LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

segunda-feira, 7 de março de 2016

Sérgio Moro, um juiz a serviço da TV Globo e do PSDB

Sérgio Moro, um juiz a serviço da TV Globo e do PSDB

Os principais interessados na Operação Lava Jato são o PSDB
e as multinacionais do petróleo. Ambos clientes da esposa de Sérgio Moro.

Emanuel Cancella



A esposa do juiz Sérgio Moro, que está à frente da Operação Lava Jato, advoga para o
PSDB do Paraná e para multinacionais de petróleo. A denúncia foi publicada no Wikleaks.

O fato já seria suficiente para inviabilizar a participação do juiz Moro no processo que
apura a corrupção na Petrobrás (Operação Lava Jato). O Código de Processo Civil,
em seu artigo 134, manda arguir o impedimento e a suspeição do juiz: “ IV- Quando
nele estiver como advogado da parte o seu cônjuge ou qualquer parente seu,
consanguínio ou afim, em linha reta: ou na linha colateral até o segundo grau”.

Mais claro impossível. Ora, quem são os principais interessados na Operação Lava Jato,
que afeta diretamente a Petrobrás? O PSDB e as multinacionais do petróleo, clientes da
mulher de Moro! São eles os grandes beneficiados com essa Operação.

Na véspera da eleição presidencial, a Revista Veja estampou uma foto da então
candidata Dilma, afirmando: “Dilma e Lula sabiam da corrupção na Petrobras”.
A TV Globo repercutiu no Jornal Nacional.

A capa da Veja – um panfleto pró-Aécio – e o noticiário da emissora de maior
audiência (ainda que decadente) manipularam até o final e certamente conseguiram
arrancar alguns milhões de votos da presidenta, embora não o suficiente para derrotá-la.

Depois do estrago causado, a farsa montada pela Veja e pela Globo foi desmentida.
O próprio advogado do doleiro Alberto Youssef (suposto delator) assegurou que
“o seu cliente não fez declaração alguma envolvendo os nomes de Lula e Dilma”.

Quem provavelmente “sabia” da manipulação montada, era o juiz Sérgio Moro.
Parcialidade e blindagens se revelam como um novo escândalo.A sociedade não deve nenhum respeito a um juiz que extrapola suas funções e, sem nenhuma base jurídica, destrata a autoridade máxima do país. É o que aconteceu no segundo turno das eleições presidenciais, quando foram veiculadas as acusações – depois desmentidas. Por esse fato, o juiz Sérgio Moro deveria se
desculpar publicamente.

Por mais que os brasileiros queiram ver na cadeia corruptos e corruptores - também
me incluo entre os indignados - não é possível aceitar que a Justiça tenha dois pesos
e duas medidas. O juiz Sérgio Moro mantém preso o tesoureiro do PT, mas não
mandou prender os tesoureiros dos demais partidos citados em delação premiada,
dentro da mesma operação, dentre os quais havia políticos do PSDB, PMDB, PP e
outros. O tesoureiro do PSDB, Marcio Fortes, que foi tesoureiro de campanha de
FHC e de José Serra, além do envolvido com o PSDB na Lava Jato é titular de conta
para lavagem de dinheiro no HSBC da Suíça. Mas continua solto.

A parcialidade de muitos juízes se revela como um novo escândalo, tão grande quanto
aqueles que apuram. Pior é a blindagem de personagens, como o atual presidente da
Câmara de Deputados, Eduardo Cunha. Será ele refém ou artífice de um projeto
conservador em andamento que pratica uma verdadeira devassa, derrubando
conquistas históricas da sociedade civil e dos trabalhadores?

Por que não são investigados e punidos os empresários de comunicação que falam e
escrevem o que bem entendem, contra tudo e contra todos, sem nenhuma
regulamentação?

Por que esses escândalos não têm a mesma repercussão na mídia? O que se diz é
que órgãos de comunicação também estariam envolvidos, em escândalos bilionários,
como o Swisslaikes, Zelotes e Trensalão.

A lei determina que todos os envolvidos em corrupção, corruptos e corruptores,
depois da ampla defesa e, se condenados, sejam presos e os bens adquiridos por meio
da corrupção sejam ressarcidos. Mas a regra deveria valer para todos os partidos!

A TV Globo deu ao juiz Sérgio Moro o título de personalidade do ano. A TV Globo
apoiou e cresceu à sombra da ditadura, foi contra as eleições diretas e, no governo
de FHC, na década de 1990, fez campanha pela privatização da Petrobrás,
comparando a estatal a um paquiderme e chamando os petroleiros de marajás.

A Globo e o PSDB sempre defenderam a privatização da Petrobrás. O seu projeto
de país tem sido derrotado nas urnas. Mas, por vias transversas, está sendo retomado.

É o que aponta o projeto do senador do José Serra que retira a Petrobrás como
operadora única do pré-sal e acaba com o regime de partilha, retornando ao pior
modelo, que é o de concessão, instituído em 1997 pelo entreguista FHC.

Como funcionário da Petrobrás e brasileiro não posso aceitar calado essa tramoia
contra a empresa que é o maior patrimônio da nação e a única que pode pagar a
dívida social que temos com nosso povo. A sociedade não pode permitir que a
Globo e o PSDB destruam a Petrobrás.
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Emanuel Cancella é coordenador do Sindicato dos Petroleiros do Estado do Rio
de Janeiro (Sindipetro-RJ) e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

Fonte:Carta Maior






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