriedades são tratadas é exemplar da politização da investida contra Lula.
Todos sabem que a Paraty House foi construída e desfrutada pela família Marinho. Mais especificamente, por Paula Marinho, filha de João Roberto, responsável pela política editorial da Globo.
O arquiteto chamou a casa de Projeto PM, de Paula Marinho. Uma especialista que trabalhou no paisagismo da casa disse ao DCM que a Paraty House é dos Marinhos.
E eles negam, com base em espertezas legais, e chegam ao cúmulo de ameaçar sites como o nosso.
É uma casa criminosa, além do mais: infringe a legislação sem nenhuma cerimônia.
Mas sobre isso ninguém faz nada. A PF finge que o problema não existe, e não seria de espantar se Moro já tivesse se hospedado nela. (Atenção: é uma mera especulação.)
Em compensação, os humildes pedalinhos de Atibaia são objeto de uma investigação brutal.
Esta diferença é o símbolo do Brasil — em que a plutocracia pode tudo, incluído aí derrubar governantes que não se ajoelham diante dela.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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