LULA 2018

"Lula é odiado porque deveria dar errado e deixar em paz as elites para seguirem governando o Brasil por muito tempo. Um ódio de classe porque ele é nordestino, de origem pobre, operário metalúrgico, de esquerda, líder máximo do PT, que deu mais certo do que qualquer outro como presidente do Brasil. Odeiam nele o pobre, o nordestino, o trabalhador, o esquerdista. Odeiam nele a empatia que ele tem com o povo, sua facilidade de comunicação com o povo, a popularidade insuperável que o Lula tem no Brasil. O prestígio que nenhum outro político brasileiro teve no mundo", diz Emir Sader, em resposta aos que já o apontam como ameaça à democracia, de olho em 2018; "Quem odeia o Lula, odeia o povo brasileiro, odeia o Brasil, odeia a democracia"

REVISTA BR247 EDIÇÃO #29 - 6 DE MARÇO DE 2015

quarta-feira, 27 de abril de 2016

MOMENTO DE TRANSE

Para Otávio Assis, professor da Universidade do Estado da Bahia, o Brasil vive um momento delicado, confuso e perigoso. Delicado porque o País atravessa uma crise econômica que solapa empregos e retrai a atividade produtiva, sendo, ainda, agudizada por uma crise política avassaladora. Para ele, entre denúncias, investigações, prisões e delações sobram dúvidas aceca dos procedimentos adotados pela operação Lava Jato. 

por *Otavio de Jesus Assis
O Brasil vive um momento delicado, confuso e perigoso. Delicado porque o País atravessa uma crise econômica que solapa empregos e retrai a atividade produtiva, sendo, ainda, agudizada por uma crise política avassaladora. Confuso posto que entre denúncias, investigações, prisões e delações sobram dúvidas aceca dos procedimentos adotados pela operação Lava Jato. Perigoso à vista do fato deque em meio à grita geral contra a corrupção, boa parte da sociedade inclina-se a rejeitar a classe política e os partidos, e a depositar nas mãos de um juiz as esperanças de resolução dos problemas brasileiros que, de resto, têm fundo eminentemente político.
Quem se posiciona de tal forma, não percebe que pode abrir-se no País um vazio institucional e deixar escancaradas as portas para a instauração de regimes de exceção, que não raras vezes, surgem capitaneados por aventureiros de plantão em busca do poder, como certos senadores conhecidos de todos.
Ninguém em sã consciência pode ser contrário ao combate à corrupção, isso seria um completo disparate. Todavia, a ideia de que a corrupção será extirpada da nação brasileira pela deposição da presidente da República, ou pela prisão de um ex-presidente mais um grupo de políticos e empresários desonestos, ou ainda a partir da extinção de um partido político, como pregam alguns, é ilusória, falsa e desarrazoada. É preciso ter a compreensão de que neste momento paira uma nuvem ameaçadora sobre Estado Democrático de Direito, cuja conquista deu-se por meio do sangue e das lágrimas de muitos brasileiros, por isso tem valor inestimável. É necessário entender que o princípio da ordem institucional pedido nas manifestações contra o governo, somente pode ser mantido sem afrontas à constituição e à legalidade, em última análise. É fundamental perceber que nenhuma mudança positiva ocorrerá no Brasil se atentados contra a democracia forem praticados como estão sendo.
Não será o impeachment da presidente Dilma Roussef ou a desmoralização grotesca do ex-presidente Lula que tirarão o Brasil da crise nem muito menos colocarão termo à corrupção endêmica que mantém a sociedade brasileira em permanente estado de enfermidade moral. O caminho mais viável e seguro para a superação da crise e a recuperação do equilíbrio político é a manutenção da ordem democrática com o fortalecimento das instituições republicanas. Não se pode invocar a lei violando a própria lei, como já ocorreu em alguns momentos da operação Lava Jato e que tem sido apontado por juristas sérios e renomados; não se pode pugnar pela justiça praticando a injustiça, como por exemplo, investigar algumas pessoas e não investigar outras, mesmo quando, no caso, todas estão sob suspeição, como também tem acontecido na mesma operação. Isso é comumente conhecido como um ato de dois pesos e duas medidas. Não é possível falar em respeito à autoridade quando se desrespeita a autoridade maior da Nação, como fizeram no episódio da divulgação de conversas entre a presidente Dilma e o ex-presidente Lula, gravadas pela Polícia Federal, e amplamente explorado por setores da mídia cuja história e são de há muito reprováveis, dada a falta de seriedade e isenção destes setores.
Em suma, este é o ambiente delicado, confuso e perigoso no qual todos estamos vivendo na atualidade. A história nos ensina que em ambientes assim, em momentos assim, marcados pela presença de bravateiros ululantes, parlamentares cínicos e rancorosos, jornalistas aéticos, amorais e fiteiros e pseudo-herois de toga, a democracia é colocada à margem e abre-se um caminho sombrio na direção de fascismos mal disfarçados. Tomara o povo brasileiro desperte logo desse transe, ganhe alento de espírito, abra os olhos e enxergue com a clareza da razão e busque caminhar pela senda do equilíbrio institucional.
*Professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Departamento de Ciências Humanas e Tecnologias, Campus XXI, Ipiaú –Ba e do Centro Territorial de Educação Profissional Régis Pacheco (Ceep), Jequié – Ba.

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